Funai estabelece contato com índios isolados depois de 20 anos

A Fundação Nacional do Indio (Funai) acaba de realizar a maior expedição dos últimos 20 anos. O objetivo foi fazer contato com índios isolados. O resultado, até agora, foi o melhor possível: encontro pacífico e marcado pelo reencontro de parentes indígenas.

Um dos temas dos diálogos foi evitar conflitos por terras. Isso porque o grupo de índios contatados foi os Korubo, na Terra Indígena (TI) Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas. Eles permanecem totalmente isolados.

A expedição foi considerada de risco, mas um possível contato inadvertido com tribos de outras etnias, que vivem na região, poderia gerar um conflito perigoso. Assim, a Funai abriu mão da política de “zero contato” com índios isolados adotada desde 1987.

A equipe da expedição era composta por 30 pessoas, entre profissionais de saúde, servidores da Funai, da Secretaria de Saúde Índigena (Sesai) e índios já contatados da região. O processo de aproximação incluiu uma quarentena de 11 dias para se livrar de gripes e evitar a contaminação dos índios com doenças. Depois a equipe permaneceu oito dias na mata em busca dos Korubo.

A equipe de intérpretes era formada por índios Korubo já contatados, parentes que tinham se perdido do grupo dos Korubo isolados em 2015. Segundo a Funai, os primeiros a serem encontrados foram dois indígenas isolados que caçavam. Houve muita emoção ao descobrir que um deles era irmão um dos integrantes da expedição.

Graças ao contato pacífico, cerca de 30 indígenas que estavam nas proximidades, também foram ao encontro da expedição. Os adultos tem entre 20 e 48 anos, entre elas há mulheres grávidas. Já as crianças e adolescentes tem idade variadas que vão desde bebês de colo até jovens de 16 anos.

Apesar de bem sucedida, a expedição ainda não terminou. A ação ainda segue com o contato para entender quais os limites que eles habitam, com quem podem vir a ter contatos e os comportamentos culturais dos índios isolados.

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