Os versos do itabirano Pedro Macieira no Festival de Inverno de João Monlevade

O 1º Festival de Inverno de João Monlevade, que começa no dia 18 de junho, está recheado de artistas itabiranos. Depois de anunciar a participação de Igor Venal & O Chiqueiro Elétrico, o Coletivo 7Faces, organizador do evento, divulgou que os versos do escritor Pedro Macieira também farão parte da programação. O poeta está escalado para participar de um Sarau Literário, no dia 24 de junho, e um Café Literário, no dia 01 de julho.

13336012_1750470915228347_7746855468651340665_nO Coletivo 7Faces, nesse primeiro Festival de Inverno, tem priorizado os artistas da cena independente em sua programação. Para Pedro Macieira, essa iniciativa permite que as pessoas envolvidas na produção cultural possam divulgar o seu trabalho para outros públicos e, assim, contribuir para a difusão e diversificação das manifestações artísticas. Uma experiência enriquecedora tanto para o público quanto para o artista.

“É uma grande oportunidade de sair de um nicho em que eu já circulo há algum tempo e atingir um público que nunca nem ouviu falar de mim. É extremamente gratificante pra mim enquanto escritor jovem ter essa chance de buscar um espaço em uma grande iniciativa do Coletivo 7Faces de promover cultura independente na região”, avalia Pedro Macieira.

Com influências que vão da literatura à música, o itabirano começou a escrever como forma de expressar e lidar com os seus sentimentos até então mal resolvidos. Desde 2014, por influência de amigos, Pedro Macieira mantém o blog “Mal Secreto” em que divulga e compartilha o seu trabalho como escritor.

“Tenho [Carlos] Drummond [de Andrade]como uma grande referência pelo contexto que sua obra possui com a cidade e com minha vida de itabirano. Também gosto bastante de escritores como Alvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Pablo Neruda e Allen Ginsberg. No entanto, músicos como Ian Curtis, Kurt Cobain, Billy Corgan e Jair Naves representam grande parte da forma em que eu me vejo no mundo e consequentemente a forma que eu vejo arte”, explica Pedro Macieira.

A sua escrita parte da observação e da sua percepção do mundo e da sociedade moderna. Além disso, são nas experiências e relacionamentos pessoais e nos dilemas existenciais que encontra inspiração para construir os seus versos. Mas o gatilho para escrever também pode vir da própria arte, como uma música, um filme ou obra literária – são as próprias manifestações artísticas alimentando o desenvolvimento cultural.

O cenário independente exerce grande influência na obra e trajetória de Pedro Macieira. É no trabalho de coletivos undergrounds que o jovem escritor de 24 anos encontra estímulo para continuar se dedicando à poesia. Ele, inclusive, é colaborador do coletivo itabirano Filhos de um Poeta e Morto e ainda destaca o coletivo Geração Perdida, de Belo Horizonte.

“Percebo que minha geração sofre muito com as pressões da vida moderna. Estamos tão prontos pra enfrentar vestibulares, concursos e ambientes de trabalho que esquecemos como lidar com os sentimentos simples como amor e raiva. Somos pequenas vítimas do mundo, vivendo angustiados pelo medo de não ser grande. Quando eu escrevo eu lido com os meus medos, manifestando, como diria uma velha música do Ludovic, ‘um repertório infindável de dolorosas piadas’”, destaca Pedro Macieira.

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Quem também participará do Festival de Inverno de João Monlevade é a banda Spoiler. Formada por Fernando Rocha (voz), Elvis Oliveira (guitarra), Taciano Souza (bateria) e Tiago Labiapari (contrabaixo), o grupo aposta no rock and roll para fazer a sua música. Em janeiro de 2016, a Spoiler lançou o seu primeiro EP “Alvos Constantes” que está disponível para audição no site BandCamp.

O evento

Promovido pelo Coletivo 7faces, o 1º Festival de Inverno de João Monlevade tem como tema “Santo de Casa Faz Milagres” e busca valorizar e divulgar os artistas locais e da região. A programação terá apresentações musicais, intervenções artísticas, oficinas, saraus, dança, teatro, artesanato, gastronomia e literatura. O evento acontece de 18 de junho a 02 de julho.

Outras informações pelo blog do Festival ou pela fanpage no Facebook.

Leia o poema “Entre um Corvo e um Lobo”, de Pedro Macieira

Eu vivo entre um corvo e um lobo
Habito esse corpo já gasto
Padecendo ao tempo
Abalado por um estomago fraco
E por um coração machucado

Eu vivo entre um corvo e um lobo
Que gritam o tempo todo
Me dizendo que eu sou fraco
Que eu não aguento essa vida
Esse percurso errático

Eu vivo entre um corvo e um lobo
Mas me visto todo dia de vencedor
Fingindo que eu não estou perdido
Bem longe de onde eu queria estar
Eu sou só barulho e solidão

Eu vivo entre um corvo e um lobo
Que me agridem sem parar
Mas mesmo assim me dói a desaprovação
Só sou um homem no seu limite
E não preciso pedir seu perdão

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