No retorno do Casarão Altamente, Luiz Gabriel Lopes faz pré-lançamento do álbum “MANA”

Em sua, até então, curta participação na cena cultural itabirana, o Casarão Altamente já se mostrou como importante elemento de difusão artística, sobretudo ao dar espaço para os artistas independentes – sejam eles de Itabira, Minas Gerais ou Brasil. Depois de pouco mais de um mês de recesso, o espaço retoma suas atividades com o pré-lançamento do álbum “MANA”, do cantor e compositor Luiz Gabriel Lopes, ou LG, como também é chamado.

Figura presente na atual cena musical mineira, Luiz Gabriel vem se destacando pelos seus trabalhos junto aos grupos Graveola e o Lixo Polifônico, um dos expoentes da nova geração de músicos das alterosas, e Tião Duá. Além desses trabalhos, o artista tem se dedicado à sua carreira solo, pela qual lançou os álbuns “Passando Portas” (2010) e “Fazedor de Rios” (2015). Em suas andanças no Brasil e exterior, LG desenvolveu estilo próprio para as suas performances, o que garante um clima único para as suas apresentações ao vivo.

Em 2017, o músico mineiro lança seu terceiro registro de estúdio, “MANA”, que só foi possível graças a uma vaquinha online – nome “brasilesco” para o crowdfunding. O álbum é uma mistura entre a saudade e reverência pelos locais em que passou, sobretudo da riqueza múltipla que emerge da nossa América Latina. Esse trabalho é uma prova do artista multifacetado e de sensibilidade ímpar.

Esse trabalho será mostrado ao itabirano na quinta-feira, 5 de outubro, às 21h, no Casarão Altamente. Mas, antes dessa apresentação, o editor do Trem das Gerais, Gustavo Linhares, bateu um papo com o LG e traz um gostinho desse trabalho que é “MANA”. Confira!

Trem das Gerais: Do que se trata esse seu novo trabalho “MANA”?

Luiz Gabriel Lopes: É um disco de canções autorais que eu venho amadurecendo há alguns anos. É o meu terceiro disco solo e foi produzido em São Paulo pelo Lenis Rino [músico e produtor musical mineiro]. É um disco em que a base foi gravada ao vivo e, depois, fomos gravando alguns overdubs. A produção foi feita em um espaço de tempo relativamente curto e é mais um trabalho nessa minha caminhada como músico e artista.

TG: Porque a escolha desse título?

LG: Esse nome, “MANA”, tem muitos significados e não é um significado literal, mas é uma das coisas que está no campo semântico e levou a escolha desse nome para o disco é que “MANA” é um conceito usado por alguns autores da antropologia e que remete a um conceito de alguns povos indígenas que falam que existe uma espécie de energia vital nas coisas chamada mana. Então quando eu te dou um presente, um colar, por exemplo, ele vai com a minha energia, com o meu mana.

Então mana é uma espécie de magnetismo, de força que vai junto com os gestos e as coisas concretas da vida. E tudo tem um mana, então é com se até as coisas inanimadas tem um mana, uma energia vital nelas. Eu acho que o disco fala um pouco disso: uma perspectiva, um entendimento da realidade expandido sobre as coisas. Então tem a ver com esse universo.

TG: Como foi o processo de criação e gravação deste álbum?

LG: Acho que já falei um pouco da criação e da composição, mas são canções que foram compostas nos últimos anos e uma parte significativa delas a partir do meu encontro com o Téo Nicácio, que é o baixista do disco e companheiro de estrada e muitas aventuras, e a gente compôs quatro músicas que estão no disco.

Além delas têm outras coisas que foram sendo feitas ao longo dos últimos anos. Tem uma parceria com Paulo César Bichinho, que é “Quiléia”; tem uma regravação do Jatobá, que é “Matança” e ficou famosa no repertório do Xangai; e, além disso, outras coisas que já vinha construindo com o meu trabalho.

No momento de gravar aconteceu um processo de experimentação com a banda, de trabalhar com os meninos de testar arranjos. Nós fomos testando esse repertório durante um ano, um ano e meio mais ou menos, em shows e ensaios que fomos fazendo, amadurecendo um pouco o conceito da sonoridade do disco e da banda.

Fomos entendendo a postura interna das músicas, o magnetismo interno entre as músicas e a relações de ressonância, de diálogo que as músicas tinham. Acho que acabei optando por uma estrutura que não é exatamente conceitual, não é que o disco tenha um tema específico, mas ele vibra numa frequência, numa energia parecida. Claro que com nuances e diferenças, mas tem uma energia de comunhão, de certo otimismo diante do horizonte histórico atual. Assim, mesmo diante de tantas dificuldades, essa crise que estamos vivendo é uma crise que potencializa a transformação interna e externa; de dentro para o planeta.

TG: Como você avalia esse trabalho?

