MÚSICA INDEPENDENTE: A produção musical itabirana em 2017

Itabira, em Minas Gerais, é uma cidade com uma história cultural bastante rica. Sua história conta com nomes importantes no cenário artístico regional, estadual e nacional – tais como Carlos Drummond de Andrade, Márcio Sampaio, Genim Guerra, Newton Baiandeira, Sociedade Musical Euterpe Itabira, Banda Santa Cecília, dentre outras.

Apesar dessa riqueza, a classe artística itabirana ainda encontra bastante dificuldade para desenvolver o seu trabalho e fortalecer a cultura da cidade. Mesmo assim, a cena independente segue bastante criativa e lançando novos projetos. Em 2017, diversas produções musicais chegaram às ruas. Neste artigo, fizemos uma recapitulação desses lançamentos. Confira!

Música alternativa

O ano começou com novidades na música alternativa e experimental. O percussionista Juninho Ibituruna aproveitando um material registrado em 2016 lançou o EP “C.O.M.F.U.S.O”, um trabalho criativo, complexo e que explora novas possibilidades sonoras. Composto por oito músicas, o álbum mistura batidas de bateria acústica, percussão, contrabaixo, teclado e sons registrados na rua.

Mais tarde, em março, o músico Igor Venal apresentou o EP “Transgênese”, que trouxe um artista mais maduro e que brinca com novas sonoridades, deixando um pouco de lado o estilo indie – marca de sua antiga banda, Venal – para explorar novos caminhos, como a música brega. “Quem Ama Bloqueia” e “Amor & Poesia” se destacam no álbum.

Ainda no mesmo período, o coletivo musical Nosso Fulcro trouxe a música “Bolo de Limão” e, com ela, uma pegada que mistura MPB e sonoridades do rock. Esse foi o primeiro trabalho autoral divulgado pelo grupo, que mais tarde, durante o Festival de Inverno de Itabira, anunciou um hiato em seu trabalho.

O ano passado também foi de muito trabalho para a cantautora itabirana Maíra Baldaia. Depois de lançar em 2016 o álbum “POENTE e outras paisagens”, a musicista lançou os clipes das músicas “Insubmissa”, que trata da realidade e feminilidade da mulher negra, e “Só por um Instante”, que fala sobre liberdade e amor.

Hip hop

Nos últimos anos, a cena rap começou a ganhar bastante espaço em Itabira. Em 2017, diversos rappers itabiranos divulgaram novos trabalhos. Arthur Thurrá, com seu projeto solo Visão Futura, lançou o seu EP de estreia, “Primeiro Impacto”, que, nas palavras do artista, reúne “rimas ácidas, uma procura na valorização do conteúdo lírico e de técnicas na produção das letras”.

No mesmo período, o duo “Província da Mente” chegou com a sua primeira música: “440V”, que traz uma letra ácida para traduzir aquilo que os rappers Filipe “Bônus” e Alex “CLD” observam em seu cotidiano. A dupla não parou por aí e durante o ano trouxe três novos lançamentos: “Hemisfério Monocromático”, “Contra a Corrente” e “Lei da Atração”. Essa inquietação criativa culminou em uma apresentação visceral no 2º Movimento Trem das Gerais.

Quem também aproveitou o ano para apresentar o seu trabalho foi o rapper Nego Lizu. Em parceria com o estúdio QDC Beats, o músico divulgou “Titan 97”, que parte da premissa que o hip hop também pode abordar temas mais leves como o entretenimento, e “Peregrino”, que reflete sobre o cotidiano nas ruas e se vale da poesia gangsta.

O selo QDC Beats, capitaneado pelo rapper 100sei, vem se dedicando à produção hip hop local. Inclusive com trabalhos próprios. Em junho, lançou o seu primeiro videoclipe oficial, “Rimas Pesadas”, que integra a mixtape “Efeitos”. A canção fala sobre as dificuldades de trabalhar no mercado independente.

Com destaque na cena rap nacional, Thiago SKP trouxe algumas novidades em 2017. Em julho, chegou ao público o EP “Sete Vidas”. O álbum conta com uma variedade de flows e beats para trazer uma roupagem nova ao trabalho do rapper itabirano – que, anteriormente, havia lançado os álbuns “Eu só Volto com a Vitória” e “Malabarismo do Caos”. Junto com o EP, foi divulgado o videoclipe “O Plano do Ano”.

Rock and roll

Entre as bandas com maior força criativa na cidade, o Postura começou 2017 lançando um lyric vídeo da música “A Mesa”, que revisita o trabalho lançado junto com o EP “Marta” em 2015. O material foi produzido e editado pela Hope Produtora e contou com o apoio do coletivo Colundria Co. O grupo de hardcore, ainda, divulgou mais um trabalho em 2017: o videoclipe da música “Então Vem”, que discorre sobre os obstáculos de um relacionamento, as fases difíceis do convívio a dois e a necessidade de aproveitar os bons momentos.

Outro nome de destaque na cena rock local, o Rivotrio Sem Receita seguiu trabalhando no material do álbum “Sem Receita”, lançado em 2016. Em março, o grupo divulgou o clipe da música “Olha o Trem”, que com um tom divertido, rítmico e sonoro conta um pouco das viagens de trem que fazem parte da história local.

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