Núcleos históricos urbanos de Brumal e Santa Bárbara completam 30 anos de tombamento

Ação é uma maneira de preservar estes monumentos em virtude do excepcional valor histórico e artístico que possuem

Em maio, dois importantes núcleos históricos urbanos do Município completam 30 anos de tombamento pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). São eles: o de Santa Bárbara (sede); abrangendo a matriz de Santo Antônio, as igrejas de Nossa Senhora do Rosário e de Nossa Senhora das Mercês, as capelas da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco e do Bonfim, a Casa da Cultura, a Casa de Affonso Penna e as ruínas de pedra (Hospital velho); e o do distrito de Brumal.

O tombamento é um modo de preservar estes monumentos de excepcional valor histórico e artístico.

Santa Bárbara (sede)

O então arraial de Santo Antônio do Ribeirão de Santa Bárbara, que depois veio a ser apenas Santa Bárbara, começou sua formação em decorrência da exploração do ouro, sendo um dos municípios que surgiram na fase áurea da mineração, período este que deixou para Minas Gerais o mais significativo conjunto de bens culturais do país, o Barroco Mineiro.

Assim, conforme registro de tombamento, a prosperidade alcançada pelo Arraial no século XVIII ficou patenteada pela magnífica arquitetura religiosa que ali foi edificada e, também, pela arquitetura civil, com suas características de esmero construtivo e ornamental.

Neste contexto, já em um segundo momento, com a exploração de ouro exaurida, a cidade experimentou uma ligeira decadência e estagnação econômica. Contudo, a privilegiada localização, num entroncamento rodo-ferroviário, distante de centros urbanos de maior porte, propiciaram que Santa Bárbara se tornasse um importante entreposto comercial, consolidado pela proximidade de grandes usinas siderúrgicas, implantadas dentro de sua área de influência.

De acordo com estudos da Fundação João Pinheiro, o Município teve uma posição hierárquica, de 1972 a 1977, entre os centros urbanos do Estado, ocupando o 7º nível em uma escala de 1 a 10.

Nas últimas décadas, antes do início dos anos 90, a cidade alcançou significativas taxas de crescimento e, por consequência, começou a passar por uma renovação urbana indiscriminada, sujeita as mais variadas e violentas manifestações sócio-urbanísticas que causam a substituição dos testemunhos históricos por novos prédios, modificando, de maneira sensível, a paisagem de origem, ainda legível em alguns trechos da cidade.

Neste cenário, considerando os aspectos citados, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), decidiu elaborar um processo de tombamento, com o objetivo de adequar a cidade, no que versa sobre mecanismos capazes

de assegurar a salvaguarda de seus valores de origem, em consonância com as tendências normais de crescimento da cidade.

Diante disso, foram estabelecidas áreas de preservação, que contemplam o espaço de tombamento, estando nele localizadas igrejas de grande valor histórico e cultural, além das ruínas de pedra, da Casa da Cultura e da Casa de Affonso Penna.

Brumal

De acordo com as diretrizes do tombamento, o Centro Histórico de Brumal se organizou nos primeiros anos do século XVIII, quando naquele local foram descobertas minas que logo se tornaram generosas, permitindo ligeiro crescimento e consolidação do povoado.

O lugar é constituído por edificações de pequeno porte, tendo como ponto central a vasta praça do Chafariz, palco de cavalhadas e festejos, onde se destaca a igreja de Santo Amaro, templo ornado de talha e pintura, se configurando como exemplo do partido arquitetônico das primeiras matrizes do Barroco Mineiro.

No final dos anos 80, o povoado começou a apresentar indícios de crescimento sócio econômico e de renovação urbana, evidenciado pelas alterações, principalmente, nas fachadas das casas, com a introdução de platibandas do tipo escalonado, comumente utilizado na arquitetura popular espontânea. Ainda assim, as residências mantiveram a tipologia tradicional, simples e rústica, dos aglomerados rurais. Os sinais de crescimento estão materializados nos dias de hoje.

Neste contexto, a beleza do urbanismo, do conjunto arquitetônico e da paisagem natural está precisamente na sua singeleza e espontaneidade, que compõem com a erudição arquitetônica da matriz de Santo Amaro, preservados nos 30 anos desse tombamento.

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