Morre aos 71 anos a atriz Elke Maravilha

A terça-feira começou mais triste. Faleceu, no início da madrugada desse 16 de agosto, no Rio de Janeiro, aos 71 anos, a atriz Elke Maravilha após passar por uma cirurgia para tratar uma úlcera. A artista estava internada desde o final de junho na Casa de Saúde Pinheiro Machado, no bairro de Laranjeiras, na capital fluminense.

Antes de ser internada, Elke Maravilha se mostrava ativa e circulava pelo país com o espetáculo “Elke Canta e Conta”, em que relatava passagens da sua vida: a infância na Rússia, país em que nasceu, os vários casamentos e a sua experiência como modelo, apresentadora e jurada de programas de calouros.

O aviso de falecimento foi transmitido por meio da página oficial da atriz no Facebook: “Avisamos que nossa Elke já não está por aqui, conosco. Como ela mesma dizia, foi brincar de outra coisa. Que todos os deuses, que ela tanto amava, estejam com ela nessa viagem. ‘Eros anikate mahan’ (O amor é invencível nas batalhas). Crianças: conviver é o grande barato da vida, aproveitem e convivam”.

História

Nascida em 1945, na Rússia, Elke Grunnupp chegou ao Brasil ainda criança para morar com a família em um sítio em Ipoema, distrito de Itabira, em Minas Gerais. A passagem pelas terras mineiras a aproximou da obra de Carlos Drummond de Andrade. Elke Maravilha se tornou uma grande divulgadora do trabalho do escritor e poeta itabirano.

Aos 24 anos começou a trabalhar como modelo e manequim e, posteriormente, iniciou a sua carreira televisa ao participar da “Discoteca do Chacrinha”. A partir daí foi figura presente em novelas, filmes e peças teatrais – época em que adotou o nome pelo qual ficou conhecida: Elke Maravilha.

Elke Maravilha sempre se considerou anarquista. Durante a Ditadura Militar no Brasil chegou a ficar presa por seis dias por desacato, após rasgar um cartaz de procurado com a foto de Stuart Angel Jones, filho da estilista Zuzu Angel, grande amiga da atriz.

Em 2006, Luana Piovani interpretou Elke Maravilha no filme “Zuzu Angel”, dirigido por Sérgio Rezende, que conta a luta da estilista para encontrar o filho desaparecido durante a Ditadura Militar. A própria Elke fez uma participação no longa.

A última passagem da atriz por Ipoema, terra que a abrigou na infância e por qual nutria grande carinho, foi em 2012, quando foi madrinha e participou da abertura da 2ª Mostra de Cinema de Ipoema – CineIpoema.

Homenagem

Na sexta-feira, 19 de agosto, às 18h, a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) irá exibir no Memorial Carlos Drummond de Andrade o longa “A Noiva da Cidade”, de 1976, e que tem Elke Maravilha como protagonista. Esse foi o último filme que teve a participação do cineasta Humberto Mauro.

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