Morre o diretor de “O último tango em Paris”

O cineasta italiano Bernardo Bertolucci, morreu nesta segunda-feira, 26, aos 77 anos. A causa da morte, não foi revelada. A imprensa italiana se referiu a ela apenas como “uma longa doença.

Diretor de  filmes como “O último tango em Paris” (1972), Bertolucci era considerado o último grande diretor italiano. Isso porque, em 1987, ele recebeu o Oscar de melhor diretor por “O último imperador”e se tornou o único italiano a receber o prêmio. Além disso, a películas recebeu nove estatuetas, inclusive de melhor filme e melhor roteiro. Justamente por ser uma importante referência para o cinema italiano, em maio 2011, Bertolucci foi agraciado com a Palma de Honra, no Festival de Cannes, pelo conjunto de sua obra.

last-tango-in-paris-800x564Cena de “O último tango em Paris”

Mas nem só de louros ele construiu sua carreira. Nos últimos anos, por conta do crescente número de denúncias de assédio nos sets de filmagem mundo afora, o diretor se tornou alvo de incontáveis críticas. Um vídeo, divulgado publicamente, mostra que ele admitiu que, durante as filmagens de “O último tango em Paris”, uma das cenas de sexo não foi consentida.

O vídeo foi gravado em 2013, mas só se tornou polêmico quando uma ONG espanhola, em prol dos direitos das mulheres, o divulgou novamente em 2016. Nele, Bertolucci explicou que a atriz Maria Schneider (1952-2011) não tinha nem ideia de como seria a cena em que Marlon Brando (1924-2004), seu parceiro em cena, usa manteiga como lubrificante.

Essa deve ser uma das sequências mais famosas da história do cinema. Graças a ela, o filme recebeu indicações ao Oscar para os prêmios de melhor diretor e melhor ator para Brando. Justamente por isso, as declarações do diretor foram tão impactantes quando reveladas. Ele provocou ainda o repudio de mulheres mundo afora, inclusive diretoras e atrizes do cinema mundial.

Em suas declarações no vídeo de 2013, Bertolucci disse que a ideia surgiu um dia antes das filmagens e que ele decidiu não dizer à Maria Schneider o que aconteceria para que ela reagisse “como uma menina, não como um atriz”. Acontece que ela tinha apenas 19 anos. O diretor ainda deixou claro que não se arrependeu de sua decisão, mas sentiu-se culpado. O que atiçou ainda mais a ira dos movimentos feministas.

Na época, entrevistas com a atriz vieram à tona. Em 2007, ela afirmou ao tabloide “Daily Mail” que se sentiu humilhada e, de certa forma, estuprada, já que a cena não estava originalmente no roteiro e ela foi informada momentos antes de entrar no set. Maria contou ainda que não houve sexo real.

O QUE POUCA GENTE SABIA

Bernardo Bertolucci foi diretamente influenciado pelo pai em suas escolhas profissionais. Professor de história da arte, poeta, escritor e crítico de cinema, Attilio teve ligação direta no começo da carreira artística do filho, inclusive como poeta. Bertolucci chegou a ganhar diversos prêmios literários ainda na adolescência. Logo depois, cursou Literatura Moderna na Universidade de Roma, mas a paixão pelo cinema falou mais alto.

Seu primeiro longa, “A morte” (1962), foi lançado quando ele tinha apenas 21 anos e foi recebido negativamente pela crítica! Oito anos depois, “O conformista” (1970) surpreendeu a todos, lhe rendendo indicação ao Oscar de melhor roteiro adaptado. Ainda na década de 70, após lançar “O último tango em Paris”, o italiano se firmou no mercado e suas produções atraíram nomes de peso como Robert De Niro e Gérard Depardieu.

Daí pra frente, seu sucesso foi crecente e não lhe faltaram elencos estrelados como John Malkovich em “O céu que nos protege” (1990); Keanu Reeves em “O pequeno Buda” (1993) e Jeremy Irons e Liv Tyler em “Beleza roubada” (1996). Seu último longa foi “Eu e você”, lançado em 2012.

bernardobertolucci-livtylerBertolucci dirigindo Liv Tyler

Apesar de ter virado o centro de polêmicas e discussões sobre ética, assédio e machismo, Bertolucci construiu uma carreira sólida, constante e rica. Sua produções tinham assinatura própria. Seu jeito de dirigir tirava dos atores em cena a intensidade que os personagens pediam. Sem dúvidas, o cinema perde, hoje, um de seus grandes diretores!

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras