O fim de uma era? – Artigo de opinião por Tatiana Linhares

O Vaticano anunciou que, ainda nesse mês de outubro, realizará uma reunião considerada – pelo Papa Francisco – decisiva. Em companhia de bispos e especialistas, o pontífice pretende tratar de assuntos relativos à Amazônia. A pauta inclui um dos temas mais polêmicos do catolicismo: o celibato. Durante a reunião será decidido se poderão acontecer ordenações de padres casados sem necessidade de separação.

Um tema espinhoso, como tanto outros que Papa Francisco vem, corajosamente, colocando sob holofotes públicos. Quando eleito para o cargo, o religioso argentino era tido como pouco progressista e, até, um tanto retrógrado. Pois ele vem, ano a ano, provando que não apenas tem ideias próprias, como percebe na Igreja Católica a urgência em modernização e evolução.

Criado pelo clero romano, em 304 d.C, o celibato seria uma opção de vida para aqueles que não desejavam contrair matrimônio. Comumente ligado a quem opta por seguir carreira religiosa, longe das tentações da carne, essa é uma prática há muito questionada.

Papa Francisco, espertamente, trouxe o tema à luz sob o pretexto de liberar os sacramentos católicos em áreas remotas, como a Amazônica. Ele deixou claro, publicamente, que a ideia é o uso exclusivo para as regiões em que a Igreja não consegue ter representantes. Para ganhar legitimidade, o projeto precisa ser avaliado e ratificado depois da reunião em Roma.

O fato de, teoricamente, abordar o assunto com ressalvas, vem em boa hora. Pressionado quanto a seus comentários públicos sobre mudanças de comportamento por parte da Igreja Católica, o Papa Franscico vai, com jeitinho, mudando a forma como fiéis e opinião pública enxergam a instituição. Manter ou derrubar o celibato, mesmo como medida para atender a uma ou outra necessidade, é algo complexo.

Para muitas pessoas, o fim de uma prática tão antiga não pode acontecer apenas como uma exceção à regra. Sob um prismas progressista, a liderança dos grupos religiosos não precisa ser – necessariamente – assumida por homens solteiros, dedicados exclusivamente a isso. Assim, o celibato termina por ser apenas uma exigência burocrática.

A verdade é que, lá na sua criação, o celibato foi comemorado por ser uma forma de defender o patrimônio do clero. Os tempos, hoje, são outros e a Igreja, precisa mesmo é se reinventar para garantir a simpatia dos fiéis. Papa Francisco deixa claro que sabe disso melhor do que muita gente que está por lá há 500 anos!

Mesmo não sendo possível avaliar o impacto dessa decisão, já sabemos: por estar chegando, finalmente, o fim de uma era!

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