Os cabelos crespos e cacheados voltam a ocupar o Belacamp

As madeixas resolveram sair de vez do armário e ganhar Itabira. Os cabelos crespos e cacheados, e toda a sua diversidade de penteados, têm sido personagens centrais de um movimento de inclusão e divulgação da cultura negra em diversas cidades pelo Brasil. Em Itabira, o “Cabelos Crespos e Cacheados – 2º Encontro Itabirano” acontece no domingo, 6 de dezembro, das 10h às 18h, no parque Belacamp, no Bairro Campestre.

O evento, que está em sua segunda edição, promove uma discussão quanto aos padrões de beleza atuais, que relegam os crespos e cacheados para ressaltar os cabelos “domados” e lisos. O encontro é uma forma de promover o reconhecimento e a valorização das tradições afro por meio de elementos intrínsecos a essa cultura.

As questões estéticas sempre estarão presentes em um evento desse tipo, mas as reflexões geradas por esses movimentos vão além de se discutir beleza e passam por temas como autoaceitação, reconhecimento cultural e a busca por uma identidade própria. Além, é claro, de promover a diversidade em todos os aspectos sociais.

“Todo evento tem sua importância pra cidade, pras pessoas, pra economia, para o desenvolvimento. O Encontro ajuda a engrossar o caldo da cultura, a partir do momento que ele funciona como uma feira onde temos artesanato, alimentação, moda, música, capoeira, dança, literatura, fotografia etc. É… talvez devesse ser chamado de Feira… O mais importante deste tipo de evento é aumentar a autoestima da população. Quando você vê gente feliz, sorrindo, olhando o próprio espelho com gosto e alegria, aí o evento já valeu, já cumpriu sua principal finalidade”, afirma Cléber Camargo, um dos organizadores do evento.

A realização da segunda edição do encontro, cerca de três meses depois da primeira edição, demonstra a importância e o interesse das pessoas em refletir sobre esses temas. A ideia é que o evento –promovido pelo Grupo 4º Plano de Cultura – aconteça quatro vezes ao ano. “O Encontro é um projeto para quatro etapas anuais. Pretendemos realizar uma edição a cada estação. As datas serão definidas, de acordo com outras atividades que desenvolvemos, sem rigidez até o anúncio oficial”, explica Cléber Camargo.

O Belacamp, no domingo, irá abrigar um desfile de sorrisos e cabelos, que podem ganhar um pouco mais de estilo por meio das oficinas de turbantes, penteados, tranças, maquiagem para pele negra e cortes de cabelo. A programação ainda inclui barraquinhas com comidas, bebidas e artesanatos.

Apresentações musicais – como a que será realizada pelos Meninos de Minas –, piquenique fotográfico, sorteio de brindes e exposição e demonstração de produtos, são outras ações agendadas para o evento. Além disso, o “Cabelos Crespos e Cacheados – 2º Encontro Itabirano” trará novidades em relação à primeira edição: será promovido um desfile afro e uma programação especial voltada para as crianças, que está sendo chamada de “O Encontrinho”.

“Esperamos repetir a emoção do primeiro encontro. Estamos atentos às sugestões, críticas e novidades que acontecem neste tipo de evento para aprimorar o nosso. Faremos um espaço para os pequenos com o Encontrinho – um espaço voltado para os pequeninos que, desde cedo, assumem sua identidade. Acreditamos e trabalhamos para tornar este evento um evento que fique na agenda dos itabiranos. Estamos plantando sementes, desde sempre”, avalia Cléber Camargo.

Além de promover a diversidade cultural do município, o “Cabelos Crespos e Cacheados” também trabalha a autoestima das pessoas e a quebra de padrões de beleza que se tornam excludentes. A alegria, aliada ao respeito, é um dos meios de se construir uma sociedade melhor e igualitária. “Tudo que envolver cultura ajuda na melhoria na saúde, no desenvolvimento econômico e social e até na segurança. Há muita coisa bacana acontecendo em várias cidades, desde sempre. É preciso tirá-las da invisibilidade ou, pelo menos, olhar com melhores olhos um monte de projetos, eventos, artistas e cidadãos que escrevem histórias com uma verdade profunda, com muito amor por sua terra”, defende Cléber Camargo.

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