O que o Miss Universo 2019 pode nos ensinar? – por Tatiana Linhares

A internet caiu na noite desse domingo, 8 de dezembro, ao ver a sul africana Zozibini Tunzi ser coroada Miss Universo 2019. Seu forte discurso, apoiado na representatividade e na luta contra o preconceito, emocionou muita gente. Suas palavras foram emblemáticas: “Eu cresci em um mundo onde mulheres como eu, com a minha pele e o meu cabelo, nunca foram consideradas bonitas. Já chegou a hora de parar com isso. Eu quero que crianças olhem para mim e vejam os seus rostos refletidos no meu”.

Durante o evento realizado em Atlanta, nos Estados Unidos, Zozibini disputou a coroa com outras 87 candidatas. Ainda em seu discuros, Zozibini Tunzi frisou que “é uma honra absoluta representar, como negra e africana, a inclusão e a diversidade. A sociedade foi programada, durante muito tempo, para que não ver a beleza negra. Mas, agora, estamos entrando em um tempo em que, finalmente, as mulheres como eu podem saber que somos bonitas”.

ATLANTA, GEORGIA - DECEMBER 08: (EDITORIAL USE ONLY) Miss Universe 2019 Zozibini Tunzi, of South Africa, appears at a press conference following the 2019 Miss Universe Pageant at Tyler Perry Studios on December 08, 2019 in Atlanta, Georgia.  (Photo by Paras Griffin/Getty Images)
(Photo by Paras Griffin/Getty Images)

A vitória da sul-africana não deixa de ser um marco na história dos concursos de beleza. Infelizmente, é um passo muito pequeno no que diz respeito à luta contra a ditadura dos padrões estéticos de beleza. É importante ressaltar que nunca uma mulher gorda esteve no concurso como concorrente e, lamentavelmente, apenas 6 negras estiveram entre as 62 vencedoras.

Num mundo tão extremamente machista e racista, o discurso assertivo de Zozibini sobre liderança feminina é mais que necessário! Ainda que ele tenha sido dito num concurso que ajuda a propagar ideais de beleza inatingíveis e comportamentos sociais ultrapassados.

Esses números são um forte um reflexo da sociedade em que vivemos. Exemplo disso são as regras do próprio concurso. Segundo o que é estipulado, as candidatas a miss não podem ter mais do que 28 anos; nem estar grávidas; menos ainda ter filhos e, de jeito nenhum, ser ou ter sido casada. Isso é tão impressionante quanto assustado!

Concursos como o de Miss Universo, raramente, causam um impacto tão grande como o desse ano. O mundo parou para aplaudir a vitória de Zozibini, justamente porque seu discurso é carregado de ativismo político e social! É carregados de palavras que são ditas, diariamente, por quem luta pelos direitos igualitários das mulheres e contra o preconceito racial.

O concurso de Miss Universo 2019 entra para história não só porque Zozibini disse que “essa noite uma porta foi aberta e eu não poderia estar mais grata de ser a pessoa que atravessou este caminho”, mas porque as mulheres que ficaram em segundo e terceiro lugar são latinas de Porto Rico e do México, respectivamente. Há algo de muito simbólico em elas estarem em lugares de destaque numa competição criada e realizada pelos EUA, um país reconhecidamente xenofóbico.

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Em um ano tão pesado e difícil como 2019 tem se mostrado ser, ver o rosto de Zozibini estampando TODOS os canais de notícias do mundo inteiro e assistir a tantas pessoas se sentirem, finalmente, representadas é um respiro de esperança em dias melhores para uma sociedade que precisa, desesperadamente, rever seus valores e posturas.

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