Maternidade, carreira e música autoral são os focos da sambista mineira Júlia Rocha

Quando me recebeu minutos antes de subir no palco do Bar do Festival, na Fazenda do Pontal, a cantora Júlia Rocha amamentava, tranquilamente, a filha Gabriela. Com quatro meses de vida a pequena já acompanha a mãe em alguns dos shows que ela vem fazendo para divulgar seu primeiro CD autoral, “Cheiro de Flor”.

Sempre sorridente e simpática, Júlia contou que não é fácil administrar a maternidade, a rotina de shows e a carreira como médica. “Tem aquela história de que é preciso uma vila inteira para cuidar de uma criança. A minha vila funciona muito bem porque eu tenho minha irmã que vem com a gente e cuida da minha filha enquanto a fazemos o show, a minha mãe, minha amiga Dani Ribeiro. E, claro, o Átila que é meu marido, meu produtor, meu músico e que me dá uma muita força e apoio, participando ativamente dos cuidados com a Gabi, com a casa e com a carreira. Se fosse para eu fazer sozinha, certamente eu não conseguiria”, conta.

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Conhecida já há algum tempo do público itabirano, Júlia conta que vive um caso de muito carinho com a cidade. “Ano passado, também no Festival de Inverno, eu cantei grávida, sem saber que eu estava grávida. Agora é uma comemoração. A gente já tem uma história com Itabira que vem de tempo e construímos uma relação muito bacana com a cidade e com o pessoal daqui. Eu inclusive fiz muitos amigos aqui. Então, voltar é sempre uma alegria”, ressalta.

Na estrada há muitos anos, Júlia comemora o sucesso de seu CD autoral. “É como sonhar por algo durante 15 ou 20 anos e de repente ver aquilo se concretizando da forma mais linda possível. Lançamos o CD num teatro lindo em BH, recebemos o público de uma forma mais confortável e tocamos as nossas músicas. É realmente o primeiro tijolinho de um trabalho que a gente quis firmar bem para ter uma fundação e uma estrutura para poder crescer”, comemora.

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Ela explica ainda que, apesar do imenso desejo de investir em músicas autorais, não se imaginava como uma referência ou uma inspiração para quem busca o mesmo caminho. “Eu percebo pessoas se reportando a mim como uma fonte de inspiração pelo caminho que a gente está trilhando e  acho plausível porque realmente é uma luta muito difícil. Nosso país tem uma tradição de não dar valor nem à cultura e nem à arte. Além disso, essa construção do público é muito difícil. Então, conseguir registrar esse momento de carreira e de vida através de um CD foi realmente uma vitória. A gente lutou muito, mas foi uma vitória doce”, explica.

Júlia e sua banda se preparam para desbravar novos públicos com o show “Cheiro de Flor”. Em agosto, eles se apresentam em Salvador. “Para mim está sendo um desafio sair de Belo Horizonte e de Minas Gerais. Em Salvador, nós fomos no ano passado fazer algumas rodas de samba que não eram com essa pegada autoral. Agora a gente vai com show, cenário e figurino para uma cidade tão distante e é realmente uma aposta. Ainda assim, estou com muita fé de que vai dar certo”, encerra com um sorriso no rosto.

Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho e da carreira de Júlia Rocha pode acessar suas redes sociais:

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras