No dia da mulher, comemore lendo uma das grandes escritoras da atualidade

Já tem um tempo que, finalmente, a sociedade percebeu que o Dia Internacional das Mulheres, comemorado nesse 8 de março, não é um dia de celebrações, mas sim de engrossar as fileiras de quem luta pelos direitos delas. Felizmente, muitas de nós assumimos essa bandeiras e estamos batalhando por uma sociedade mais igualitária.

Minha recomendação para hoje que você conheça, mais afundo, pela voz das protagonistas dessa luta, a ótica feminina e entenda qual é o papel que você pode e deve ter nesse processo. Por isso, listei 11 das grandes escritoras da atualidade que você precisa conhecer!

Chimamanda Ngozi Adichie

Nigeriana, Chimamanda, já tinha dois livros lançados no Brasil quando “Americanah” chegou às livrarias A história de uma jovem nigeriana que vai estudar nos Estados Unidos foi o gatilho para a autora abordar temas como racismo, feminismo e identidade e chegar ao gosto popular. O feminismo, um dos assuntos que tornaram Chimamanda ainda mais conhecida pelo grande público, se tornou o tema de sua palestra no TEDxEuston intitulada “Todos nós deveríamos ser feministas”. Seu discurso foi tão poderoso que, em 2013, a cantora americana Beyoncé, o incorporou na música “Flawless”. Destaque para outros dois livros imperdíveis da autora: “Hibisco Roxo” e “Meio sol amarelo”, vencedor do National Book Critics Circle Award e do Orange Prize de ficção em 2007.

Chimamanda Ngozi Adichie

Carolina Maria de Jesus

Uma das primeiras escritoras negras do Brasil a ganhar reconhecimento, Carolina era moradora da favela do Canindé, zona norte de São Paulo. Semi-analfabeta, ela escrevia em um diário sua rotina como catadora de lixo. Nele descrevia as situações que observava nos barracos vizinhos, as idas e vindas para buscar restos de comida para dar aos seus três filhos e as reflexões sobre o cenário de desigualdade daquele tempo, no fim da década de 50. Descoberta por jornalistas, viu seus cadernos se transformarem no livro “Quarto de Despejo”. A obra teve a ortografia e palavras originais mantidas, sem correção, e foi vendida em mais de 40 países, traduzido para 13 idiomas. Outras obras de Carolina foram “Pedaços da Fome” e “Casa de Alvenaria”.

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Marjane Satrapi

Marjane Satrapi cresceu em Teerã em uma família extremamente politizada. Durante a infância, assistiu a crescente repressão das liberdades civis tomar conta da política iraniana na vida cotidiana dos habitantes do país. Em 1983, então com 14 anos, foi mandada pelo pais para a Áustria para fugir do regime iraniano. Lá, morou na casa de amigos, em pensionatos, repúblicas estudantis e chegou a ficar desabrigada e morar nas ruas. Após um ataque quase mortal de pneumonia voltou ao Irã. As histórias de vida que ela tem para contar são tão interessantes que viraram um livro em formato HQ, “Persépolis”. Nele, ela aborda questionamentos sobre liberdade, situação da mulher no Irã, repressão, entre outros. Marjane também escreveu “Bordados”, outra HQ.

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Xinran

Essa jornalista chinesa têm como foco a mulher de seu país. Por meio de um programa de rádio do qual era apresentadora, recebia cerca de 100 cartas de mulheres ouvintes contando as mais diversas histórias, desde as felizes até as trágicas. Por conta dos  relatos, ela resolveu fazer visitas in loco e entrevistar essas mulheres. Esse material se transformou em o livro “As Boas Mulheres da Chinas” que foi proibido de ser publicado na China. Assim, ela se mudou para Londres e publicou não só esse, como mais 5 livros, todos sobre a vida das mulheres chinesas. Os outros títulos são “Mensagem de uma mãe desconhecida”, “O que os Chineses não Comem”, “As Filhas Sem Nome” e “Testemunhas da China”.

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Alice Walker

Uma das principais ativistas do movimento negro, essa norte-americana chegou chegou a conhecer Martin Luther King nos anos de 1960 e isso está refletido nas suas obras que tratam, especialmente, da mulher negra nos EUA. Seu título mais famoso, “A cor púrpura”, lhe rendeu um prêmio Pulitzer e uma adaptação estrelada por Whoopi Goldberg para o cinema. Ele trata do racismo, machismo e violência no início do século 20, na história de sua protagonista Celie. Alice Walker também publicou “Rompendo o silêncio”. Sua obra inclui ficção, poemas e ensaios, mas apenas esse dois títulos estão disponíveis em português.

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Rupi Kaur

Muita gente já ouviu falar de “Outros jeitos de usar a boca”, o primeiro livro da poeta canadense, nascida na Índia, Rupi Kaur. Publicado de maneira independente em 2014, o livro chegou ao Brasil pela editora Planeta depois de vender mais de um milhão de cópias e permanecer no topo da lista de mais vendidos do New York Times por 40 semanas. Os versos de Rupi são duros: tratam de abuso, violência, amor, sofrimento, maternidade, machismo e relacionamento. “Milk and honey”, título original do livro faz menção ao genocídio do povo sikh na Índia – etnia do Estado de Punjab, à qual pertence a poeta e sua família. Os sikh, especialmente suas mulheres, saíram do massacre “suaves como o leite, mas fortes como o mel”. Rupi lançou também “O que o sol faz com as flores”, que trata de crescimento e cura, ancestralidade e expatriação.

