Falhas técnicas, surpresas musicais e muito frio: um balanço do Festival de Inverno de Itabira

O 42º Festival de Inverno de Itabira terminou no último domingo, 24 de julho, da mesma forma como começou: algumas falhas técnicas e pouca participação do público itabirano. A última noite do evento contou com as apresentações do itabirano Jésus Henrique e do grupo pernambucano Mundo Livre S.A.

Logo em sua cerimônia de abertura, ocorrida no dia 1º julho, na galeria da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), o som apresentou falhas durante a apresentação do grupo de dança Tumbaitá. Essas falhas voltaram a acontecer na noite do mesmo dia, quando músicos do projeto “Itabiranos em Cena” e a sambista belorizontina Aline Calixto subiram ao palco da praça do Areão para dar início ao principal evento cultural da cidade.

Na ocasião, sucessivos apagões elétricos interromperam os shows em diversos momentos, o que tirou parte do brilho da abertura do Festival de Inverno. Problemas no equipamento técnico também ocorreram, o que levou Aline Calixto a cantar uma música inteira sem que o som saísse do seu microfone. Tudo isso sob o olhar de um público pequeno, tendo em vista a capacidade da praça do Areão.

Esses erros voltaram a se repetir no encerramento do Festival de Inverno. Jésus Henrique fez uma apresentação com eficiência técnica, mas um repertório pouco inspirado. Já o Mundo Livre S.A., principal atração da noite, conviveu com algumas falhas: no meio da apresentação foi necessária realizar uma troca de equipamentos e a guitarra elétrica não pôde ser usada, o que reduziu o repertório preparado para o show.

Apesar dessas falhas, os músicos do Mundo Livre colocaram o público itabirano – que, assim como na abertura, compareceu em pouco número – ao som do mangue beat, movimento cultural do qual o grupo faz parte. Um espetáculo que transcorreu entre a eficiência técnica, mistura rítmica e uma energia contagiante.

Surpresas musicais

O Festival de Inverno é um evento que promove o acesso do público à produção cultural, principalmente ao apresentar novos produtos culturais que não estão presentes no mainstream. Neste ano, o Bar do Festival, na Fazenda do Pontal, reuniu algumas das melhores surpresas do evento com apresentações de alta qualidade.

Mesmo que no meio do Festival de Inverno algumas das apresentações previstas para a Fazenda do Pontal, e que constavam na agenda oficial do evento, tenham sido alteradas, o que causou alguma confusão em parte do público que não tomou conhecimento das mudanças. Assim, as expectativas em torno de alguns artistas não puderam ser confirmadas.

Logo no primeiro dia do Bar do Festival, a banda Dom Pescoço impressionou com o seu rock alternativo. A cantora Tania Azze encantou em suas interpretações – sobretudo da cantora Amy Whinehouse. A qualidade das apresentações também foi observada com os jazzistas do UaiBah, dos sambistas do Cromossomo Africano, no pop do DuoPlay e no suingue do Zevinipim.

Descentralização

A variação dos locais da cidade que receberam apresentações do Festival de Inverno também chamou a atenção. Diversificar os palcos é um mecanismo para ampliar o alcance do evento e, ao utilizar as praças itabiranas, incentivar a ocupação dos espaços públicos. Além disso, os shows reservados para esses lugares tiveram grande qualidade musical.

Na praça do Pará, a banda Palo Seco investiu na música autoral e mostrou que em Itabira tem artistas com produções próprias bastante interessantes. Já na praça do Santa Tereza, Karlo Kapo apresentou o álbum “Karlo, de Bem com a Vida”, que faz uma homenagem ao músico e poeta Newton Baiandeira. E na praça Dr. Acrísio Alvarenga, Thiago Skp fez o pré-lançamento do álbum “Malabarista do Caos”, mais um bom exemplar da crescente cena hip hop na cidade.

O Memorial Carlos Drummond de Andrade recebeu a apresentação mais interessante do projeto “Itabiranos em Cena”. Ednardo, Genésio Reis, Matheus Maia, Clevinho Martins e Fernando Cotonete subiram ao palco para mostrar composições próprias e destacar a produção cultural local. O belo espetáculo, porém, foi acompanhado por um público pequeno – como foi a tônica desta edição do Festival de Inverno.

Alguns números do 42º Festival de Inverno de Itabira

  • 24 dias de evento;
  • Mais de 70 atrações gratuitas entre literatura, teatro, performance, cinema e shows musicais;
  • Mais de 20 oficinas de arte, música, artesanato, brincadeiras, entre outras;
  • Investimento estimado de R$ 220 mil.

Em tempo

O Festival de Inverno chegou ao fim, mas a FCCDA anunciou que o Bar do Festival ainda funcionará por mais dois dias. Está previsto que na quinta-feira, 28 de julho, e sexta-feira, 29 de julho, o espaço funcione normalmente. A programação para esses eventos ainda não foi divulgada.

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