Mais uma grande perda para o Brasil: morre Ricardo Boechat

O jornalista, apresentador e radialista Ricardo Eugênio Boechat morreu no início da tarde desta segunda-feira, 11, aos 66 anos, em São Paulo. Ele voltava de uma palestra no interior do Estado quando o helicóptero em que estava caiu na Rodovia Anhanguera e bateu na dianteira de um caminhão que passava pelo local. Ronaldo Quattrucci, piloto da aeronave também morreu no acidente.

Boechat, atualmente, ancorava Jornal da Band e da rádio BandNews FM. Além disso, fazia parte do time de colunistas da revista “IstoÉ”. Respeitado, ele trabalhou em vários dos principais jornais brasileiros: “O Globo”, “O Dia”, “O Estado de S. Paulo” e “Jornal do Brasil”. Foi ainda colunista diário no “Bom Dia Brasil”, na TV Globo, e trabalhou no “Jornal da Globo”. Também foi diretor de jornalismo da Band e teve passagem pelo SBT.

Boechat ganhou três vezes o Prêmio Esso, um dos principais do jornalismo brasileiro. A morte do jornalista entristeceu todo o meio jornalístico nacional que via nele um exemplo de ética e profissionalismo. A comoção atingiu também políticos e personalidades.

História de respeito

Ricardo Boechat nasceu em 13 de julho de 1952, em Buenos Aires, quando o pai, diplomata, residia no país a serviço do Ministério das Relações Exteriores na Argentina. Ele começou a trabalhar assim que deixou a escola, em 1969, após um período de militância em que fez parte do quadro de base do Partido Comunista em Niterói (RJ).

O pai de uma amiga, diretor comercial do “Diário de Notícias”, foi quem o convidou. E uma de suas primeiras notinhas tinha um depoimento exclusivo sobre Pelé, o que assegurou seu espaço no jornal. Pouco tempo depois passou a escrever na coluna de Ibrahim Sued (1924-1995). Durante os 14 anos seguintes, o trabalho tão próximo com Sued, se tornou um período decisivo para sua formação profissional.

Boechat chegou a dar um depoimento dizendo que essa foi a melhor escola que poderia ter sobre procurar informações. “Por trás de mim o primeiro e maior dos pitbulls que eu já conheci, que era Sued, rosnando no meu ouvido 24 horas por dia”, declarou. Nessa época, ele já estava com Sued no “O Globo”.

Em 1983, ele passou a escrever para o “Jornal do Brasil”, a convite de Zózimo Barroso do Amaral, mas durou pouco tempo. Logo estava de volta ao “O Globo” na coluna “Swann”. Ficou por lá até 2001 assumindo a titularidade de uma coluna que levava o seu nome.

Em 2005, ele estreou no Grupo Bandeirantes de Comunicação por meio da BandNews FM. Lá foi âncora do jornal matinal da filial no Rio de Janeiro. No ano seguinte, Boechat também se tornou âncora do principal jornalístico das manhãs da rede após a saída de Carlos Nascimento. Assim, assumiu ainda a cadeira do “Jornal da Band”, na Rede Bandeirantes.

Boechat se tornou uma das principais figuras da rádio e da TV o que fez com que, ao longo de toda a sua carreira, acumula-se prêmios, elogios, parceiros e amigos. Foi o recordista de vitórias no Prêmio Comunique-se, em que os profissionais ativos na área têm seu trabalho reconhecido nacionalmente. Ele, inclusive, foi o único a ganhar em três categorias diferentes: Âncora de Rádio, Colunista de Notícia e Âncora de TV.

Anúncio na Band

O apresentador José Luiz Datena, anunciou a morte do amigo às 13h51 durante programação da emissora. Claramente abalado e emocionado ele disso que “com profundo pesar, desses quase 50 anos de jornalismo, cabe a mim informar a vocês que o jornalista, amigo, pai de família, companheiro, que na última quarta, que eu vim aqui apresentar o jornal, me deu um beijo no rosto, fingido que ia cochichar alguma coisa, e, no fim, brincalhão como ele era, falou: ‘É, bocão, eu só queria te dar um beijo’. Queria informar aos senhores que o maior âncora da televisão brasileira, o Ricardo Boechat, morreu hoje num acidente de helicóptero, no Rodoanel, aqui em São Paulo”.

 Boechat deixa a esposa, Veronika; seis filhos; um sem número de amigos; milhares de admiradores e a sensação de que 2019 tem se mostrado um ano bastante triste.

Nós, do Trem das Gerais, acompanhamos, nos espelhamos e admiramos o profissional admirável e respeitável que Ricardo Boechat sempre foi. Para nós, jornalistas por profissão e paixão, a comunicação perde um grande nome. Mais que isso, a sociedade brasileira perde um homem consciente de seu papel social como jornalista e um profissional sério, ético, direto, corajoso e sem medo de dar a notícia, seja ela qual fosse.

Tatiana Linhares

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras