“Costurando Vidas”: um projeto da promotora Giuliana Talamoni Fonoff em parceria com o Instituto ITI

No início da tarde dessa segunda-feira, 25 de fevereiro, foi dado o ponta pé inicial para mais um projeto de empoderamento feminino. Idealizado pela promotora de justiça Giuliana Talamoni Fonoff, em parceria com o Instituto ITI (Inclusão, Transformação e Inovação Social), o projeto “Costurando Vidas” pretende qualificar profissionalmente mães e mulheres de pessoas que estejam cumprindo pena no presídio de Itabira.

“A ideia surgiu de uma conversa informal em que o estilista Ronaldo Silvestre me contou das experiências dele com projetos de costura que acolhem mulheres, oferecem trabalho e ao mesmo tempo acompanham suas histórias de vida. E eu descrevi para ele o que eu acompanho como promotora de execuções das mães e esposas de pessoas que se encontram detidas”, relembra Dra Giuliana.

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Ela explica que notou que essas mulheres sofrem com a falta financeira e da pessoa em si. “As mães, por exemplo, nunca desistem dos filhos que estão presos. Isso demonstra o grande valor dessas mulheres. Apesar de estarem sofrendo e passando dificuldades, são também fortes e estão reagindo. Porque elas não seriam pessoas para serem contempladas por um projeto de inclusão e qualificação?”, reflete Dra. Giuliana.

Assim, ela e Ronaldo Silvestre, por meio do Instituto ITI, depois de um ano articulando o “Costurando Vidas”, finalmente conseguiram dar início ao projeto. “O que fizemos foi juntar coisas que já existem: o trabalho do Ronaldo e a disposição dessas mulheres para participar do projeto”, explica a promotora. “O que nós queremos é fazer com que essas mulheres se empoderem e compreendam que não é culpa delas que estejam uma situação como essa. O projeto as ajudará a ter independência financeira, por meio de um trabalho de qualificação que vai dar a elas a possibilidade de produzir peças de roupas, bordados, bolsas, almofadas, brindes corporativos”, conta Ronaldo.

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As alunas do projeto “Costurando Vidas” integrarão o Curso de Capacitação de Corte e Costura, Artesanato Sustentável e Bordado do Instituto ITI. Foram disponibilizadas 20 vagas para o projeto. Ao todo, 100 pessoas farão parte das duas primeiras turmas do curso. As aulas acontecerão três vezes por semana, a partir do dia 11 de março, e essas primeiras turmas devem se formar em julho de 2019. Ainda no dia 11 de março, acontecerá a aula inaugural do curso, o que marcará a abertura oficial do Instituto.

O que ainda falta

Tanto Ronaldo, quanto a promotora Giuliana ressaltam que há algo que pode inviabilizar a participação de muitas mulheres no projeto: a falta de financiamento para o transporte delas. Apesar de todo o curso ser gratuito e o Instituto ITI disponibilizar todo o material que será usado, ainda é preciso que haja meios de levar essas mulheres até lá.

“Estamos em busca de formas de garantir que essas mulheres recebem vales-transportes para que possam assistir às aulas. Para isso, gostaríamos de contar com empresas que possam assumir essa parceria conosco”, destacou a promotora. Ronaldo frisou que o Instituto já conta com a parceria da Prefeitura de Itabira, que cedeu o espaço em que o ITI funcionará. “A prefeitura viabilizou a instalação da sede própria do Instituto, mas quanto mais parcerias melhor”.

Instituto ITI

Criado por Ronaldo Silvestre e Rodrigo Bernardi, o Instituto ITI é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, fundada em 2009, com o nome “Tecendo Itabira”. A ideia é criar, por meio de cursos e aulas de capacitação, forma de fortalecer a economia criativa e das redes sociais e educativas. O ITI sempre atuou no protagonismo cultural das comunidades criando formas de valorizar os recursos naturais e da biodiversidade.

Desde sua criação, o Instituto vem desempenhando um importante papel no empoderamento feminino. Por meio do trabalho desenvolvido no ITI, as mulheres que integraram o projeto puderam produzir peças que desfilaram nas principais passarelas de moda do país, bem como tapetes vermelhos de premiações internacionais de cinema. Além disso, produziram acessórios e itens de artesanato sustentável que são comercializados Brasil afora.

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Assim, o ITI estabeleceu uma relação de confiança e gerou diversas parcerias públicas e privadas ao longo de sua história. Hoje, o reconhecimento e a valorização dos programas voltados para a educação, preservação ambiental, igualdade de gêneros, erradicação da pobreza, desenvolvimento social e cultural, geração de renda e qualidade de vida possibilitam alçar novos voos.

Com a inauguração de uma sede própria, o ITI pretende investir na capacitação de mão de obra especializada. Ronaldo Silvestre explica que as pessoas que passarem pelos cursos do Instituto sairão de lá não apenas prontas para criarem uma nova fonte de renda, como também aptas a ocuparem uma lacuna importante do mercado de trabalho. “Nesse mercado há muita procura por costureiras. Quando uma pessoa compra um item de moda, raramente se pergunta quem são as donas das mãos que o produziram. Mas quem cria essas peças está sempre em busca de pessoas com qualificação profissional e entendimento da sua importância na cadeia de trabalho”, detalha.

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O Instituto ITI começará a funcionar logo depois do carnaval em sua sede própria na Rua Irmãos De Caux, 283, no Centro de Itabira, próximo ao Ginásio Poliesportivo. Quem tiver alguma dúvida ou queira conhecer os cursos que serão oferecidos por lá, pode saber mais no site e conhecer o Instagram do ITI.

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