Movimentos culturais: o desafio de se fazer cultura – Parte 3

Nas últimas semanas publicamos, aqui no Trem das Gerais, uma série de matérias (leia a parte um e a parte dois) sobre o mercado musical, a cena independente e os desafios de se produzir cultura em um mercado focado em entretenimento simples e com pouca abertura para quem busca o novo. Porém, apesar das dificuldades, a cena vem mudando e ainda é possível encontrar frescor na música brasileira.

Enquanto artistas e bandas andam na contramão do mercado mainstream, com produções que fogem dos padrões comercializados em rádios, o próprio mercado fonográfico assiste e aprende a conviver com um novo cenário. A venda de discos já não é mais o grande carro chefe da indústria, que vê as apresentações ao vivo e trabalhos em formatos digitais ganharem espaço e se tornarem os principais produtos musicais no país.

“Estamos em um tempo no cenário musical onde os trabalhos inovadores ficam estancados pela cobertura da mídia convencional, que dissemina apenas os jargões comerciais, muitas vezes emplacando um estilo único, como se fosse a única trilha sonora cotidiana. Existem bares que apresentam atração de estilos variados, mas a grande maioria dos eventos e estabelecimentos se rendem a moda massiva. Mas o alternativo é crescente. É possível ver inúmeros movimentos e coletivos que procuram expor a sua música e seus ideais de forma livre e independente”, avalia Karlo Kapo.

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), em 2015, no Brasil o mercado fonográfico teve um crescimento de 10,6%, impulsionado, principalmente, pelo crescimento da área digital, que já corresponde a 61% das distribuições de música. Em contrapartida, as vendas de álbuns físicos recuaram -19,3%. Isso demonstra a força do universo online – sobretudo nas plataformas de streaming e sites de reprodução de vídeo.

“A distribuição da música está diferente com a internet. As bandas estão cada vez mais profissionais, pois os músicos estudam mais e tem muita habilidade, além de feeling e, outra coisa, é que o ouvinte está diferente. Ele não ouve mais um disco cheio, a não ser que tenha uma mensagem direta, objetiva, além da identificação pessoal”, observam João Jardel e Victor Seara, da Poison or Medicine.

Mais do que exemplificar uma tendência no setor cultural, esses dados trazem uma oportunidade para os profissionais da música. Tradicionalmente o mercado se estruturou a partir da gravação de discos, área dominada pelas gravadoras, e a reprodução de canções em rádios, programas de televisão e shows. Porém, com o crescimento do acesso à internet e o surgimento de novos canais de divulgação, artistas têm encontrado um espaço interessante para a produção independente.

Mesmo sendo um canal de divulgação mais acessível para os músicos independente, a internet não é garantia de sucesso, afinal, parte do público ainda procurar por manifestações de qualidade e que, de alguma forma, possa lhes representar e entreter. Ainda assim, colabora para que o mercado possa caminhar sem as amarras das grandes empresas da indústria fonográfica.

“A internet é uma grande arma, mas não garante nada, pois é só um veículo que vai transmitir o seu trabalho. O foco ainda deve ser naquilo que você produz. Eu volto a falar dos movimentos independentes porque eles são uma grande porta para você se inserir no mercado, pois você trabalha com pessoas, então tem um ali que vai te escutar escuta e passar para um, para outro e o seu som acaba chegando no público”, avalia o rapper Thiago SKP.

Dessa forma, os canais de divulgação online, aliados aos processos colaborativos encabeçados por coletivos e movimentos culturais, contribuem para a renovação da cena musical em Itabira e no país. Mantendo, assim, o potencial criativo tão presente em nossa história.

Com o objetivo de apoiar a cena cultural local e dar visibilidade para os artistas que vêm produzindo e criando em Itabira, o 1º Movimento Trem das Gerais, que acontece no dia 17 de dezembro, às 12h, na espeteria Filé di Gato, reúne dez bandas independentes em um dia inteiro de muita cultura.

Clique aqui e conheça os artistas que agitarão o evento.

Os ingressos para o 1º Movimento Trem das Gerais já estão à venda na bilheteria do Filé di Gato(Avenida Mauro Ribeiro Lage, 776, Esplanada da Estação, Itabira, Minas Gerais) ou pela internet por meio do Sympla. Confira os valores:

  • 2º lote: R$ 15 (até o dia 10/12);
  • 3º lote: R$ 20 (a partir do dia 11/12).

O 1º Movimento Trem das Gerais conta com o apoio da Origami Propaganda, Pousada do Carmo, Laboratório Nossa Senhora das Dores (LNSD), Casa César, Zaga Consultoria Ambiental, Construtora Linhares, Sett Engenharia, Aplik Imóveis, Amo Pizza, Vibes Store, Funcesi e Santa Fúria Tatto Shop.

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A profissão é jornalista. A diversão é um livro. Mas também pode ser um filme ou uma série. O esporte é futebol - desde que acompanhado do sofá da sala. O universo digital exerce grande interesse. Não dispensa uma xícara de café ou um copinho de cerveja.