Sound system em Itabira: tire o fone do ouvido e leve a música pra rua

As ruas sempre foram palco para manifestações culturais e trocas de experiências. Seja para mandar um som, gastar o sapato com alguns passos, declamar versos ou mostrar alguma arte. Foi nesse espaço agregador que surgiu a cultura sound system, em que artistas levam as aparelhagens de som para as ruas e, ali, executam os seus sets de músicas e colocam a galera para bailar.

Um pouco dessa cultura poderá ser vivenciada em Itabira no próximo sábado, 28 de novembro, às 14h, na Avenida das Rosas, 381, em frente ao mercadinho Pegada e Cia. O encontro é uma iniciativa do movimento Lado B Pegada Som Sistema, que é formado pelo baterista e DJ Juninho Ibituruna, o jornalista e produtor Mário Brito e o empresário e produtor Paulo Henrique “Cebola”. O evento, ainda, contará com a participação do flautista Daniel Pantoja, que irá apresentar o seu projeto “Flauta Progressiva”.

A ideia do movimento Lado B Pegada Som Sistema nasce da necessidade de compartilhar músicas que não são acessíveis pelos canais tradicionais – seja na rádio, televisão ou nos bares e shows que tem em Itabira – e podem ser encontradas em movimentos alternativos que fogem da cultura mais popular.

“Dificilmente você escuta músicas desse jeito em qualquer lugar. A não ser que você vá num barzinho mais alternativo, que aqui em Itabira não tem, ou então se você for numa festa mais específica, que tem mais em Belo Horizonte e que em Ipatinga começou a movimentar. Então a gente está tentando trazer isso pra Itabira, movimentar mais esse lado B”, explica Cebola.

E os integrantes do Lado B trazem na sua trajetória essa identificação com as músicas alternativas. Mário Brito e Cebola criaram o projeto Casa de Jah, que utiliza o Facebook para divulgar músicas pouco conhecidas do grande público e que recentemente discotecou na festa “Altamente! Samba Rock”. Esse evento teve como um dos organizadores Juninho Ibituruna, músico atuante na cena itabirana, que também é membro do Coletivo Altamente.

“A Casa de Jah começou pegando a ideia do ‘sound system’ jamaicano, que eram os artistas que não tinham condições de colocar as músicas nas rádios e levavam a aparelhagem de som para as ruas e tocavam o som deles lá. A nossa ideia não é apresentar música nova, mas trazer um som que tá aí há 40 anos escondido e ninguém ouve”, conta Mário Brito.

O encontro sábado trará uma mistura de música jamaicana com ritmos africanos, como os que são feitos em Cabo Verde e Angola. Tudo, claro, mesclado com a cultura brasileira. “Brasil, África e Jamaica são lugares que, na década de 50 e até o final da de 70, produziram muita coisa de uma forma muito artesanal e de muita qualidade. Hoje, mesmo com toda essa tecnologia, a gente não vê essa qualidade, que é aquele som ruído, que é de vinil e tirado de três ou quatro canais no máximo. E a gente sente falta disso hoje”, avalia Juninho Ibituruna.

O baterista e DJ, aliás, teve um contato muito próximo com a música africana. Juninho Ibituruna passou uma temporada em Lisboa, Portugal, onde pôde se aproximar mais dessa cultura. O movimento itabirano, inclusive, pega como uma de suas influências o grupo angolano, mas sediado em terras lusitanas, Buraka Som Sistema.

“Eu tive a oportunidade de fazer uma pesquisa sobre a música africana pelo convívio com os africanos em Lisboa. Vai rolar muita música cabo verdiana, angolana, então eu acho que o mais legal disso tudo é que, quem for comparecer a essas manifestações, vai escutar uma música que não teria a oportunidade de escutar naturalmente”, destaca Juninho Ibituruna.

O “baile” de sábado será o primeiro promovido pelo Lado B Pegada Som Sistema, mas a ideia é de que, uma vez por mês, seja realizada alguma intervenção cultural. O local? Nada definido. A cada edição será explorado um novo espaço: praça, rua, casa – habitada ou abandonada –, enfim, onde tiver um ponto de energia dá para aumentar o volume e colocar o corpo para balançar.

Seguindo essa ideia, o grupo pretende levar essa experiência musical para regiões diferentes da cidade e alcançando um público mais diversificado, que fica livre para aproveitar a festa, que é gratuita. “O público é livre. Ele não vai precisar de ingresso, ele pode usar o comércio local pra comprar a sua água, cerveja, refrigerante e tal. Tudo com liberdade porque não tem ninguém fiscalizando se ele tá comprando aqui ou ali, como acontece na mesa de um bar”, ressalta Cebola.

SERVIÇO
Lado B Pegada Som Sistema
Local: Avenida das Rosas, 361, em frente ao mercadinho Pegada e Cia
Data: sábado, 28 de novembro
Horário: 14h
Ingressos: Gratuito

lado b

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