Para “Temperar” as caixas de som e os fones de ouvido

O cenário independente e underground costuma guardar boas surpresas para quem gosta de música. É um balaio de onde se pode tirar músicos talentosos das mais diversas vertentes artístico-culturais. O grupo Dom Pescoço, que integrou a programação do 42º Festival de Inverno de Itabira, é um exemplo desses artistas multifacetados e que contribuem de maneira determinante para a diversidade criativa no cenário musical brasileiro.

Baseada na paulista São José dos Campos, a banda Dom Pescoço lançou nesta segunda-feira, 08 de agosto, o seu primeiro registro sonoro, o EP “Temperar”, que bebe das mais diversas fontes de inspiração para criar uma sonoridade dançante e empolgante. Uma pluralidade artística que é típica e necessária ao cancioneiro nacional, que extrai das misturas sonoras a força necessária para se criar um universo musical único.

“Neste trabalho a banda ‘tempera’ melodia e letra em arranjos carregados de experimentações e junções rítmicas vindas de todo o canto. Novas visões de mundo. Tudo no intento de dar mais cor, mais vida, mais luz a um caminho já tão marcado como é o musical. Além disso, quisemos trazer um pouco da nossa vibe alto astral de palco para dentro do disco. Temperar é cheio de energia e dará nome e tom às nossas próximas apresentações”, afirma o baixista Dom de Oliveira.

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Gravado e mixado por Diego Xavier no estúdio Wasabi, em São José dos Campos, o EP “Temperar” foi conceitualizado e produzido pela Dom Pescoço, que é composto por Rafael Pessoto na guitarra e voz, Luiz Felipe Passarinho na bateria e voz, Gabriel Sielawa no cavaquinho, guitarra e voz e Dom de Oliveira no contrabaixo. O trabalho está sendo lançado em parceria com o selo Bigorna Discos.

Ao todo, o EP conta com cinco canções e cada uma delas conta com uma identidade própria que favorece ao conceito de produção eclética e diversificada que norteia esse trabalho. “Não Vou Mais”, que abre o álbum, é um reggae com pegadas de dub; a faixa-título, “Temperar”, conta com uma mistura de funk norte-americano com elementos dos ritmos nordestinos; “Não Quem” é um inusitado samba-hardcore; “Tupinambáfrica” se utiliza do manguebeat para tratar de temáticas indígenas; e, por fim, a reflexiva “Manhã” bebe na disco music.

“Tudo foi muito natural e nada planejado, desde 2014 foi acontecendo conforme fomos tocando juntos. Todos os integrantes ouvem de tudo em relação a ritmos, canções, vertentes e movimentos musicais. Claro que a cozinha da banda tem uma interação forte e acaba ditando um pouco mais a vibe rítmica das músicas, principalmente o Luiz Felipe, baterista, pois ele tem facilidade e pertence a uma escola brasileira musical [manguebeat]muito influente em seu trabalho. As guitarras cheias de efeito trazem naturalmente a psicodelia que tanto falamos”, analisa Dom de Oliveira.

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Diante de todo esse universo de influências e da construção artística plural e abrangente, os integrantes da Dom Pescoço, quando questionados sobre como definem o seu trabalho, são categóricos: “mistura tropical com psicodelia”. Mas para dar um sabor especial – que, a exemplo do EP “Temperar”, parece ser uma especialidade do grupo – lançam mão de um neologismo para se auto-rotular: tropsicodelia.

“Criar um rótulo novo, algo que trouxesse o entendimento das pessoas para mais perto nos incentivou a criar um neologismo: a tropsicodelia. Neste novo rótulo conseguimos definir – ou complicar (risos) – o tipo de som que fazemos. No entanto, a graça foi abrir a percepção musical do que é ou não é. É tudo plural e misturado. Poderíamos dizer que é apenas música brasileira, mas está aberto para a imaginação das pessoas criar. Tropsicodelia é, então, esta pluralidade do som que fazemos”, explica Dom de Oliveira.

Mesmo com toda essa capacidade criativa, a Dom Pescoço enfrenta os desafios tradicionais das bandas do cenário independente e underground: poucas oportunidades de mostrar o seu som. Por isso consideram que é importante investir na qualidade das suas produções para que possam se destacar – um caminho que, como mostra “Temperar”, é natural para o grupo de São José dos Campos.

“Se destacar é uma constante preocupação. O desafio é manter a continuidade do trabalho com um bom nível de criatividade, ânimo e renovação. Fazer toda a produção musical e de shows, ser músico, construir parcerias diversas e focar na banda como uma empresa. São desafios parecidos, pelo ponto de vista comercial, com os de quaisquer empresários. Como mercado é manter-se no negócio. Como músico e artista, sempre se renovar”, observa Dom de Oliveira.

Escute na íntegra o EP “Temperar” da banda Dom Pescoço

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