Por que a Copa do Mundo Feminina de Futebol desse ano vai entrar para a história

 Não por acaso, a Copa do Mundo Feminina de Futebol de 2019, que começou nessa sexta-feira, 7 de junho, acontece na França, país que se não somente mobilizou, como carrega em sua memória, a luta de mulheres. Registros históricos apontam a França como o berço da primeira onda feminista, durante a Revolução Francesa. Com esse passado em mente, as jogadoras de futebol de 24 seleções irão protagonizar o torneio que já é revolucionário desde suas fases eliminatórias.

Ao contrário da Copa do Mundo dos homens, a feminina ainda é um evento consideravelmente novo. A primeira edição da Fifa foi em 1991 e, apesar das barreiras quebradas e recordes positivos ao longo do tempo, a edição que começa nesta sexta abriu novas possibilidades.

Essa é a primeira vez que tantas seleções estão niveladas por alto. Além das atuais campeãs americanas, Alemanha, França e Inglaterra estão na lista para chegar ao topo. Destaque também aos trabalhos de Austrália, Holanda, Canadá e Japão.

E há uma razão lógica para isso: a força das ligas de futebol feminino. No exterior, há muitos clubes fortes e investimentos. Os Estados Unidos nadavam a braçadas largas na modalidade, mas o desenvolvimento de ligas na França, Inglaterra e Espanha aumentou a competitividade.

Um aumento proporcional ao interesse do público. Barcelona e Atlético de Madrid colocaram mais de 60 mil pessoas no Wanda Metropolitano em um dos jogos de seus times femininos, por exemplo.

Essa será a primeira Copa feminina com grande transmissão. Cerca de 130 emissoras levarão os jogos a 135 países. É também um Mundial que mobilizou campanhas anteriores ao torneio para chamar a atenção das pessoas. A resposta foi positiva. Além de marcas fortes de patrocínio esportivo, as seleções também entraram forte na ideia, já que as campanhas tiveram largo alcance.

Não por acaso, a convocação da Inglaterra teve a participação de atores do filme Harry Potter e do ex-jogador e craque inglês, David Beckham. No Brasil, essa será a primeira vez que a TV Globo transmitirá todos os jogos da seleção brasileira feminina em uma Copa do Mundo.

Um fator para lá de importante. Dois meses antes do Mundial, a Fifa anunciou que a venda de ingressos já estava quebrando recordes. Para se ter uma ideia, as entradas para finais e semifinais esgotaram em apenas 48 horas. Aliás, dez jogos já estão com todos vendidos.

Nada do que vamos vivenciar na França nas próximas semanas é por acaso. É preciso lembrar que os últimos anos foram marcados por movimentos feministas e de igualdade de gênero fundamentais em todos os segmentos, de diversos países. Não poderia ter sido diferente no esporte. A Fifa abriu os olhos.

Comentários