O colaborativismo artístico do projeto Nosso Fulcro

A arte é, de certa forma, um processo de comunicação e, por isso, não se desenvolve sem que haja reflexão, observação e interação. É maneira que muitos encontram de se posicionar frente ao mundo e à realidade em que estão inseridos – e isso passa pelas experiências que vivemos. O projeto artístico-cultural itabirano Nosso Fulcro nasce dessa necessidade da troca de experiências e na construção colaborativa de uma forma de se expressar.

Criado há seis meses pelos músicos Vinícius Barcelos, Kevem William, João Prado, Igor Martir e Hugo Dias, o Nosso Fulcro tem a proposta de ser um espaço de expressão musical livre de rótulos e limitações. Uma alternativa criativa para um grupo de amigos que bebem de diferentes influências artísticas, mas que utilizam dessa parceria como instrumento de crescimento e desenvolvimento artístico.

“Nosso processo é bastante orgânico e espontâneo. Como somos bastante amigos e sempre estamos juntos, a maioria das ideias para as gravações nascem nestes momentos. As junções das nossas influências musicais diferentes é que moldam a versão do Nosso Fulcro para as músicas que nós escolhemos gravar”, explica Kevem William.

O processo colaborativo, tão natural e essencial para as artes, que norteia o trabalho desse projeto artístico-cultural, é retratado em seu próprio nome. Fulcro é sinônimo para “ponto de apoio” e “base” e é justamente dessa maneira que cada um dos integrantes se porta dentro da iniciativa, se tornando um alicerce para que, juntos, possam produzir, arranjar e construir novas propostas musicais. Trabalho esse que rendeu versões para músicas de renomados artistas como Criolo, Mallu Magalhães, Liniker, Emicida, Beyoncè, dentre outros.

“Nós evitamos a nomenclatura ‘banda’ justamente porque uma banda geralmente precisa de um segmento musical e um público alvo específico. A intenção do Nosso Fulcro é ser um local de expressão musical livre de rótulos e limitações. Então, pode nos chamar de projeto musical, união musical ou algo do tipo”, reflete Igor Martir.

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Integração digital

O Nosso Fulcro nasceu como uma proposta de divulgação artística pela internet por entender que ali é um espaço de livre circulação de informações e com capacidade de alcançar um público amplo e diversificado. O ambiente digital favorece ainda o intercâmbio de ideias e o diálogo com pessoas das mais diversas partes.

Além de ser um canal de comunicação, a internet é também uma forma de manter o grupo trabalhando junto. Um dos integrantes, Hugo Dias, está morando na França e, apesar da distância, consegue contribuir e participar das gravações do Nosso Fulcro.

“Nosso projeto já tem seis meses e desde o começo nós já estávamos cientes de que o Hugo [Dias] iria pra França, por isso, desde o início, nós bolamos uma maneira de trabalharmos juntos apesar da distância. A internet possibilita que ele participe das reuniões e do projeto da mesma forma, e, também, de nós explorarmos novas possibilidades musicais”, conta João Prado, que completa: “nós escolhemos a internet por ser um mecanismo livre e que nos possibilita uma divulgação fácil e uma abrangência a diversos tipos de público diferentes de vários lugares do Brasil e do mundo”.

Inicialmente a proposta do Nosso Fulcro era se ater apenas ao universo digital, mas à medida que o público ia conhecendo o trabalho e acompanhando os novos lançamentos começou a pedir apresentações ao vivo. O chamado foi escutado e o grupo, hoje, já conta com performances ao vivo.

“Pela demanda do público que nos conheceu online, decidimos aceitar e isso acabou sendo muito importante para o crescimento do projeto e também para o crescimento pessoal de cada um dos integrantes”, destaca Vinicius Barcelos.

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Itabira um cenário cultural

Além da produção cultural, o Nosso Fulcro se inspira em Itabira para produzir o seu trabalho. Nos vídeos divulgados nas redes sociais, a cidade é sempre o cenário e parte importante daquele produto cultural. Porém, eles não se restringem apenas aos cartões postais tradicionais e buscam mostrar mais.

“Nós pensamos em explorar Itabira com um olhar alternativo. Temos vários locais incríveis que não são muito valorizados. Um dos nossos objetivos é mostrar a beleza da nossa terra ao mesmo tempo procurando lugares que possam trazer um sentimento de nostalgia para nós e para quem nos acompanha”, destaca Vinicius Barcelos.

“Os locais são escolhidos com base em sugestões dos nossos amigos. Um ponto curioso é que nós sempre andamos com um bloco de notas, para anotar ideias espontâneas para os locais de gravação. Nós já filmamos em lugares completamente distintos e às vezes não muito casuais da cidade, desde o Largo do Batistinha até mesmo no Buritis, que é um bairro ainda em ‘formação’”, acrescenta Hugo Dias.

Por se tratar de um projeto independente, o Nosso Fulcro enfrenta os mesmos desafios que todas as bandas e projetos undergrounds passam: a falta de espaço e oportunidades para mostrar o trabalho. Mas é no espírito colaborativo, talento e com o auxílio da internet que os cinco amigos estão escrevendo a sua história.

Confira a interpretação do Nosso Fulcro para a música “Passarinhos” do rapper Emicida:

Quer conhecer mais sobre a Nosso Fulcro? Então acesse as redes sociais do projeto cultural:

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A profissão é jornalista. A diversão é um livro. Mas também pode ser um filme ou uma série. O esporte é futebol - desde que acompanhado do sofá da sala. O universo digital exerce grande interesse. Não dispensa uma xícara de café ou um copinho de cerveja.