Uma boa causa pode mudar para melhor uma carreira bem sucedida

Foi o que aconteceu com o americano Dan Giusti, filho de um italiano de Pescara, nascido em Nova Jersey, que trabalhou no restaurante “Noma”, considerado um dos melhores restaurantes do mundo (esteve no topo da lista dos 50 melhores do planeta), ao lado do chef René Redzepi.

Atualmente, ele e sua equipe preparam 4 mil refeições para seis escolas públicas da cidade de New London, no estado de Connecticut, e duas no Bronx, em Nova York. Ele prova que com apenas US$ 3,39 por criança e adolescente, é possível arca com as despesas dos ingredientes, os salários dos chefs e a logística para preparar as refeições.

Em entrevista recente, ele deixou claro que seu amor pela culinária nasceu na casa dos parentes, onde a comida é considerada uma forma de carinho, atenção e hospitalidade. “Nas escolas públicas, a hora do almoço tem um significado muito importante. Para muitos, é a única refeição completa do dia. E é nesse momento que temos a oportunidade de mostrar nosso afeto e de como nutrir bem alguém”.

Dan estudou no Culinary Institute of America (CIA), a mesma escola de gastronomia onde estudaram chef’s brasileiros como Rafa Costa e Silva, do “Lasai”, e Thomas Troisgros, do “Olympe”. Em sua carreira, passou pelo “1789”, em Washington, até chegar ao dinamarquês “Noma”. Nesse meio tempo, voltou às origens e trabalhou, por um ano, no Pinocchio, restaurante estrelado em Borgomanero, uma cidadezinha do norte da Itália.

Em meados de 2015, se pegou alimentando um antigo sonho: poder alimentar milhares de pessoas. A ideia, porém, não era abrir um restaurante. Era mais que isso. O sonho virou um artigo publicado no jornal “The Washington Post”. Nele, Dan Giusti anunciava sua intenção de transformar as refeições oferecidas pelas escolas públicas por meio da contratação de chefs que preparariam pratos frescos dentro das próprias instituições.

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A proposta causou mais alvoroço do que ele esperava. Com uma carreira bem sucedida no currículo e prestígio no mercado, ele criou uma empresa que conta – até hoje – com René Redzepi, chef e um dos sócios do “Noma”, premiado com 2 estrelas Michelin e ex-patrão do americano como investidor.

Assim, o chef norte-americano viu sua revolução alimentar ganhar adeptos. “Nós recrutamos os chefs que se tornam funcionários das escolas e supervisionamos o time de merendeiras que preparam as refeições. Nas escolas, onde as cozinhas não são equipadas, nós distribuímos a comida quase pronta, mas fresca. Eu desenvolvo receitas e introduzo novos ingredientes, como peixe fresco e verduras no cardápio”, relata.

Seu método segue rigorosamente as normas do rígido programa nacional de alimentação norte-americano. Antes dele, essas mesmas escolas serviam, segundo estimativas, refeições contendo 75% de alimentos industrializados.

Nesse processo, Dan precisou colocar o ego de lado para não se frustrar com os comentários ou negativas das crianças e adolescente. “No começo, quando uma das receitas não agradava, eu me culpava. Acabei percebendo que preciso também levar em conta o gosto deles”.

Ainda assim, ele realizou a proeza de tornar brócolis e cenouras campeões de preferência. E, em tempos globalizados, até mesmo arroz e feijão já figuraram no menu.

Vale lembrar que essa não é uma tarefa assumida apenas por Dan. O inglês Jamie Oliver, em 2010, rodou os Estados Undios com o seu projeto “Jamie Oliver’s Food Revolution” tentando combater o predomínio de nuggets e achocolatados nos refeitórios das escolas.

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