SEESP e Comissão de Esportes da ALMG propõem discussão sobre clubes do interior

Os clubes de futebol do interior são a referência esportiva de muitos municípios. No entanto, as dificuldades financeiras têm impedido a permanência sustentável desses times no calendário das competições estaduais. Exemplo disso é o Valério, representante de Itabira no cenário esportivo estadual, que, em 2017, decidiu não participar da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro devido as dificuldades financeiras pelas quais passa.

O clube, que neste ano completa 75 anos de fundação, acumula uma dívida de R$ 8 milhões aproximadamente – sendo que, deste montante, mais de R$ 23 mil são devidos à Federação Mineira de Futebol (FMF). Devido a essa situação, a direção do Valério optou por se dedicar às categorias de base, montando equipes sub-15, sub-17 e sub-20.

As dificuldades enfrentadas pelos times de futebol do interior levou o secretário de Estado de Esportes, Arnaldo Gontijo, a defender a universalização do acesso dos clubes nas competições que têm como propósito promover disputas entre as diversas cidades mineiras.

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O Valério, de Itabira, pela primeira vez em sua história, ficará de fora da disputa do Campeonato Mineiro.

“Quando esses clubes não conseguem manter sua participação nas grandes competições deixam de ser atrativos para os atletas. A situação é preocupante, afinal, com um número menor de atletas do interior revelados para o cenário estadual diminui também a participação de atletas mineiros em times nacionais”, destaca o secretário.

É notória a discrepante realidade dos clubes do interior em relação aos da capital, no entanto, o difícil cenário econômico tem afastado ainda mais os patrocinadores dos clubes. “Muitos times contavam com os pequenos e médios comerciantes de sua região para honrar a sua folha de pagamento e para promover atividades como a manutenção de escolinhas de futebol. Hoje, o que sabemos é que não está sobrando recurso para a área social e nem para a inscrição nas competições”, relatou o deputado estadual, Carlos Henrique, em visita à secretaria de Estado de Esportes na quarta-feira, 21 de junho.

O deputado, que é membro da Comissão de Esporte, Lazer e Juventude da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), defende o diálogo conjunto entre todos os envolvidos na temática para que as soluções sejam apontadas. Ele apresentou ao secretário Arnaldo Gontijo a ideia de levar o assunto para uma plenária da ALMG. “É diante das dificuldades que as soluções criativas e empreendedoras nascem. O melhor caminho para fomentar a descoberta de talentos esportivos é fortalecendo as entidades de representação como as federações esportivas e os clubes, isso, não apenas no futebol, mas, em todas as modalidades. É por isso que apoio a ideia do deputado Carlos Henrique”, afirma Arnaldo.

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Deputado Carlos Henrique e secretário Arnaldo defendem a representatividade dos clubes do interior no calendário esportivo do estado.

Quando assumiu a SEESP o secretário revelou estar motivado para diminuir os obstáculos enfrentados pelas diversas modalidades. “Sou natural do interior e sei da importância desses clubes para a formação de atletas e para despertar o interesse dos jovens pela atividade física. Claro que devemos estimular o interesse por outras modalidades, mas, isso não significa abandonar aquelas que já possuem o apreço do cidadão”, concluiu Arnaldo Gontijo.

A proposta também foi discutida com os representantes do Boa Esporte, que já tinham previamente agendada uma reunião para a quarta-feira na Secretaria de Estado de Esportes para apresentar as dificuldades do clube. O secretário Arnaldo Gontijo ressaltou que foi oportuna a visita do Boa, mas, deixou claro que todos os times mineiros terão acesso à plenária. Os trâmites ficarão a cargo da Comissão de Esportes da ALMG, que conduzirá a temática encabeçada pelo deputado Carlos Henrique. “Tenho certeza que todos os interessados serão convidados. Será também uma excelente ocasião para abordamos a Lei de Incentivo ao Esporte. Afinal, com esse mecanismo são apoiados projetos esportivos que perpassam diversas dimensões, entre elas a de rendimento e a de participação”, disse Arnaldo.

Por meio da isenção fiscal do Governo de Minas Gerais é possível que empresas apoiem projetos esportivos sem desembolsar recursos além do que já destinariam para o pagamento do ICMS. Por outro lado a população se beneficia com atividades gratuitas. Desde 2013, quando a Lei Nº 20.824 que regulamenta a ação foi sancionada, foram aprovados 489 projetos. Desse total, 136 projetos já foram executados ou estão em execução com recursos captados que ultrapassam os R$ 38 milhões. Já são mais de 73,7 mil beneficiários entre crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, de diversos municípios mineiros.

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Pleitos dos representantes do Boa Esporte exemplificam problemas atravessados por clubes de futebol do interior.

*Com informações da Secretaria de Estado de Esportes de Minas Gerais

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