Rapper itabirano, Bônus, lança seu primeiro clipe solo e fala um pouquinho de seu caminho na música

Há algo de muito comum entre os artistas, de uma forma geral: a influencia familiar é um fator predominante para que eles se descubram agentes culturais. Com Filipe Vinicius de Melo Pinto, mais conhecido como Bônus, não foi diferente. “Desde pequeno tive contato com a música. Meu avô tocava em marujadas. Ele também confeccionava tambores e gostava muito de tocar sanfona. Quando criança, ganhei de presente um acordeon infantil e dei os primeiros passos em direção à instrumentalização”, relembra. Bônus foi apresentado a diversos instrumentos, mas aos 12 anos viu o interesse pelo violão crescer, se aprofundou nos estudos e, aos 16 anos, descobriu que o baixo seria seu principal instrumento musical.

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Nascido e criado em Itabira, Bônus conta que ainda na adolescência, por meio da banda Venal, conseguiu organizar toda a informação musical que já tinha absorvido, durante todos esses anos de descobertas, e conseguindo se desenvolver como músico. “Acho que ali foi onde tudo começou a tomar forma com o nível de seriedade que encaro hoje. Era um espaço de desenvolvimento e crescimento. Quando me convidaram para somar no projeto deixaram claro que precisavam de gente disposta a trabalhar. Esse pensamento, de certa forma, me guia até hoje”, explica.

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Esse comprometimento exigido pela banda gerou nos integrantes um sentimento de urgência. “Temos pouco tempo a perder e pouquíssimas oportunidades a conquistar, então devemos correr atrás de todas as formas possíveis. Pensando assim, conquistamos algumas coisas na região e em um tempo relativamente pequeno. Adquirimos uma certa expressão no cenário local, o que possibilitou contato com o mundo da música de verdade. Assim, tivemos contato com algumas produções de eventos e entendemos como funciona o cenário da música”, conta.

RAP

Mesmo com uma carreira promissora pela frente, a Venal teve que se desfazer. Um período em que Bônus precisou se reencontrar como artista. “Pós término da banda fiquei meio sem direcionamento sobre o que fazer para conseguir continuar criando. Daí o rap me surgiu prontamente como essa opção por ser um espaço em que você não precisa ser o melhor músico, nem o melhor letrista, só conseguir passar suas emoções através de algo que, muitas vezes, ganha pelo simples”.

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O rap não era algo novo para o artista, já fazia parte da sua vida desde criança. “Assim como o funk, pude vivenciar esses estilos de diversas formas na rotina do bairro onde eu sempre morei em Itabira. Sempre tinha alguém ouvindo Racionais MC, por exemplo. Eu ouvia bastante rock, mas quando ouvi o disco do Sabotage pela primeira vez, me surpreendi. A levada diferente do habitual me chamou atenção pra algo que eu não tinha notado ainda: ele, diferente de muitos artistas da época, explorava sua musicalidade através de uma lírica mais aguçada, não pelo canto lírico das igrejas em melodias carregadas de tradicionalismo. A partir daí fui conhecendo mais do rap nacional da velha escola, como Underground CIA (de Itabira), Emicida, Pentágono, Rael”, detalha.

Mas nem tudo foram flores nessa transição de estilos. A dificuldade de compor melodias foi um grande determinante para que ele se sentisse ainda mais abraçado pelo estilo. Assim veio a ideia de convidar o Alex CLD para tentar fazer algum projeto. “Nos juntamos, escolhemos uma batida e fizemos nosso primeiro som. Cada um na sua, mas na mesma música, fomos lapidando. Surgia assim o Província da Mente. Hoje, prezamos por dar uma unidade a cada música de forma a fazer daquilo um momento único pra quem ouve”.

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Carreira solo

A carreira solo veio como um passo natural dessa estrada. Bônus deixa claro que tenta separar bem as coisas dos dois projetos. “Apesar de falar das mesmas temáticas em ambos, as abordagens são diferentes. Tenho me aventurado no solo e buscado trazer uma sonoridade mais “punch” e bem eletrônica pro meu som, que se aproxima um pouco das agitações do rock… um caminho que eu sempre curti”. Isso inclui todo o processo criativo do rapper. “Uma das coisas mais interessantes pra mim é a música conseguir se conduzir sozinha. Todas música do meu EP (que está quase pronto!) foram feitas de uma vez só. Ouço a batida e a melodia e parte da letra já sai instantaneamente, como uma empolgação.”

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Bônus acredita que isso é transmitido pra quem está ouvindo. Os temas giram entorno da realidade e do sofrimento do dia-a-dia, mas sem esquecer de exaltar as vitórias conquistadas e, principalmente, as que ainda estão por vir. Ele busca passar ideias positivas, sejam elas pra um momento de curtição; uma reflexão ou uma crítica à algo que, na sua concepção, estiver errado.

Produção autoral

No último domingo, 17 de março, Bônus lançou em seu canal no Youtube o clipe da música “Gol G3 2000”. “É o primeiro que produzi solo, em parceria com o selo independente WATS Records, que está sendo montado em Itabira. A ideia foi fazer algo que não precisasse de uma produção imensa ou tempo demais e que combinasse com a música e comigo. Daí a ideia do trocadilho do carro (gol) aparecendo no clipe.

Para o artista, apesar do pouco fomento em relação a arte, Itabira é  uma cidade que tem uma cultura muito rica. “Acredito que todo mundo bebe da mesma influência: clássicos como Drummond e Newton não passam batidos na percepção que tenho sobre as coisas. Mas a ideia do novo e do ser independente me faz buscar referências inovadoras, me desprendendo um pouco das coisas empoeiradas. Assim, em Itabira, vejo na produção da banda Postura, uma grande inspiração.

Sobre produção autoral, Bônus é taxativo: “se não tiver músicos autorais, não existe banda cover. O cover é um trabalho muito digno e muito mais rentável que a música autoral, mas o fato de poder dizer o que quiser e pra todo mundo, coisa que hoje tem sido cada vez mais repreendido, me faz querer seguir nessa luta. Acredito que devemos nos portar de forma a sermos porta-vozes das nossas verdades”, conclui.

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Para 2019, Bônus tem como meta ir lançando, a cada mês, um novo single. Paralelamente, deseja finalizar e lançar seu EP. “A partir daí, pode ser que venha a pensar em mais um EP ou até mesmo, quem sabe, um álbum.  Mas, por enquanto estou focado nesses projetos”, conclui.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras