Itabirano Ricardo Trovinny conta um pouco de sua trajetória de sucesso como dançarino de dança do ventre

“Desde criança sempre me destaquei na dança: ensinava os coleguinhas para datas comemorativas na escola, dava aula para os parentes em festas de família… fui até apelidado, carinhosamente, de ‘Jacarezinho’, por causa do dançarino Jacaré, do grupo É o Tchan”, conta o itabirano Ricardo Trovinny. Hoje, aos 27 anos, ele mostra que o talento natural manifestado desde infância virou arte!

Este ano, Ricardo Trovinny participou pela primeira vez do maior evento de danças árabes do mundo, o “Mercado Persa Brasil”, realizado na cidade de São Paulo. Além de shows, palestras, mostras de danças e feira, o evento promove um importante concurso de dança. “Essa foi minha estreia em concursos de dança do ventre. Participei da categoria ‘Solo Star Masculino’ concorrendo com bailarinos profissionais de todo o Brasil. Confesso que fiquei surpreendido e emocionado com o resultado de 4º Lugar. Mas não consegui isso sozinho. Tive o apoio da Livraria e Papelaria Zenith, que me patrocinou, bem como a ACD-Betim, além da coreógrafa Carla Silveira, a estilista Carol Souza e a confecção Ateliê Chris Saphira”.

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O bom resultado foi uma confirmação de anos de dedicação à dança. Apesar de dançar todo tipo de ritmo, a dança do ventre sempre foi uma paixão. Então, aos 15 anos, incentivado por uma amiga, fez sua primeira apresentação pública. “Dali pra frente não tive mais controle sobre os inúmeros convites para shows. Uma das principais portas que se abriram foi a das apresentações no evento ‘Quinta Cultural’, durante Festivais de Inverno de Itabira, organizado por José Norberto que hoje é meu produtor”, relembra.

E não parou por aí. Ainda nessa época, Ricardo Trovinny também integrou o grupo MAKTUB de dança do ventre e viu seu talento ganhar força. Autodidata, foi aprendendo tudo sozinho. “Nesta época tive somente uma professora, mas ela não gostou muito de um homem se destacar com a dança. Hoje eu brinco, mas não era fácil aguentar os insultos!”, explica.

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Ainda assim, o caminho continuava a se abrir diante de Ricardo. Aos 18 anos, ele se apresentou no Festival Internacional de Danças da Amazônia, no palco de um dos teatros mais luxuosos do Pará, o Teatro da Paz. “Esse evento me marcou muito, pois pude dividir o palco com grandes nomes da dança como Carlinhos de Jesus, Ana Botafogo e Carla Silveira”, lembra.

Hoje, como bailarino independente, Ricardo estabeleceu fortes parcerias com grupos e companhias de danças em Belo Horizonte e outras cidades mineiras. Em sua agenda de apresentações, ainda gerenciada e organizada por ele, se divide entre shows e estudos. “Estou sempre com uma grande carga horária de estudos fazendo workshops com grandes nomes da dança mundial, como Madame Raqia Rassan e Soraia Zaied, ambas dançarinas e coreógrafas egípcias”. Também há espaço na agenda para os cuidados com o corpo e condicionamento físico. “Eu encontrei no pilates todo o complemento que eu precisava para ajudar o meu corpo a desenvolver a minha dança”, conta.

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Ricardo destaca que mesmo tendo total consciência de seu talento e de seu inegável sucesso artístico, viver da dança no Brasil é muito complicado. “Infelizmente, a dança é o meu HOBBY favorito, pois ainda não me sustento dele. Eu consigo manter meus estudos e aprimoramentos na dança trabalhando como cabeleireiro e maquiador”, relata.

Sediado em Belo Horizonte, Ricardo Trovinny se ressente por não ter visto sua arte ganhar notoriedade em terras itabiranas. “Fico triste quando penso na cultura de Itabira que, no meu ponto de vista, vem caindo cada dia mais e mais. Eu, assim como boa parte dos meus amigos artistas da cidade, tive pouquíssimas oportunidades. O que vejo são espaços culturais como o teatro, a Concha Acústica e até as praças abandonados! Há uma burocracia desnecessária que impede que os artistas possam usufruir destes espaços. Ainda tenho o sonho criar um festival de danças árabes em Itabira, mas senti na pele as dificuldades de fazê-lo: elaborei e apresentei o projeto ao órgão municipal de cultura e até hoje espero uma resposta oficial”, lamenta.

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Essa realidade não o desanimou. Buscou outros meios e vem se realizando artística e pessoalmente. “Agradeço muito por haver pessoas que me motivam a ir cada vez mais longe, em busca de realizar os meus sonhos. Cada palavra de carinho recebido em cada foto e vídeo postado, realmente não tem preço. Agradeço todos os dias a Deus por este dom maravilhoso e à minha família que eu tanto amo e que sempre está comigo sendo a minha estrutura e inspiração por ser cada dia melhor!”, comemora.

E Ricardo Trovinny gostou mesmo de participar de concursos, o próximo em que ele irá se apresentar acontece ainda este ano, em Curitiba. Ele concorrerá a categoria “Bellydance Masculino” do Festival Internacional de Dança Árabes, entre os dias 6 e 8 de outubro. “Conhecendo o mundo da dança como eu conheço, vejo que realmente é um universo incrível onde nos tornamos uma família. Somos unidos e sempre prontos para ajudar ao próximo semeando amor, luz e alegria!”, conclui.

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Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho do Ricardo Trovinny pode acessar suas redes sociais:

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras