Filme brasileiro arranca aplausos em exibição em Berlim

O cinema brasileiro continua chamando a atenção do mercado internacinal. Dessa vez, a ambiguidade sexual da protagonista de “Meu nome é Badgá”, garantiu uma estreia repleta de aplausos, na última segunda-feira, 24 de fevereiro, na mostra Generation do 70ª Festival de Berlim.

O filme conta a história da menina que só tem sua escolha de gênero questiona ou atacada fora do seu círculo de amigos ou do ambiente familiar.  Bagdá, a personagem-título, recebe o apoio incondicional das duas irmãs e da mãe (interpretada pela cantora Karina Buhr), manicure de um salão da Freguesia do Ó, na periferia de São Paulo, onde trabalham mulheres hétero, gays e transexuais.

Em entrevista ao jornal O Globo, Caru Alves de Souza, diretora do longa, explica que esse é um filme dominando por mulheres fortes, que não precisam sofrer ou fazer papel de vítima para testar a força que têm. “Percebo hoje que as mulheres se sentem mais fortalecidas pelos laços que constroem entre elas. Sentem-se mais fortes quando estão juntas, atuando coletivamente, do que quando buscam soluções individuais para seus problemas”.

“Meu nome é Bagdá” abriga diferentes aspectos das questões de gênero e lutas feministas a partir da experiência da personagem principal, que se veste e age como um garoto. Interpretada por Grace Orsanato, ela é a única menina a frequentar a pista de skate do bairro. Mas esse é uma atitude que abre caminho para outras.

A trama foi inspirada no livro “Bagdá — O skatista”, de Toni Brandão, lançado em 2009. O livro é centrado na figura de um menino. A versão de Caru mudou esse ponto de vista e absorveu os questionamentos sobre gênero e identidade.

“Durante o laboratório de criação do projeto, tive como consultora a Laurence Coriat, que fazia os roteiros do (cineasta britânico) Michael Winterbottom. Ela percebeu que eu passava horas falando sobre Tatiana, prima do protagonista, e única personagem feminina da história do Brandão, e me disse: “Acho que você não quer contar a história do Bagdá, mas a da Tatiana”. E era verdade!”, confirma Caru.

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