Novo sucesso da Netflix conta a história do jovem africano que mudou a realidade de seu povoado

“O Menino que Descobriu o Vento”, novo filme da Netflix e sucesso de público, dirigindo por Chiwetel Ejiofor (protagonista de “Doze anos de escravidão”) conta a história real de William Kamkwamba (Maxwell Simba), um garoto de um vilarejo em Malaui, na África, que por meio de um livro de ciências construiu um moinho de vento para ajudar seu o pai os outros fazendeiros nas colheitas.

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Essa é uma história real famosa. Justamente por isso, Chiwetel Ejiofor decidiu contá-la sob um ponto de vista que contextualiza as questões sociais e políticas da época. Com uma direção emocionante e recheado de cenas fortes, o longa apresenta um Malaui que sofria com o descaso político, os avanços do agronegócio, das indústrias destruindo a agricultura familiar e o desespero das pessoas que passavam fome.

A história também se volta para a família do garoto, colocando uma lupa em cada personagem sem deixar de lado suas convicções e conflitos. É dentro dessa realidade pesada e escura que os momentos em que o protagonista se mostra um pequeno gênio e a história ganha ares de otimismo e brilho. “O Menino que Descobriu o Vento” é, ainda, uma preciosa lição da importância da educação, da luta pelos costumes antigos contra a modernização e da união das pessoas em momentos de crise.

Quem foi William Kamkwamba

Nascido em uma família de camponeses na vila de Kasungu, no Malaui, William viu a situação de sua região e de sua família se complicar em 2001, quando uma seca assolou o vilarejo e causou grandes transtornos para toda a comunidade. Muita gente morreu de fome e a família de William passou perto de sentir na pele essa tragédia, já que começaram a se alimentar apenas uma vez ao dia.

Os pais do jovem, então com 14 anos, insistiram para que ele continuasse a frequentar a escola. Em entrevista, na época, Willian contou que estava determinado a fazer qualquer coisa para poder aprender. Foi para a biblioteca e leu livros de ciências, em particular de física. Ele interpretou figuras e diagramas para entender o que estava nos livros.

Em um deles, o adolescente se deparou com uma explicação de como um moinho de vento poderia bombear água e gerar eletricidade. Ele pensou: “bombear água significava irrigação. Uma defesa contra a fome, pela qual nós estávamos passando naquela época.” Nesse momento ele decidiu que iria construir um moinho, sozinho.

O jovem inventor, com toda a teoria na cabeça, correu atrás da matéria-prima, mas com a escassez de materiais essenciais precisou improvisar. Foi até um ferro-velho e juntou tudo o que lhe pareceu mais próximo do que tinha lido no livro: quadro de bicicleta, roldana, tubo plástico, ventilador de trator, amortecedor e outras peças enferrujadas.

Assim, depois de meses ele construiu um moinho capaz de gerar 12 watts de eletricidade, o suficiente para ligar quatro lâmpadas e dois rádios em sua casa. E, logo, William partiu em outra missão: construir um moinho capaz de gerar no mínimo 20 watts, o suficiente para bombear água e irrigar toda a vila.

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Sua iniciativa foi tão apreciada que, em pouco tempo, virou notícia e circulou pela Internet. Assim, aos 19 anos, ele foi convidado para palestrar no TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) sobre sua invenção  e inspirar o público.

Ele começou dizendo que “era uma máquina simples que mudou a minha vida. Antes daquela época eu nunca tinha ido para longe da minha casa, nunca tinha usado um computador, nunca tinha visto a Internet”, cont.

Confira abaixo o vídeo da palestra de William no TED.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras