Pintora surrealista volta a ser descobra na Espanha

Pode soar estanho aos conhecidos de arte, mas entre os pintores surrealistas mais conhecidos da história não consta o nome de Maruja Mallo, uma das principais expoentes desse estilo. O talento dela se equipara ao de André Breton e Salvador Dali, mas ela foi mantida no anonimato simplesmente por ser uma surrealista mulher.

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Nascida em 1902 na região da Galícia, na Espanha, batizada Ana Maria Gómez González Mallo, Maruja viu seu trabalho ser celebrado pela originalidade e a qualidade com que ajudou a formar a reconhecida vanguarda espanhola nos anos 1920. Amiga íntima de Dali, fundou junto com ele a chamada “Geração de 27”, um grupo de artistas que tinha ainda nomes como o cineasta Luis Buñuel. Acontece que Maruja era uma das pouquíssimas mulheres da vanguarda espanhola, e mais do que fazer parte do grupo, ela se destacava com trabalhos celebrados pela crítica. Na época, ficou conhecida como “a pintora de quatorze almas”, pela profundidade de suas obras.

Mesmo sendo muito próxima de Breton e Dali, pintores que acreditavam que o talento era uma prerrogativa exclusiva dos homens, Maruja viu seus quadros enfeirem as casas desses mesmos artistas. Mas, aos poucos, ela foi sendo esquecida. Depois de seu exílio na Argentina, graças à Guerra Civil Espanhola, em 1936, seus pares surrealistas passaram a boicotar seu trabalho e o reconhecimento de sua participação no movimento, excluindo o nome de Maruja Mallo do legado surrealista.

Isso em nada diminui seu talento! Como é comum do estilo surrealistas, sua obra é cheia de exuberância e a provocação, características que também descreviam a personalidade de Maruja. Isso fez com que, durante seu exílio, rapidamente ela se tornou uma pessoa celebrada e participativa na vida cultural de Buenos Aires. Maruja se renovou e fez novos e influentes amigos, entre eles Andy Warhol. Ela também viu seu trabalho abandonar a temática surrealista e abraçar o corpo feminino, as temáticas oceânicas e até mesmo a mitologia feminina.

Na Europa, ela era lembrada apenas como uma “musa”, que namorou diversos nomes importantes da cena da época, mas relevância própria ou profissional. Quando voltou para à Espanha, em 1962, a realidade artística era outra: sua geração havia “passado”, a imprensa espanhola ou não a conhecia ou não a compreendia, e seu comportamento exótico deixou de estampar os textos da crítica ou as revistas de arte.

Maruja Mallo morreu em 1995, em Madri, aos 93 anos. E agora, graças ao movimento feminista, volteou a ser uma artistas pesquisada e estudada. Tardiamente, Maruja voltou a reinar com uma forte referência do primeiro momento das vanguardas espanholas e do movimento surrealista.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras