OPINIÃO: As esferas do cenário artístico

Muito se é dito sobre a forma livre de produzir sua própria arte sem depender de maiores anseios. Essa é a esfera denominada independente, que contém nela uma sinergia de colaborativismo enorme – algo meio quid pro quo, pois esses projetos nem sempre são rentáveis e nem só de sonhos vive o artista.

Acontece que músicos, escritores, fotógrafos e outros agitadores culturais que, aparentemente, seguem sem o intuito mainstream, percebem outros espaços para ocupar fora de sua atmosfera independente. De fato é necessário ocupar os demais espaços, mas quais são eles?

Bem, as opções são limitadas. De um lado vemos bares e pubs acostumados com a cultura cover e que sequer dão espaço para os artistas demonstrarem sua arte original – sem contar que o tempo de show é duas ou três vezes maior do que um show independente. Os bares não são maldosos e precisamos entender isso, pois eles estão tratando apenas de negócios. A música tem suas funções, assim como bares ou pubs têm a função de oferecer entretenimento, tanto que as pessoas, nesses espaços, conversam enquanto o artista toca, o que realmente não condiz com conhecer uma música nova ou analisar determinada letra, não é verdade?

Outro ponto importante a ressaltar é que existem casas que são especializadas exclusivamente em música autoral e que funcionam tanto quanto os estabelecimentos que optam pelas bandas covers. A diferença, nesse caso, é o público. Se o público se interessar em música autoral certamente os bares irão abraçar essa ideia (um salve especial para a espeteria Filé de Gato, em Itabira, que faz jus à cena autoral).

Outro cenário, e talvez o mais rentável deles, é o setor público (festivais, aniversários da cidade etc.). Mas, para muitos artistas, explorar esse cenário já começa com um grande porém: o edital. A burocracia (às vezes necessária) envolvida nesses editais afasta e acaba por filtrar quem ocupa essa esfera e quem não tem a devida oportunidade. Não muito diferente dos bares, os editais também têm como maior objetivo agradar o público em detrimento até mesmo do dever de fomentar a cultura.

 Vou explicar melhor: esse setor se mantém com verbas públicas e é natural que o mesmo tente agradar o grande público, que acaba por financiar as políticas culturais via impostos. O que vale ressaltar é que nem todo tipo de arte precisa de ajuda dos festivais culturais; algumas manifestações, como bandas covers ou músicas de massa, encontram nos bares e em festivais especializados, como a Expoita, espaço para a divulgação de seus trabalhos, correto? Esses locais não tem o dever de fomentar novidades e outras expressões artísticas para o público. Porém, é preciso ter em mente o seguinte: como vou gostar de jazz sem jamais ter tido o contato com esse estilo musical?

Na contramão disso existem aqueles que, já muito acostumados com a verba pública, não se preocupam em produzir novos trabalhos ou buscar novos editais, bares ou formas de fazer sua arte reagir. Inclusive, na maioria das vezes, não vemos os artistas que se enquadram nesse perfil nos movimentos colaborativos.

Pois bem, hoje já é moda o termo ocupação, que cumpre missões um pouco mais importantes que o mero entretenimento social. A aposta é válida, pois te aproxima diretamente do verdadeiro público, eliminando o contratante ou banca avaliadora e, dessa forma, cumpre uma função social que é bem vista pelo setor público e abre os olhos dos setores privados, que têm o primeiro contato, caso a ideia vingue, com novos trabalhos, novas expressões artísticas e novos agitadores culturais.

É por todos esses motivos que venho lhes convidar para a primeira ocupação do Arredaí, coletivo ecológico fundado pelo músico itabirano Karlo Kapo, no qual participo junto ao Mário e Rojú. É preciso agarrar as oportunidades e comprar as boas ideias. E essa oportunidade é para os artistas e para quem tem interesse em participar ou investir num movimento social.

Desse trabalho, quem sai ganhando é Itabira, pois traz a preocupação com o meio ambiente, contribui com a limpeza dos espaços urbanos e levanta bandeiras sociais, como o direito da mulher e igualdade. O Arredaí tem planos de se manter e oferecer aos artistas oportunidade de crescimento, portanto estamos chegando com muito gás e um bocado de boas intenções. Comprem a ideia e ocupem com a gente, pois o Arredaí veio para ficar!

No sábado, 29 de outubro, a ocupação do Arredaí será no Largo do Batistinha, na região central de Itabira. Estaremos lá, a partir das 10h. Contamos com vocês!!!

14707885_1330803676939423_2870191286954924031_o

LEIA MAIS

Comentários

Músico, compositor e cachaceiro. Estudante e professor de música.