TV Cultura de Itabira pode chegar ao fim no governo Ronaldo Magalhães

O prefeito de Itabira, Ronaldo Lage Magalhães (PTB), encaminhou para a Câmara Municipal de Itabira (CMI) um Projeto de Lei que prevê a extinção de 112 cargos comissionados da Prefeitura Municipal de Itabira (PMI). Dentre as funções que podem ser encerradas, estão alguns postos importantes para a gestão e manutenção da TV Cultura de Itabira, o que indica a intenção do atual governo municipal em fechar a emissora local.

Do total de cargos a serem cortados, 78 são da PMI, 16 do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itabira (SAAE), dez da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade – desses, cinco estão diretamente ligados à TV Cultura – e oito na Empresa de Desenvolvimento de Itabira (Itaurb). A emissora, portanto, perderá as funções de chefe de departamento, diretor chefe de imagem, editor de programas, repórter e locutor entrevistador.

A possibilidade de fechar a emissora acontece pouco tempo depois de uma reestruturação promovida pelo então prefeito Damon Lázaro de Sena (PV). Entre 2013 e 2015, a TV Cultura ficou fora do ar devido à sua readequação. Na época, a PMI alegou necessidade de melhorias estruturais na sede e mudanças técnicas. No processo, foram investidos recursos na reforma do prédio e na compra de novos aparelhos.

A reestruturação ainda previa que a emissora se tornasse uma geradora regional totalmente digital, o que ampliaria o seu escopo de atuação e alcance de público. O técnico Fernando Martins esteve à frente de boa parte desse processo, mas acabou saindo por desentendimentos com Damon de Sena. O mesmo aconteceu com Marconi Drummond, então superintendente da FCCDA e responsável pela TV Cultura.

A emissora acabou voltando ao ar ainda em 2015, mas manteve o mesmo canal, a mesma política de emissora panfletária e com um sistema analógico. Os trabalhos da TV seguiram até o final de 2016, quando Damon de Sena deixou a PMI.

Debates

Nas eleições municipais de 2016, a TV Cultura foi um dos temas debatidos pelos candidatos a prefeito. Bernardo Mucida (PSB), principal concorrente do petebista, foi um dos que se manifestaram favoráveis ao fechamento da emissora. Ronaldo Magalhães também declarou ser favorável à medida – o posicionamento foi divulgado após a sua vitória nas eleições municipais.

Nos últimos anos, a TV Cultura tem sido alvo de críticas pelo uso político que vinha recebendo. Em vez de contar com uma grade de programação diversa e que fizesse jus ao seu nome, a emissora se tornou um veículo panfletário e utilizado basicamente para propagandear as ações de cada gestão municipal.

O próprio uso sem planejamento e com pouco apelo para audiência acabou acarretando em diversas situações que, agora, pesam na decisão de encerrar os trabalhos da emissora itabirana. A audiência do canal é de apenas 1% e os custos para a sua manutenção são considerados altos. Além disso, a TV conta com um sistema analógico, que deixa de ser usado em junho deste ano, o que implicaria em investimentos em um sistema digital – o que encareceria ainda mais os custos de manutenção.

Apesar dos argumentos favoráveis ao fim da TV Cultura, um canal de televisão pode ser uma excelente ferramenta de comunicação para uma cidade. Mas, para isso, é necessário bastante vontade política para se trabalhar em uma grade de programação cultural e que possa vir a acrescentar algo para a população itabirana. Um modelo que se assemelhe à sua irmã paulista ou à Rede Minas, importantes veículos de comunicação nacional e estadual.

Possivelmente alguns dos leitores do Trem das Gerais já se pegaram assistindo alguma programação da TV Cultura de São Paulo – desde programas como Castelo Rá-Tim-Bum até pontos de debate como o Roda Viva. Ou, quem sabe, passou algum tempo desfrutando de espetáculos culturais da Rede Minas. Exemplos esses que apontam para um modelo interessante de gestão de uma TV pública.

O término de nossa emissora ainda não está decretado, mas ao que tudo indica, não terá um final feliz. Porém, essa medida precisava ser discutida amplamente. Afinal, a cidade precisa abrir mão de um canal de comunicação desse calibre devido a ingerência e a falta de vontade política em se construir uma TV de relevância?

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A profissão é jornalista. A diversão é um livro. Mas também pode ser um filme ou uma série. O esporte é futebol - desde que acompanhado do sofá da sala. O universo digital exerce grande interesse. Não dispensa uma xícara de café ou um copinho de cerveja.