LG: Estou muito feliz, gosto muito do resultado do disco. Também gosto muito de estar num momento de amadurecimento dele, do conceito do show e de iniciar essa caminhada de começar a divulgar as apresentações ao vivo. Como toda trajetória humana e artística, é uma trajetória que mostra as nossas facetas no mundo, o conhecimento e amadurecimento.

TG: Qual a diferença deste disco para os seus trabalhadores anteriores, “Passando Portas” (2010) e “Fazedor de Rios” (2015)?

LG: O “Passando Portas” foi um disco produzido em Portugal, quando eu morei lá, em 2010, durante um período de uns dois meses e as canções foram todas escritas durante um intervalo muito curto e que foi resultado de muitas vivências, encontros e descobertas. Foi a primeira vez que sai do Brasil para levar o meu trabalho, a minha música e acabei ficando um tempo a mais lá e aconteceu isso, das canções aparecerem e senti que esse disco tinha uma potência solo.

Aconteceu que um amigo meu tinha um estúdio em casa e gravamos tudo de maneira artesanal, bem precário mesmo, mas tenho um carinho muito especial com esse trabalho, pois abriu portas pra mim como compositor, artista e na descoberta de uma dicção do meu trabalho solo. É um disco muito acústico, com muita voz e violão.

Depois de cinco anos veio o “Fazedor de Rios”, já ligado a uma atmosfera mais eloquente de arranjos e gravado de maneira bem lenta. Começamos a produzir em 2012 e lançamos só em 2015, pois teve vários percalços nesse meio: dificuldade de conseguir grana, tempo. Mas é um disco que tenho um carinho imenso também porque é o avanço de um outro repertório e com uma produção bem cuidadosa de arranjos e outras coisas.

Mas acho que esse trabalho de agora, o “MANA”, a principal diferença que eu sinto de concepção é que eu queria fazer um disco mais enxuto, com menos informações musicais, com menos camadas e com clareza maior musicalmente. Então acho que é um amadurecimento nessa coisa de que menos é mais, de conseguir decantar um pouco os impulsos artístico em uma direção mais madura, mais objetiva. É um disco mais elétrico feito com guitarra, baixo e bateria.

TG: Porque a escolha de Téo Nicácio, Mateus Bahiense e Daniel Pantoja para te acompanhar nesse projeto?

 LG: Cara, esses camaradas que me acompanham no disco, além de serem grandes parceiros e irmãos, são pessoas que abraçaram o repertório de uma maneira muito especial e trouxeram uma energia muito interessante de entrega e parceria. Acho que tem mais a ver com isso, com a energia das pessoas e com o significado da convivência com elas do que com as habilidades musicais.

TG: O Casarão Altamente é um espaço que vem movimentando a cena cultural itabirana. Como está a expectativa de se apresentar nesse espaço?

LG: Cara, eu acompanhei a criação do Casarão Altamente. Sou muito amigo do Juninho Ibituruna e já fizemos muito som juntos [LG, Ibituruna e Gustavito formam o grupo Tião Duá]. Acho muito legal e sou muito grato de poder tocar em espaços com essas características, com essa vibração de fomentar a cultura independente em uma cidade menor, como Itabira.

Isso é muito importante para que o público não fique refém apenas das opções da grande massa, da grande mídia. É importante ter espaços fomentando a cultura alternativa de maneira inteligente e sensível. Acho muito legal e estou muito feliz de poder somar na programação do Casarão.

TG: O que prepara para a apresentação em Itabira?

LG: A apresentação de Itabira faz parte dos primeiros shows do “MANA” e vamos mostrar as canções do disco. Também vamos incluir outras coisas, como músicas do “Fazedor de Rios”, e algumas releituras de coisas que estão no repertório do Graveola, arranjos especiais, e vai ter a participação da Maíra Baldaia, que é uma cantora muito legal e mora em BH, mas a família é de Itabira e acabamos sincronizando essa história. Estou muito feliz com isso e ela vai dar uma canja no show.

TG: Como avalia a cena musical em Minas Gerais?

LG: Acho a cena de Minas Gerais muito rica e sou um grande entusiasta. Tem muita criatividade e muita gente produzindo coisas boas. Estamos sempre em contato com pessoas mais próximas e posso dizer que essas pessoas me influenciam. Sou muito fã dessa geração que me acompanha e das gerações mais jovens, pois acho que tem muita gente produzindo, compromissada e fazendo um trabalho de bastante qualidade.

TG: Quais os seus próximos projetos?

LG: É seguir a sintonia da música, ser agraciado pelas bênçãos da música, expandir os territórios, conhecer novas pessoas e levar essa mensagem, essa vibração da música para as pessoas.

Escute na íntegra o álbum “MANA”

Conheça mais sobre o trabalho do LG Lopes

SERVIÇO

Pré-lançamento do álbum “MANA”, de LG LOPES
Data e horário: quinta-feira, 5 de outubro, às 21h
Local: Casarão Altamente (Rua Major Paulo, 10, Penha, Itabira, Minas Gerais)
Ingressos: R$ 10 (1º lote) e R$ 15 (2º lote)

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