Livro reúne cartas de Mário de Andrade para Carlos Drummond de Andrade

Mário de Andrade já era um dos destaques do movimento modernista brasileiro quando, em 1924, resolveu passear pelas montanhas mineiras. E foi na capital do Estado, Belo Horizonte, que começou os contatos com Carlos Drummond de Andrade – um intelectual que ainda não havia apresentado ao mundo os seus versos e crônicas.

Foi esse momento que deu início a uma amizade que perduraria e amadureceria pelos próximos anos. Os 20 anos subsequentes para ser mais exato. A troca de correspondência entre os dois escritores só cessaria em 1945, quando Mário de Andrade veio a falecer.

As mensagens e diálogos tiveram que ser interrompidos, mas Carlos Drummond de Andrade reuniu essas preciosidades e que agora ganham um livro próprio. “A lição do amigo”, lançado pela Companhia das Letras, reúne 91 cartas, telegramas e bilhetes que o poeta itabirano recebeu do amigo paulista.

Nas 437 páginas do livro, o leitor é testemunha do diálogo entre dois dos principais escritores brasileiros. As mensagens, carregadas de afeto e inteligência, abordam o mundo que esses intelectuais viveram. As conversas sobre a natureza da poesia e o labor artístico no Brasil estão lá registradas.

Mas é na abordagem trivial do dia a dia que reside a beleza ímpar desse documento: as contas do mês a serem pagas, os conselhos sobre casamento, a encomenda de livros e até mesmo as decepções políticas. “A lição do amigo” é mais que um diálogo entre o mestre e o jovem poeta que o acompanha – é a troca de experiência entre dois compadres que compartilharam às mudanças de uma época, sejam elas no campo pessoal, artístico ou social.

Os autores
Mário Raul de Morais Andrade foi poeta, contista, crítico e pesquisador musical. Considerado um dos grandes nomes da cultura nacional, foi um dos fundadores do modernismo brasileiro. Idealizou, junto com Oswald de Andrade e outros artistas da época, a Semana de Arte Moderna de 22. Entre as suas obras estão os livros “Macunaíma” e “Contos Novos”.

Já Carlos Drummond de Andrade se notabilizou pelo seu trabalho poético. Nasceu em Itabira, formou-se farmacêutico em Belo Horizonte, onde também trabalhou como redator, e tornou-se funcionário público em 1934, quando fixou residência no Rio de Janeiro. Na ocasião foi nomeado chefe de gabinete de Gustavo Capanema, que acabara de se tornar ministro da Educação e Saúde Pública. Entre os seus livros estão “A Rosa do Povo”, “Declaração de Amor”, entre outros.

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