Só agora o Pico do Amor pode se tornar patrimônio oficial da cidade

Marcado na memória do itabirano e eternizado nas palavras de Carlos Drummond de Andrade, o Pico do Amor é mais do que parte da paisagem de Itabira. É peça fundamental da cultura local. Agora, por meio de um requerimento do vereador Antônio Fernandes Gonçalves da Silva “Toninho da Pedreira” (Pros), pode ser reconhecido como patrimônio histórico, cultural e artístico da cidade.

O requerimento já foi aprovado pela Câmara Municipal de Itabira e está no gabinete do prefeito Damon Lázaro de Sena (PV), que tem a tarefa de definir ou não o tombamento desse marco local. A iniciativa, caso aprovada, contribuirá para que parte da identidade da cidade seja preservada pelos meios legais que são garantidos aos espaços tombados.

Esse processo permitirá que políticas mais eficientes sejam adotadas para a preservação de um espaço em que se pode contemplar a cidade, a mineração e o meio ambiente por meio do seu mirante, manifestar a religiosidade ao pé da cruz, ou divulgar as expressões artísticas na Concha Acústica.

E, principalmente, relembrar o principal divulgador cultural do município. Afinal, é na encosta do Pico do Amor que está localizado o Memorial Carlos Drummond de Andrade, que guarda a história e a obra do nosso poeta. E mais, um prédio que reúne a beleza dos versos drummondianos com a desenvoltura da arquitetura de Oscar Niemeyer.

Não à toa o espaço abriga três placas do Museu de Território Caminhos Drummondianos. E nada mais simbólico do que os versos do poema “Ausência”, que, de maneira singela, decretam: “Subir ao Pico do Amor / e lá em cima / sentir presença de amor”. E, talvez, seja verdade que possamos entender esse sentimento ali, próximo às nuvens, ou observando à nossa frente as crateras que já fazem parte da nossa história, ou os horizontes que delimitam Itabira.

E mais do que esse símbolo da busca pelo amor, que o poeta marcou na história, o Pico abriga a maior mensagem de nostalgia a essa nossa terra. É nas linhas da “Confidência do Itabirano” que encontramos a tristeza pela distância do lar. Está lá: “Itabira é apenas uma fotografia na parede / mas como dói”!

Mas essas encostas ainda guardam mais belezas. A junção entre o que de melhor pode ser encontrado na literatura e arquitetura brasileira. Se Oscar presenteou o amigo com os traços para o seu Memorial, Drummond registrou os desenhos do arquiteto em poema – que pode ser lido ali, no Pico do Amor, em uma placa que carrega o “Edifício Esplendor”.

E se nós, hoje, somos tão carentes de certo Cauê, temos um topo que ainda se mantém de pé. Persistente é mais do que Amor – é um guardião de Itabira, das suas histórias e cultura. Talvez isso seja suficiente para que, daqui em diante, seja abraçado por uma política consistente e recorrente de preservação.

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