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Zadie Smith

Considerada uma das escritoras mais talentosas de sua geração, essa descendente de ingleses e jamaicanos, viu seu primeiro livro, “Dentes brancos” alcançar enorme sucesso de público e crítica. Cerca 1,5 milhão de exemplares foram vendidos nos países de língua inglesa. O título ganhou numerosos prêmios, entre eles o Guardian First Book Award, o Whitbread First Novel Award e o Commonwealth Writers Prize. “O caçador de autógrafos”, seu segundo livro, lhe rendeu uma indicação para o Orange Prize de ficção e um lugar entre os vinte melhores jovens romancistas britânicos indicados pela prestigiosa revista Granta. Zadie não parou por aí e lançou seu terceiro romance, “Sobre a beleza” e foi indicada Man Booker Prize, um dos maiores prêmios literários do mundo, além de vencer o Orange Prize de ficção. Sua produção é incessante. “NW” e “Swing Time”, já estão disponíveis nas livrarias brasileiras.

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Svetlana Aleksiévitch

Ela é uma escritora da Bielorrússia crítica em relação ao seu país e à antiga União Soviética, e também em relação a situações importantes que afetam sua nação e outros países, como o Afeganistão. Vencedora de um Nobel de literatura, viu o reconhecimento de seu trabalho documental em que une jornalismo e literatura com maestria. A ex-União Soviética, tema central de sua obra, tem como destaque depoimentos de mulheres que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial, a catástrofe de Chernobil, ao colapso da antiga URSS e a ferida moral dessa sociedade através de diferentes fatos históricos. “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, “Vozes de Chernobil”, “Tempo de Segunda Mão” e “O Fim do Homem Soviético” são leituras obrigatórias.

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Martha Batalha

A simplicidade trabalha a serviço das histórias dos tipos inesquecíveis criados pela brasileira Martha Batalha. Lançado em 2016, “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, seu romance de estreia, encontrou respaldo nas mãos do leitor comum e no interesse de editoras de todo o mundo. Não é por menos, a história das irmãs Gusmão e a discussão sobre a vida da mulher nos anos 1940, criadas apenas para serem boas esposas, colocam a mulher como protagonista de sua própria vida. Nascida em Pernambuco, Martha voltou à carga com “Nunca Houve um Castelo” que reforça uma prosa cheia de bom humor, tom da crônica, além de fatos e ficções.

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Maya Angelou

A vasta obra de Maya, infelizmente, foi pouco traduzida para o português. Por aqui, é possível encontrar “Carta a minha filha”. Se você nunca ouviu falar sobre ela, passou da hora de conhecer. Poetisa, cantora, dançarina, atriz, dramaturga, compositora e ativista, essa norte-americana lutou durante toda sua vida pela igualdade racial e chegou a trabalhar ao lado de Martin Luther King e Molcom X. Estuprada pelo namorado da mãe na infância, que a levou a parar de falar por alguns anos, também lutou a favor dos direitos das mulheres. Sua dedicação foi tão relevante à história dos Estados Unidos que, em 2010, ela recebeu a mais alta condecoração civil americana, a Presidential Medal of Freedom. A homenagem foi entregue pelo então presidente americano, Barack Obama. Maya Angelou foi aclamada desde seu primeiro livro, a autobiografia “I know why the caged bird sings” (Eu sei porque o pássaro aprisionado canta, em tradução livre), de 1969. Esse livro a tornou uma das primeiras autoras negras a emplacar um best-seller nos Estados Unidos.

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Conceição Evaristo

A escritora brasileira que conciliou os estudos com o trabalho de empregada doméstica tem obras que abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. O romance “Ponciá Vicêncio” foi traduzido para o inglês e publicado nos EUA. Professora, Conceição venceu o Prêmio Jabuti 2015 na categoria Conto com “Olhos d’Agua”, em que escreve sobre as vivências de pessoas negras sem se prender a uma abordagem da pobreza apenas como uma realidade opressiva, mas como uma experiência de aprendizagem, resistência, estratégias e sobrevivência. Ela ainda evoca a ancestralidade, a umbanda e o candomblé e faz referências à literatura de países africanos como Senegal, Angola e São Tomé e Príncipe. Em outros títulos como “Becos da Memória” e “Insubmissas lágrimas de mulheres”, reafirma a importância da escrita para registrar experiências e um direito de todos, que não depende do domínio da norma culta.

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Roxane Gay

Professora universitária, romancista e roteirista de quadrinhos, Roxane também assina colunas em sites e revistas sobre cultura pop. Ela tem, inclusive, seu próprio TED. “Má Feminista”, que reúne ensaios capazes de misturar traços biográficos e questões culturais, é o primeiro livro dela publicado no Brasil. Nele, Roxane mescla lembranças da adolescência e reflexões sobre a trilogia Jogos Vorazes, expondo suas contradições: gostar de uma protagonista forte e sobrevivente enquanto torce pelo romance e o final feliz. Como escritora, deixa uma marca forte como feminista e questiona se os altos padrões exigidos das mulheres em tudo criam a sensação de que movimento feminista está falhando em algum ponto. Provocativa, trata de sua experiência como professora, amizades, as representações de pessoas negras na ficção e a persistência do machismo na cobertura jornalística.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras