Mulheres assumem a proteção de tribo na índia e zelam pela floresta no entorno há mais de 20 anos

Pouca gente sabe, mas longe dos grandes centro populacionais indianos, próximos à capital Nova Délhi, há uma população de quase 300 milhões de pessoas que vivem nas florestas do país. Entre eles estão tribos indígenas que lutam para manter as matas o mais intocadas possíveis, já que elas garantem sua sobrevivência.

Mas, a densa selva do distrito de Nayagarh, no Estado de Odisha, sempre sofreu com o ataque de caçadores e madeireiras. Há 150 anos, as forças britânicas (resquícios de colonização) espalharam pesados marcadores de pedra para delimitar o perímetro de uma reserva florestal, de propriedade estatal, deixando de fora os milhões de habitantes que já viviam da terra há séculos.

A aldeia tribal de Gunduribadi sempre comandou a resistência. Composta por 27 famílias, organizou os demais residentes para traçar os limites da floresta de 200 hectares que a comunidade reclamava como sua terra ancestral. Para isso, contaram com mapas cedidos pelo governo para percorrer o terreno montanhoso e manter intacta a zona florestal.

Na vanguarda deste movimento, as mulheres da tribo se converteram em líderes naturais. Apoiadas pela emenda A2012 da lei de Direitos Florestais, elas fizeram mais do que reclamar o título de propriedade sobre suas terras. Sob a alcunha de administradoras tradicionais das florestas, abasteceram os moradores – de maneira sustentável – com alimentos, combustível e forragem, bem como organizaram as coletas de materiais para cercar hortas, obter plantas medicinais e madeira para construírem suas casas com teto de palha.

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O objetivo passou a ser proteger a mata contra lenhadores e contrabandistas de madeira. Em 1999, quando um forte ciclone devastou a região de Odisha, milhares de pessoas morreram, perderam suas casas e pertences. Mas, a floresta protegem a aldeia Gunduribadi. Assim, cerca 850 aldeias do distrito de Nayagarth conseguiram se reerguer administrando, coletivamente, mais da metade do perímetro total da floresta.

Isso não seria possível sem o apoio do governo. O conselho municipal em Nayagarh destinou direitos a cada família, segundo suas necessidades, para colher lenha, forragem ou produtos comestíveis. Assim, qualquer pessoa que necessitasse cortar uma árvore para fazer reparos em sua casa, construir uma moradias ou fazer uma pira devia pedir permissão especial. Além disso, machados foram proibidos na floresta.

Os aldeãs se revesavam em turnos para patrulhar a selva e, a cada noite, representantes de quatro famílias faziam suas rondas. O conselho conseguiu impor sanções rígidas a quem violasse as regras. Deu certo! Aos poucos a floresta foi se recuperando e os próprios moradores criaram hábitos que ajudar a mantê-la: foi proibida a criação de cabras para proteger os novos brotos na floresta e os preparos diários de refeições foram otimizados para economizar lenha.

Agora, 20 anos depois, as guardiãs da floresta contam com um riacho que permite a irrigação de pequenas hortas de lentinha e verduras prontas para colher; novos poços demonstram o surgimento de nascentes e a caça ficou mais fácil. Ainda assim, a luta contra pessoas que tentam explorar a mata continua.

Ao longo dos anos, elas conseguiram capturar várias pessoas cortando árvores ilegalmente e apresentaram vários processos criminais contra essas pessoas. Em algumas ocasiões, precisaram ameaçar os contrabandistas de madeira para sair. Atualmente, graças aos telefones celulares, podem chamar reforços em caso de problemas mais graves.

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