Conheça a multimarcas não binária que está fazendo história na França

A L’Insane, comandada pela síria Lyne Zein, é uma multimarcas que acaba de abrir as portas e tem dado uma lição de como tratar a fluidez de gênero no vestir. E isso não inclui apenas neomarcas pouco conhecidas, nas araras é possível encontrar grifes como Mugler, Koché e Faith Connexion.
Lyne Zein conta, em entrevista à Vogue Paris, que sempre se sentiu um pouco “fora da caixa” no quesito moda e que nunca gostou de “roupa de menina”, mas também não se enquadrava na modelagem masculina. A família nunca entendeu suas questões, que ela tampouco encarou como de gênero. “Por isso classifico a L’Insane não como unissex ou agênero. Unissex, infelizmente, limita-se à noção do sexo do homem e da mulher. Prefiro o termo não binário por ser algo que passa ao largo do cunho sexual, que não caracteriza necessariamente uma semelhança física particular, mas um sentimento interior que deixa a pessoa livre para ser o que quiser, para fazer suas escolhas.”
Inspirada em Alessandro Michele, o designer da Gucci, que em seu desfile de estreia fez um desfile não binário e trouxe o termo para o mainstream, Lyne destaca que fora de Londres e Nova York há ainda pouco espaço para a fluidez. “Abrir em Paris foi, de certa forma, estratégico. Mas quero ir para outras cidades, como Seul, Tóquio e, quem sabe, São Paulo”, avisa.
Outra inspiração delas é a loja Antonioli, de Milão, cujo dono, Claudio Antonioli, ajudou a trazer à luz inúmeras marcas não binárias. “Ele dá consultoria para os designers, montou uma rede de distribuição e tem uma perspectiva macro do negócio”, detalha Lyne.
A jovem de 25 anos chegou a Paris aos 18 para estudar business na American University of Paris e fez mestrado em gerenciamento de luxo no Instituto Marangoni da capital francesa. Sua loja reúne roupas de 12 marcas. Além daquelas já citadas, há as assinadas do chinês Xander Zhou, cujos mais recentes desfiles mostraram homens “grávidos” e que diz que faz roupas para “aliens” e “humanoides”. Encontram-se também peças da Vaquera, com direito a sutiãs femininos e masculinos; a turca Dilara Findikoglu, com suas moedas e seus olhos bordados e smokings com lapela rasgada; o mexicano radicado em Nova York Barragán, que traz doudounes e parcas de náilon; a marca espanhola Palomo Spain, com suas camisas de renda cheias de babados flamencos desfiladas somente por homens e os jeans couture da alemã Hardeman, que oferece até minissaias para eles?
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