Equipe itabirana é campeã mineira de handebol

Foi de maneira invicta e com bastante autoridade que a Associação Itabirana de Handebol (AIH) venceu, pela primeira vez, o Campeonato Mineiro de Handebol 2015 na categoria Cadete, que reúne atletas com até 16 anos. A fase final da competição teve seis equipes de Minas Gerais e foi disputada entre os dias nove e 13 de dezembro na cidade de São Sebastião do Paraíso.

Antes de chegar à fase decisiva, a AIH precisou buscar a sua classificação em uma das etapas regionais. De acordo com o regulamento da Federação Mineira de Handebol (FMH), cada etapa regional conta com quatro times e apenas dois se classificam para a final. Neste ano foram realizadas quatro disputas, sendo que a equipe itabirana foi campeã da edição que aconteceu na cidade de Luz e, assim, conquistou a sua vaga para a decisão.

Inicialmente a fase final do Campeonato Mineiro reuniria oito equipes, porém, Ipatinga e Matias Barbosa desistiram de participar dessa disputa. Dessa forma, a competição reuniu a AIH, representando Itabira, e os times de São Sebastião do Paraíso, Ubá, Uberaba, Montes Claros e Varginha. Pelo regulamento, todas as equipes jogam entre si e a melhor colocada se sagra campeã.

A AIH demonstrou alto padrão de jogo e superou cada um dos desafios. Na partida de abertura, no dia nove de dezembro, superou por 24 a 18 o time de São Sebastião do Paraíso. Nos dias seguintes as vitórias se sucederam: 22 a 15 no confronto contra o Ubá; 22 a 14 em cima do Uberaba; 30 a 10 na disputa com Montes Claros; e 31 a 12 na partida de encerramento contra o Varginha. A série invicta garantiu o título para a equipe itabirana.

O feito inédito foi conquistado pelas atletas: Larissa Carvalho Conceição, Larissa Ele da Conceição Souza, Maria Phernanda Bernardino Mendes, Tainá Siqueira Vitor, Brenda Stefane Lopes de Oliveira, Daiana Stefane Martins de Oliveira, Taynara Lúcia Viana de Amorim, Nathália Guerra Aguis, Larissa Moura da Silva, Gisele dos Reis dos Santos e Rafaella Rodrigues da Silva.

Para José Evenilton Conceição, treinador da AIH, a conquista desse campeonato coroa uma série de bons resultados que a equipe vinha conquistando nas temporadas passadas, quando chegou a alcançar a segunda e terceira colocações do pódio. “Foi muito boa [a vitória]. Estamos esperando há tanto tempo por isso, batendo sempre na trave. Várias vezes chegamos em vice e em terceiro lugar e agora conseguimos esse título”, destacou.

O resultado no Campeonato Mineiro de Handebol fecha uma temporada de grandes resultados para a AIH. Somente neste ano o time venceu os Jogos Escolares de Itabira (JEI) em abril, uma das etapas dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG) em junho, e conquistou o quarto lugar na final estadual dos JEMG em agosto – foi a primeira equipe de Itabira a chegar a uma semifinal dessa competição.

O desempenho nos JEMG ainda rendeu à atleta Cláudia Maira Santos o prêmio de melhor atleta de handebol no módulo II, que reúne esportistas entre 15 e 17 anos. No dia 2 de dezembro a itabirana foi reconhecida em cerimônia realizada pelo Governo de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Na ocasião foram homenageados os atletas, técnicos, entidades e municípios-sede que se destacaram nos programas esportivos do Estado em 2015.

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Dificuldades
Os bons resultados, porém, escondem os desafios que o esporte especializado enfrenta em Itabira. O tempo de treinamento é uma das principais dificuldades. De acordo com José Evenilton, as atletas da AIH têm uma rotina de 1h30 de treinamento em dois dias da semana, que precisam ser divididos em exercícios técnicos, táticos, físicos e iniciação para os novos esportistas. O ideal seria três horas de treinos.

Além disso, a falta de recursos para custear passagens de ônibus para as jogadoras que moram distante do Ginásio Poliesportivo Maestro Silvério Faustino, para compra de materiais esportivos, como uniforme, e hospedagem nos locais dos campeonatos também dificulta o trabalho.

Atualmente a AIH possui um convênio com a Prefeitura Municipal de Itabira no valor de R$ 20 mil anuais. Esses recursos são usados no custeio das taxas da FMH, transporte para as competições, alimentação das atletas e materiais esportivos. Porém, não cobrem todas as necessidades da equipe. José Evenilton avalia que são necessários R$ 35 mil para arcar com as despesas do handebol itabirano.

Devido a essa necessidade, a equipe da AIH não participou da final do Campeonato Mineiro de Handebol na categoria Juvenil, para atletas de até 18 anos, realizado em outubro na cidade de Juiz de Fora. Isso aconteceu porque a equipe não tinha condição de arcar com as despesas para duas viagens e optou por jogar a decisão na categoria Cadete.

“A gente também estava classificado para jogar o Juvenil, mas não tinha condição de participar das duas finais e tivemos que optar por uma delas, que acabou sendo a Cadete, que é uma categoria que já ia jogar com essas meninas, que tem 15 e 16 anos. O Juvenil tem meninas mais velhas e não teríamos um resultado tão bom, por isso acabamos escolhendo a Cadete”, explicou José Evenilton.

Outro fator destacado pelo treinador da AIH é a pouca visibilidade que o esporte especializado tem em Itabira. Isso dificulta na busca por patrocínios e na melhora das equipes locais, independente da modalidade que disputam. “Itabira não valoriza o especializado. Tanto que a gente fica sem saber se essa conquista é boa ou não para a evolução do esporte de Itabira. É muito importante para a motivação das nossas atletas, para a nossa equipe. Até a divulgação do resultado é pouca. A gente espalha e mesmo assim ninguém fica sabendo”, aponta José Evenilton.

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