Conheça a grife afro-americana que investe em sustentabilidade

Fundada em 2016 pelas sócias – e melhores amigas – Abrima Erwiah e Rosario Dawson, a marca Studio 189 acabou de lançar uma coleção-cápsula de bolsas, camisetas e moletons para o pavilhão de Gana, na Bienal de Veneza. um prestígio para uma marca afro-americana totalmente voltada para a sustentabilidade.

Para completar, o Pavilhão foi assinado pelo arquiteto David Adjaye e pela cineasta Nana Oforiatta Ayim. “Esta é a primeira vez que o país foi convidado para a Bienal, então foi uma experiência emocionante”, diz Abrima, em entrevista à Revista Vogue.

A Studio 189 também criou uma coleção especial para a Bloomingdale’s, que já tem lançamento previsto para o julho desse ano. Além disso, o desfile de Verão 2020 da etiqueta será apresentado em setembro, em Nova York.

Desde que recebeu o grande prêmio da última edição do CFDA + Lexus Fashion Initiative, um programa de mentoria com duração de nove meses voltado aos novos talentos com propostas sustentáveis na moda, a Studio 189 está a todo vapor.

A ideia da marca surgiu em meados de 2011, quando a jovem afro-americana Abrima trabalhava como executiva de marketing na Bottega Veneta. Ela conta que amava o fato do mercado de luxo ter um compromisso com o artesanato, a herança, a inovação, a qualidade e as técnicas transmitidas de geração para geração. “Por outro lado, quando viajava a Gana, encontrava artesãos com habilidades incríveis, mas que tinham dificuldade em acessar o mercado vendendo suas criações por menos do que valiam e sendo tratados sem dignidade. Parecia injusto, mas não sabia o que fazer.”

Começou assim uma jornada de visitas como voluntária a países africanos, como Quênia, Ruanda e Congo. Abrima descobriu ali uma forte relação entre moda e superação. “Havia tantos exemplos de mulheres que conseguiram se reerguer das piores situações por meio de seus trabalhos artesanais… meninas que foram esposas de crianças-soldados, estupradas, passaram por tanta dificuldade… Queríamos honrar essas pessoas que encontraram sua força na criatividade e na moda. Chamamos esse movimento de Fashion Rising”, explicou.

Agora, com sua marca ganhando destaque, Abrima se divide entre Gana (onde a marca tem duas lojas) e Nova York. Além do mais, trabalha com diferentes artesãos africanos para desenvolver suas coleções, inspiradas na obra de artistas como Malick Sidibé, Jojo Abot, Yaa Pono, entre outros.

A marca procura em cada comunidade que visita, técnicas específicas como tingimentos naturais, batik, tie-dye, ourivesaria, cestaria, tecelagem kente e de tear, contas de vidro reciclado, entre outras coisas. A Studio 189 também tem uma fábrica onde realiza treinamentos diversos e produz seu próprio índigo, em parceria com uma fazenda local.

Abrima deixa claro que o objetivo é “construir uma grife de luxo que honre as tradições e seja inovadora, inclusa e diversificada, conectando pontos ao longo da cadeia para que possamos saber quem faz nossas roupas. Queremos ver os produtores e consumidores valorizados de forma justa e igual e trabalhar juntos para dar voz àqueles que são muitas vezes silenciados.”

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