Há 50 anos os Beatles subiam no telhado, literalmente!

Se você, assim como eu, tem menos de 50 anos, não teve o privilégio de viver na mesma época em que os jovens garotos de Liverpool tocavam seu rock, encantavam meninas apaixonadas mundo afora e surpreendiam a crítica com suas músicas de letras complexas e melodias mais ainda. Os Beatles conseguiram uma façanha que ninguém tirou deles: ser a maior banda de rock do mundo.

Em 1969, eles já tinha chegado à gloria de sua carreira. Diversos álbuns lançados, músicas icônicas, fãs enlouquecidos e diversos prêmios. Isso não os impediu de realizar um dos seus feitos mais lembrados: subir no telhado do prédio da Apple, em Londres, e fazer um show surpresa do alto do edifício. Eles não foram pioneiros nessa ideia. Um ano antes, em Nova York, os americanos do Jefferson Airplane, furtivamente, conseguiram tocar uma música em cima do Schuyler Hotel, antes que a polícia acabasse com a festa.

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No caso dos Beatles, eles conseguiram tocar mais do que uma música! O que tornou esse um feito histórico foi o fato de, involuntariamente, essa ter se tornado a última vez que a banda tocou em público (ou quase isso), depois de quase três anos fora dos palcos. Durante 42 minutos que passaram voando, o show improvisado deixou claro o que nem produtores, nem integrantes da banda e nem fãs queriam admitir: os Beatles estavam chegando ao fim.

Como tudo aconteceu

A relação entre os quatro ingleses já estava bastante desgastada nessa época e a pressão comercial impulsionou os Beatles a produzir um disco e um filme que capturasse a verdade do seu processo criativo. Eles sentiam a necessidade de voltar ao princípio e mostrar como produziam, sem artifícios de estúdio, o rock’n’roll puro do começo da carreira.

Assim, surgiu a vontade de gravar algo ao vivo, num espaço que, nem de longe, lembrasse de alguma forma um estúdio. Todo tipo de ideia maluca foi cogitada: antigos teatros, navio de cruzeiro e até o deserto do Saara. Não há uma concordância quanto a de quem foi a ideia de se gravar no telhado da Apple, mas pareceu o mais fácil de organizar para uma gravação em cima da hora.

O que todo mundo concorda é que o vento e o frio que fazia em Londres, por volta do meio-dia, daquele 30 de janeiro de 1969, fez com que George, John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e o tecladista convidado Billy Preston (americano que eles conheceram em 1962, quando excursionaram com Little Richard) soltassem os primeiros acordes encasacados e com as mãos geladas.

Cada um dos movimentos dos Beatles foi registrado por diferentes câmeras, sob a direção do americano Michael Lindsay-Hogg. Ao mesmo tempo, no porão do prédio, gravadores de oito canais controlados pelo produtor George Martin, o engenheiro de som Glyn Johns e o operador de fita Alan Parsons gravavam cada nota executada pelos artistas.

O que se tem registro é que quando eles começaram a tocar, na hora exata em que as pessoas saíam para o almoço na rua, ouve um burburinho de: que som era aquele que todos ouviam ressoar entre os prédios. Além dos Beatles, em cima do telhado estava apenas Maureen Starkey (mulher de Ringo), Yoko Ono (mulher de Lennon) e a equipe técnica. Mas no entorno, funcionários das firmas vizinhas, se espremiam nos terraços e telhados próximos para ver tudo do melhor ângulo.

Lennon, desacostumado de se apresentar ao vivo, precisou ler cartazes com algumas das letras das músicas. Isso não tirou o brilho do “último show dos Beatles”. Eles já estavam na sexta música quando uma câmera montada na recepção registrou o momento em que os primeiros policiais entraram no prédio para mandar a banda parar com o barulho!

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Desfechos

Algumas das gravações daquele dia, como as músicas “One after 909”, “Dig a pony” e “I’ve got a feeling” entrarm em “Let it be”, o último álbum da banda que chegou às lojas em maio de 1970. Logo depois, Paul McCartney anunciou sua saída e, decretou o fim dos Beatles. Lennon foi assassinado dez anos depois. George Harrison sucumbiu ao câncer em 2001. O prédio da Apple hoje abriga, no térreo, uma loja de roupas infantis.

Mas, aquele show histórico nunca saiu da memória dos fãs e dos artistas que sempre admiraram a banda. O ato revolucionário inspirou videoclipes de outras bandas depois. É o caso do U2, em 1987, tocando “Where the streets have no name”, numa rua em Los Angeles, até a chegada da polícia, e do Ultraje a Rigor que parou a Avenida Paulista, com uma apresentação em cima do Top Center, para lançar o LP “Sexo!!”.

Confira um dos vídeos desse dia histórico!

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras