Pablo Lanzoni aposta em letras poéticas e atmosfera elegante no álbum “valentia tempo voz”

Segundo disco da carreira do artista gaúcho, produzido por Dany López, mescla sonoridade acústica com influências do jazz e alguma acidez

São Paulo, novembro de 2020 – Pablo Lanzoni lança valentia tempo voz, obra poética que marca a nova fase do festejado cantor e compositor gaúcho. O segundo álbum de sua carreira foi produzido por Dany López, mixado por Leo Bracht e traz uma elegante mescla de sonoridade acústica com influências do jazz, resultando em um trabalho denso e consistente.

“Sinto-me muito conectado com este projeto. Cada som, cada sílaba, cada toque, cada respiração, foram pensadas e cuidadosamente registradas através do feliz encontro entre pessoas que admiro demais. O gesto embrionário do álbum, o primeiro destes encontros, está no trio A Ponte (Dado Silveira, Fernando Spillari e Gabriel Nunes), amigos queridos com os quais experimentei muitas coisas para encontrar os caminhos deste repertório. Além dos fabulosos convidados, soma-se a este ‘quarteto’, o craque Dany López, de quem sou fã de longa data: músico e produtor de uma generosidade comovente, que junto ao estupendo engenheiro de som Leo Bracht, trabalhou arduamente para que as sonoridades do disco dessem vazão a todas as nossas intenções”, conta Pablo Lanzoni.

São nove faixas, entre elas “valentia tempo voz”, single que dá nome ao álbum e foi lançado em outubro com clipe assinado por Vitória Proença. “Armação”, canção que abre o disco, tem participação de Zeca Baleiro e também já foi apresentada para o público, no começo de novembro. As duas músicas dão uma boa prévia do que vem por aí.

“É um disco corajoso e que assume riscos: na música, na poesia, na voz e nos arranjos. Pablo, com sua voz, seu violão, suas composições, constrói uma linda equipe de trabalho com o trio ‘A Ponte’, ponto de partida dos arranjos, e convidados, e convida-me para conduzir o leme do navio com ele. A estrela guia do projeto são as canções, a tripulação de artistas, o barco ‘estúdio transcendental’ e o chefe das máquinas, Leo Bracht. Juntos, acredito que conseguimos levar o barco ao seu destino. Resulta disso canções que se unem por um fio condutor, um sussurro que é o próprio vento a empurrar a vela de valentia tempo voz”, descreve o produtor Dany López.

“Não cabe mais nada além de dizer que este é um álbum deste tempo: um tempo de valentia, um tempo que busca entender o próprio tempo, um tempo para a voz, um tempo urgente de novos encontros”, finaliza Lanzoni.

Ouça “valentia tempo voz”:

Faixa a faixa:

01. Armação

Armação é uma canção que nasce de um post na página de poesia de Carlos Patrício: “a tua arma desalmada dispara, e a minha alma desarmada diz: para. Para com a violência, para com a intransigência, para com a discriminação”. Sobre este mote, construí-se o tema, amparado em acordes abertos do violão de Pablo Lanzoni e no peso particular do trio A Ponte. A acidez necessária à temática foi lançada na medida pela produção Dany López e Léo Bracht e a participação especialíssima e assertiva de Zeca Baleiro.

Pablo Lanzoni: voz, violão e programações
Zeca Baleiro: voz
Dany López: teclados, programações e produção
Leo Bracht: programações e produção
Fernando Spillari: teclados
Gabriel Nunes: contrabaixo elétrico
Dado Silveira: bateria

02. Em Movimento

Parceria entre Dany López e Pablo Lanzoni, a canção pertence ao lado mais pop do álbum. É, como o título sugere, uma música do movimento – rítmico e poético – e que aponta para os deslocamentos do projeto: é de Porto Alegre que se parte para tempo-espaço de valentia, de tempo e de voz no qual o álbum se insere. A canção versa sobre movimentos afetivos e das cidades, e da redenção do encontro.

Pablo Lanzoni: voz e violão
Dany López: teclados e sintetizadores
Fernando Spillari: teclados
Nicolás Ibarburu: guitarra
Gabriel Nunes: contrabaixo elétrico
Dado Silveira: bateria

03. Manancial

Está dentre os temas intimistas do álbum. A canção invoca paisagens através da voz de Pablo Lanzoni, mesclada à forte guitarra de Zé Ramos, ao harmônio de Roger Scarton, aos timbres de A Ponte Trio e Dany López, e, à incrível voz de Paola Kirst, que costura e ilumina os versos poéticos da melodia. A música remete à sonoridade da música folk e retoma nuances de saudade e dos encontros presentes primeiro álbum do artista.

Pablo Lanzoni: voz e violão
Paola Kirst: voz
Roger Scarton: harmônio
Dany López: teclados e glockenspiel
Fernando Spillari: teclados
Zé Ramos: guitarra
Gabriel Nunes: contrabaixo acústico
Dado Silveira: bateria

04. Buena Onda

‘Buena onda’ é uma expressão muito ouvida por Pablo Lanzoni em suas incursões por Montevidéu, quando da gravação de Poa_Mvd (2017). Referência a esta atmosfera e a seus amigos de lá, o tema foi construído como se alguém corresse livremente por um grande gramado, sorrindo e descalço – como diz o texto. O violão de Pablo Lanzoni, acompanhado das sonoridades de A Ponte Trio e do acordeão de Ricardo Taufer, conduz as melodias e busca alcançar este estado de ‘buena onda’, em diálogo com a poética da canção. A isto somam-se a guitarra e a voz, ora recitativa ora melódica de Dany López, que amplificam os estados da canção.

Pablo Lanzoni: voz e violão
Dany López: voz, guitarra e teclado
Ricardo Taufer: acordeon
Fernando Spillari: teclados
Gabriel Nunes: contrabaixo acústico
Dado Silveira: bateria

05. Imensidão

Parceria entre Pablo Lanzoni e Mário Falcão, a música combina as sonoridades do violão e da voz de Pablo Lanzoni, dos timbres de A Ponte, das teclas de Dany López e da guitarra do uruguaio Nico Ibarburu. Mário Falcão comenta que “nossa nova parceria, Imensidão, chega como um manifesto para valorizar o cuidado com as matas, os rios, o meio ambiente e as culturas das comunidades tradicionais, que estão sendo pressionadas pela expansão das mega plantações de transgênicos (e seu combo de venenos), pela mineração e toda sorte de depredação ou ocupação destrutiva”.

Pablo Lanzoni: voz e violão
Dany López: teclados
Fernando Spillari: teclados
Nicolás Ibarburu: guitarra
Gabriel Nunes: contrabaixo acústico
Dado Silveira: bateria

06. Manhã de Sol

Manhã de sol invoca duas das referências da música de Pablo Lanzoni: as obras de Vitor Ramil e Alexandre Vieira. Sobre a primeira, há uma aproximação latente que se faz sentir para além das sonoridades, movimentos harmônicos e da poética de paisagens que se apresentam na canção: Ramil é citado no texto, como que embalando a reflexividade que da canção emerge: “manhã de som pra quem cantou Ramil a noite inteira sob o céu”. A segunda referência, e não menos importante, pode ser ouvida: a guitarra de Alexandre Vieira que produz camadas sobre as sonoridades ali colocadas. Grande parceiro de Pablo Lanzoni dos últimos anos, Vieira fez ali sua última gravação, poucos dias antes de, precocemente, nos deixar. O álbum é dedicado a ele.

Pablo Lanzoni: voz e violão
Dany López: teclados e sintetizadores
Fernando Spillari: teclados
Alexandre Vieira: guitarra
Gabriel Nunes: contrabaixo acústico
Dado Silveira: bateria

07. Fruta da Estação

É uma canção dedicada ao filho de Pablo Lanzoni: Artur, que faz uma participação especialíssima na parte final da gravação. É neste tema que as sonoridades do trio A Ponte são trazidas à boca de cena do arranjo, junto ao violão de Pablo. Sobre elas, são adicionados poucos elementos – as teclas de Dany López -, na tentativa de se valorizar as minúcias intimistas de um cantar bastante emotivo.

Pablo Lanzoni: voz e violão
Dany López: teclados
Fernando Spillari: teclados
Gabriel Nunes: contrabaixo acústico
Dado Silveira: bateria
participação especialíssima: Artur Pereira Lanzoni

08. Rota de Navegação

É outra parceria com o músico e poeta Carlos Patrício. O tema versa sobre as idas e vindas ao desconhecido tendo o mar como caminho. O contrabaixo acústico que perpassa a canção inicia com um gesto que remete ao balanço de uma embarcação e ecoa em toda a travessia em diálogo com as notas intermitentes do piano. Os violões que vão chegando reforçam o texto forte do refrão: ‘Nada será vão, nada será vão’. Para Carlos Patrício: “a canção surge da ideia de expressar, através de metáforas, a travessia do mar da vida… ao concluir a letra percebemos que havíamos feito também a transcrição da viagem feita por refugiados, que se lançam ao mar em condições precárias, em busca de uma nova terra que lhes ofereça expectativas de paz e melhores condições”.

Pablo Lanzoni: voz e violão
Dany López: teclados
Fernando Spillari: teclados
Nicolás Ibarburu: guitarra
Gabriel Nunes: contrabaixo acústico
Dado Silveira: bateria

09. valentia tempo voz

valentia tempo voz é uma canção construída a partir de sons de aplicativos de celular, num processo muito peculiar dentro do novo álbum. Riffs, bases, colagens rítmicas e outros elementos foram se costurando e somente na sala de gravação os instrumentos acústicos foram a eles combinados. Sobre a atmosfera estabelecida, a melodia divide espaço com a mastigação de palavras ou rap, como diz Richard Serraria, que além de coautor, também participa da canção. A voz da Paola Kirst, que se soma a tudo isso, parece ter permeado a escrita e conduzido o texto. Ela consegue dar a expressividade necessária à música. valentia tempo voz é um tema deste tempo, para este tempo e sobre este tempo: da voz que se precisa; da valentia da qual precisamos para este tempo e dá nome ao álbum.

Pablo Lanzoni: voz, violão e programações
Paola Kirst: voz
Richard Serraria: voz
Dany López: teclados e programações
Gabriel Nunes: contrabaixo acústico
Dado Silveira: bateria

Ficha técnica

Produção: Dany López
Mixagem: Leo Bracht
Masterização: Felipe Tichauer
Projeto Gráfico: Vitória Proença

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