OPINIÃO: TV Cultura – uma reflexão

Como profissional de comunicação e cidadão itabirano de coração e nomeação, ouso participar dessa importante discussão para a nossa cidade

Estou acompanhando, com vivo interesse e como profissional de comunicação, que já teve em mãos uma estação de TV – a TV Carajás, a ferrenha discussão em torno da TV Cultura de Itabira, sua sobrevivência ou seu desaparecimento.

Sem querer apoiar nem fazer oposição a nenhum dos lados até agora postos à baila, confesso estranhar muito esse posicionamento sobre fecha ou deixa aberto um veículo de comunicação do calibre e do alcance de uma estação de TV, que é um privilégio que pouquíssimas cidades no Brasil têm.

Como já disse, tive em mãos por mais de três anos a TV Carajás, uma emissora de TV em SuperVHS à época, e que foi fundamental para fixar os trabalhadores e suas famílias em terras distantes e inóspitas. Afinal, morar no coração do Brasil, em plena floresta amazônica, é uma experiência que precisa ter remédios que amenizem a saudade e o isolamento. E a TV Carajás cumpriu esse papel de forma primorosa.

Claro que a situação era completamente diferente da que vivemos, ou vivenciamos, em Itabira. Estamos a pouco mais de uma hora e meia da capital. Pertinho de todas as facilidades que a vida moderna nos oferta. E com a prerrogativa de, ao menor sinal de enfado, acionar o controle remoto.

Mas, insisto, bom ou ruim, ter uma estação de TV à disposição de uma cidade inteira é um privilégio invejado por muitos. E alcançado por poucos. Ter a possibilidade de entrar na casa das pessoas e levar informação e conhecimento é uma dádiva. E, como tal, deve ser tratada com profissionalismo, respeito e deferência.

O processo de concessão da TV Cultura para Itabira não foi fácil. Muitas idas e vindas aconteceram, muitos ajustes técnicos e políticos tiveram que ser feitos para que tivéssemos a oportunidade de ter tão importante equipamento de comunicação à disposição da nossa sociedade.

Ouso relembrar que a TV Cultura de Itabira revelou para o país muitos excelentes profissionais, espalhados pelas grandes redes nacionais. Profissionais que viveram e conviveram conosco, com nossas rotinas, com nosso peculiar modo de vida e que levaram para seus futuros muitos ensinamentos aqui adquiridos.

Lembrando um pouco da sua história, a TV Cultura de Itabira entrou no ar, oficialmente, em 1995. Afiliada à TV Cultura de São Paulo, no início de sua vida a rede local sempre desenvolveu uma programação diversificada. E, naturalmente, ao longo dos anos passou por várias mudanças e reformulações em sua grade de programação, tendo sempre como carro chefe o noticiário Jornal da Cultura.

A TV Cultura opera, salvo engano, no canal 35 UHF e já foi considerada um grande “laboratório” para muitos profissionais que por ela passaram, transformando-se numa central de notícias itabiranas e refletindo muito de seus habitantes e sua cultura.

Minha intenção, com esse pequeno arrazoado, não é defender a existência ou o desaparecimento da TV Cultura. Ao contrário, quero que as pessoas – contra ou a favor da TV Cultura -, se posicionem. Essa discussão é mais ampla do que simplesmente dizer que manter a TV é caro. Ou que a TV não deveria funcionar politicamente. Ou que a TV é chapa branca, “puxasaquista” etc.

Temos em mãos um equipamento de comunicação nobre, que poucas cidades desse imenso Brasil têm, e não podemos, de maneira simplória, nos desfazer dele porque não gostamos, ou porque o governo não usa corretamente seu potencial ou….ou….!

Enfim, meus caros, penso que essa discussão deveria estender-se a todos os segmentos da nossa sociedade. Seriamente, honestamente, sem partidarismos, sem cor ou credo.

Simplesmente deveríamos discutir se vale a pena abrir mão de tão valioso instrumento de comunicação. Se bem usado, naturalmente!

LEIA MAIS

Comentários

Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.