“POENTE e Outras Paisagens”, de Maíra Baldaia, aparece em lista de álbuns que propõe discussões sociais

O site “Um Capuccino” elaborou uma lista apontando os álbuns de cantoras brasileiras que levaram para os seus trabalhos discussões importantes como diversidade sexual, de gênero, combate ao racismo, dentre outras pautas sociais. A seleção aponta uma tendência em usar a arte não apenas como forma de expressão, mas também como manifesto para transformações em nossa sociedade.

A cantora itabirana Maíra Baldaia figura nessa lista. O seu álbum de estreia “POENTE e Outras Paisagens”, que foi lançado oficialmente no último domingo, 18 de dezembro, em show realizado na Casa do Baile, em Belo Horizonte, foi destacado por celebrar a força da mulher negra, um tema recorrente nos trabalhos de Baldaia.

Confira na íntegra a lista montada pela reportagem do site “Um Capuccino”:

Larissa Luz

A cantora baiana (na foto que ilustra essa matéria) já teve passagem pelo Ara Ketu, mas está longe de seguir as características do que entendemos como axé music. Seu “Território Conquistado” é o disco mais empoderado do ano, com músicas que falam sobre o poder da mulher em diferente óticas – especialmente em relação ao próprio corpo. Estou curiosíssima para vê-la no palco.

Manela Rodrigues

Outra baiana que matou a pau este ano. Seu disco passa por várias linguagens e fala de uma mulher contemporânea, aberta às novidades do mundo. Em “Ventre”, ela trata da maternidade de uma maneira lírica e de lá tira o verso que dá nome ao disco: “Se a canção mudasse tudo”.

Aíla

“Em Cada Verso um Contra-Ataque” mostra uma Aíla diferente do debute em “Trelelê”. Suas raízes paraenses permanecem, mas aqui estão muitas outras referências, que ganham unidade com a ajuda do ótimo produtor Lucas Santtana. Tem música sobre racismo dada por Chico César, sobre assédio na autoral “#Nãovoumecalar”, e sobre diversidade sexual em “Lesbigay”, uma parceria de Aíla com Dona Onete, a rainha do carimbó.

Bruna Caram

Acompanho a carreira de Bruna Caram há dez anos e sempre achei sua música muito fofa. Mas em “Multialma”, seu primeiro álbum autoral, ela mostra que deixou de ser menina e está cheia de atitude. Tanto é que a música “Vou pra Rua”, em que fala sobre como as mulheres são donas de seus próprios corpos, bombou nas redes sociais. Ah! Em janeiro poderemos vê-la como atriz na série “Dois Irmãos” (Globo).

Céu

“Tropix” é, provavelmente, o grande disco brasileiro de 2016 e deve encabeçar muitas listas de melhores do ano. Céu, que já tinha impressionado nos discos anteriores, aqui deixa de lado o reggae como referência maior para mergulhar em beats e recursos eletrônicos. Aqui não um claro discurso empoderado, mas não deixa de ter a revelação de uma mulher forte: “E o mundo a meu favor/ Para me despir/ E ser quem eu sou”, ela canta em “Perfume do Invisível”.

Ellen Oléria

No 100% autoral “Afrofuturista”, Ellen Oléria reforça ainda mais as suas raízes negras. Vários ritmos de origem africana estão presentes no álbum, mas com uma roupagem bem contemporânea, contando com sintetizadores e música eletrônica. Uma mulher que vai muito além de qualquer estigma que e vitória do “The Voice Brasil” poderia ter deixado.

Julia Bosco

Julia Bosco faz questão de se mostrar empoderada em “Dance com o Inimigo” até mesmo nas fotos – ela, uma mulher cheia de curvas, exibe sua beleza em roupas supercoladas. Aqui estão letras que mostram uma mulher que sabe o que quer.  “Talvez posso até te assustar/ E devo então me arrepender/ Mas eu vou já te confessar/ Eu tô faminta por você”, canta em “Tanguloso”.

Tássia Reis

“Me julgam por onde eu vou /É, por onde eu vou/ Mas eu não ligo” são alguns dos versos presentes em “Não É Proibido”, uma das faixas de “Outra Esfera”, o primeiro álbum cheio da rapper Tássia Reis. A garota tem bombado tanto na internet que foi garota-propaganda da Avon em uma campanha superbacana que reuniu também Karol Conká e Liniker. Rap cheio de atitude e feminilidade.

Fernanda Abreu

Particularmente, eu não gostei muito de “Amor Geral”, o primeiro disco de inéditas de Fernanda Abreu em muitos anos. Mas curti a atitude da cantora. Quando a entrevistei este ano, ela me falou sobre como todo o álbum trata, de alguma maneira, sobre a importância do amor e o respeito às diferenças. A música de trabalho “Outro Sim” é um marco neste disco. O refrão chiclete com a frase “querendo dá” diz muito sobre a liberdade das mulheres de terem a vida sexual que bem desejarem.

Maíra Baldaia

Em seu primeiro álbum, o recém-lançado “Poente e Outras Paisagens”, a cantora e poeta entoa a força da mulher negra. Isso fica ainda mais evidente em “Insubmissa”: “soou a voz, insubmissa, voz insubmissa negra voz! /É o oque o sistema quebra quando a gente se ama / Opção, opção da não repetição”. Um disco muito bonito e bem arranjado de Belo Horizonte que vale a pena todo mundo conferir.

Monique Kessous

Todo mundo adora o eu feminino presente nas músicas de Chico Buarque, né? Pois Monique Kessous criou um “eu masculino” em seu “Dentro de Mim Cabe o Mundo” de uma maneira bem inusitada. Em “Meu Papo É Reto” (que contou com participação de Ney Matogrosso), ela fala sobre um personagem gay que está flertando com outro rapaz. Como a paquera se dá entre homens, o papo é reto, direto, “acho que vou te dar um beijo depois eu vejo”. A música que fala abertamente de um amor homossexual é um dos pontos da contemporaneidade que Monique fez questão de levar para o seu disco.

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