O dia é das mulheres, mas ainda não há nada o que comemorar

Anualmente, em diversos países, o calendário marca: 8 de março é o Dia Internacional da Mulher. Com a chegada da data, as redes sociais se enchem de publicações com felicitações, flores são distribuídas aos montes, eventos são organizados e discursos são proferidos … mas, na prática, não há o que comemorar.

A data, tão comemorada hoje, é símbolo de uma luta que atravessa a história. E muitos parecem ter esquecido o caráter transformador que acompanha o Dia Internacional da Mulher. Das melhores condições de trabalho ao direito ao voto, da representatividade política à igualdade de direitos. A cada nova geração, mulheres de todos os cantos precisam reforçar a sua condição social e desbravar um terreno recheado de ódio, violência, preconceito e discriminação.

Com o passar dos anos, a tecnologia e o acesso à informação promoveram importantes mudanças em nossa construção social. Porém, o caráter patriarcal ainda segue dominante e, com ele, todos os velhos problemas que impedem a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Com a chegada de mais um 8 de Março, dados estatísticos mostram que essa realidade ainda está distante de ser mudada. De acordo com números levantados pelo portal G1, doze mulheres, em média, são assassinadas diariamente no Brasil. Um retrato da violência e impunidade que ainda imperam em nosso país.

Considerando apenas os dados oficiais divulgados pelos estados brasileiros, em 2017 foram 4.473 homicídios dolosos – sendo 946 feminicídios, ou seja, mulheres assassinadas em crimes de ódio cuja motivação é a condição de gênero. Se comparado com 2016, houve um aumento de 6,5% nessas ocorrências criminais. Naquele ano, foram 4.201 homicídios, sendo 812 feminicídios.

Essa estatística se torna ainda mais estarrecedora se compararmos com o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa nova leva estatística pode colocar o Brasil na 7ª posição entre os locais mais violentos para as mulheres (de um total de 83 países levados em consideração no estudo). E o pior: com uma taxa crescente na incidência de crimes de gênero.

Os dados levantados pelo G1 poderiam ser ainda piores. Mas devido ao silêncio provocado naquelas que sofrem agressões, o medo de represálias, as políticas públicas incipientes, a falta de denúncias, o questionável trabalho policial nesses casos e o limitado registro estatístico, não temos a total dimensão do problema que é a violência de gênero no país e o desafio de ser mulher em uma nação que ainda se mostra intolerante. O dia até pode ser delas, mas faltam razões para celebrar.

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