Você precisa conhecer um filme brasileiro que foi destaque no Festival de Cannes de 2018

“Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”, de João Salaviza e Renée Nader Messora, estreou mundialmente no Festival de Cannes do ano passado e, e quebra, ganhou o Prêmio Especial do Júri da mostra Un Certain Regard, a segunda mais importante do tradicional evento francês.

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Assim, o mundo voltou seus olhos para a história do índio Ihjãc, jovem da etnia Krahô que mora na aldeia Pedra Branca, em Tocantins. Casado e com um filho pequeno, ele foge para a cidade depois da morte do pai, deixando para trás a ideia de se tornar um xamã. Longe de seu povo e da sua cultura, ele enfrenta as dificuldades de ser um indígena no Brasil.

Rico em detalhes, o filme é falado na língua dos krahô e foi filmado ao longo de nove meses. Assim, ele foi exibido em cerca de 50 festivais internacionais e conquistou 11 prêmios. Esse mês, o longa estreou nos cinemas brasileiros e trouxe para o público nacional uma outra história: da cineasta brasileira Renée Nader Messora.

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Ela participava de um projeto que ajuda a aldeia de Pedra Branca usando a sétima arte como instrumento para a autodeterminação e o fortalecimento da identidade cultural. Desde 2009, Renée viu o projeto tomar outras formas, entre elas o coletivo de cinegrafistas indígenas Mentuwajê Guardiões da Cultura. Assim, em 2014, o cineasta português João Salaviza (parceiro dela nesse filme) passou a integrar o projeto.

Juntos, eles conheceram um menino da aldeia que estava em um processo semelhante ao do personagem Ihjãc. A partir daí, escreveram o roteiro. A cineasta, que estreia na direção com o longa, explica que houve uma preocupação de ter na equipe pessoas que se sensibilizassem com a história que eles iriam contar.

Um dos integrantes da equipe de filmagem, por exemplo, é o antropólogo Vitor Aratanha, casado com uma índia da aldeia e que fez o som direto do filme. Foi ele quem possibilitou que a língua da comunidade fosse usada, se tornando o intermediador entre os diretores e os índios.

Esse foi um ponto importante para o desenrolar da trama, já que uma das grandes dificuldades do personagem principal foi aprender o português para superar o choque cultural ao chegar na cidade. Nesse momento, o longa destaca tudo o que a língua representa.

Outro ponto forte do filme é o respeito à cultura indígena e como esses povos são massacrados numa tentativa de fazer deles algo que não são, apesar de sua resistência.

Assista ao trailer dessa linda história.

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