Exposições da Ocupação de Artes Visuais da FCS refletem diferentes processos da criação

Abertura das mostras terá ocupação performática da Cia. de Dança Palácio das Artes no encerramento da exposição “Corte”, de Amilcar de Castro

Em sua 12ª edição, o Edital de Ocupação de Artes Visuais, da Fundação Clóvis Salgado (FCS), traz para as galerias do Palácio das Artes as exposições dos artistas selecionados Lorena D’arc, com “Leite Derramado”, Renata Cruz, em “Para sempre e um dia”, e Rodrigo Arruda, na mostra “Ecos”.

Criados a partir de diferentes suportes, os trabalhos têm, em comum, a arte em processo, seja pela pesquisa artística, pelo resgate de técnicas quase obsoletas ou pela essência questionadora da contemporaneidade. Os artistas vão ocupar as galerias Mari’Stella Tristão, Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta, respectivamente.

A mineira Lorena D’arc apresenta o resultado de uma longa pesquisa em artes visuais que relaciona dois elementos naturais: o leite e a lama, tendo o feminino como ponto de inspiração para as obras. A exposição da paulista Renata Cruz reúne uma técnica quase artesanal, a aquarela, cuja inspiração vem do exercício contínuo de observar o cotidiano e trivial. Já a exposição do também paulista Rodrigo Arruda tem o vazio de uma galeria como elemento fundamental para a concepção do trabalho.

Realizado desde 2015, o Edital de Ocupação de Artes Visuais é uma importante ferramenta de estímulo à produção artística em âmbito nacional, permitindo o acesso do público a diferentes linguagens.

De acordo com a presidente da Fundação Clóvis Salgado, Eliane Parreiras, essa iniciativa abre as portas do Palácio das Artes às mais variadas propostas artísticas. “O Edital de Ocupação de Artes Visuais da FCS é reconhecido por sua diversidade. A cada edição, artistas de Minas e de outros estados ocupam nossas galerias com as mais variadas propostas. O fomento a essa identidade diversa é uma importante diretriz, a qual temos nos atentando sempre”, destaca.

O Edital de Ocupação de Artes Visuais FCS é uma iniciativa consolidada como evento de destaque no cenário artístico nacional. Como premiação, cada artista recebe R$ 4.000,00 para a montagem das exposições, além de apoio da FCS na divulgação. Artistas como Adriana Maciel, André Griffo, Claudia Tavares, Eder Oliveira, Juliana Gontijo, Luiza Baldan, Nydia Negromonte, Patricia Gouvêa, Ricardo Burgarelli e Ricardo Homen já tiveram seus trabalhos contemplados em outras edições.

Leite Derramado, Lorena D’arc

Professora de cerâmica da Escola Guignard-Uemg, Lorena D’Arc Oliveira, tem na pesquisa artística o ponto de partida para essa exposição. Retornando ao Palácio das Artes após 20 anos desde sua última exposição individual na instituição, a artista conta para o público uma história de inspiração que começou ainda em 2009, quando teve um sonho em que derramava leite sobre a terra. A partir daí a linha de estudos se voltou para dois elementos carregados de simbolismos e significâncias: o leite e a terra. Da fertilidade ao feminino, cada obra contida na exposição permite diferentes possibilidades interpretativas.

São 19 trabalhos criados em diferentes suportes, para abordar a materialidade do leite e do barro. Cerâmicas, desenhos, fotografias e instalações estarão reunidas na Galeria Mari’Stella Tristão, em diferentes séries: “Caminhos do Leite”, “Derrame”, “Ocas e lácteas”, “Audumla”, “Leite para Gaia”, “Do lácteo à lama”, “Ártemis”, “Mamíferas”, “19”, “Manga com Leite”, “Árvore Láctea” e “Liames”.

Lorena D’Arc é artista multimídia, graduada em Artes Plásticas pela Escola Guignard-Uemg, mestra em Artes pela ECA-USP e doutora em Artes Visuais pelo IA-Unesp. Participou de diversas exposições coletivas nacionais e internacionais e recebeu prêmio na 2nd Shanghai International Modern Pot Art Biennial Exibition, Shanghai, China (2010), menção honrosa no 2º Salão Nacional de Cerâmica de Curitiba/PR em 2008.

Para sempre e um dia, de Renata Cruz

O simples ato de observar o cotidiano e transformá-lo em arte norteia o trabalho da paulista Renata Cruz. Em sua mais recente exposição, “Para sempre e um dia”, a artista vai transformar a Galeria Arlinda Corrêa Lima em uma casa japonesa de papel, recoberta por azulejos portugueses.

As imagens são em sua maioria desenhos realizados em residências artísticas no Japão e em Portugal entre 2015 e 2016, mas há também trabalhos posteriores com elementos do seu ateliê em São Paulo e das viagens à Floresta Amazônica.

Cerca de 600 desenhos de mesmo tamanho serão afixados nas paredes da galeria, relacionando a arquitetura do espaço à afetividade proposta por Renata, ao mesclar suas experiências tanto no Japão quanto em Portugal. “A aquarela é meu material do cotidiano. Existe para mim uma facilidade nele, que é me permitir trabalhar com desenho e cores em qualquer lugar levando na bolsa apenas um pequeno estojo de aquarela e alguns pincéis”, comenta Renata.

A inspiração para um registro catalogado de objetos do cotidiano começou durante a residência que Renata fez no Aomori Contemporary Art Centre, em Aomori em 2016, no Japão. O encontro com a outra cultura resultou em uma série de registros de objetos rotineiros, como vasilhas, copos, cacos, folhas, flores, frutas, cadernos, canetas, sementes, embalagens e o tradicional artesanato têxtil local – feito principalmente na cor azul. Eles começaram a criar relações com a experiência em Lisboa, no Carpe Diem Arte e Pesquisa, onde instalou desenhos em uma sala revestida de azulejos, cujo predomínio da cor azul, foi decisivo para a realização do trabalho. É essa junção de culturas e observações que compõe o trabalho exposto na galeria Arlinda Corrêa Lima.

Ecos, de Rodrigo Arruda

O estudo da arquitetura aliado à visão questionadora e provocativa da arte contemporânea norteiam a exposição “Ecos”, do paulista Rodrigo Arruda. Nessa segunda passagem do artista por Belo Horizonte, a Galeria Genesco Murta é, também, um importante elemento de ligação na proposta artística: oito trabalhos em dimensões variadas ocupam o espaço expositivo de maneira articulada, para questionar a permanência ou a ausência do público dentro da galeria.

“Ecos” é fruto dos anos de estudo de Rodrigo ainda na graduação. As vertentes contemporâneas sempre direcionaram a linha criativa do artista que para essa exposição propõe questões filosóficas e simbólicas. Na mostra, Rodrigo trabalha questões de ausência e preenchimento de um espaço artístico. Aproveitando todas as dimensões da Genesco Murta, o artista reúne obras singulares, como um prego de vidro, fios de tela, cubo de acrílico, chapa de vidro, papel furado e fios de argila. O distanciamento dessas obras dentro da galeria cria uma zona de tensão que intensifica a sensação de vazio no ambiente.

Rodrigo Arruda é artista paulistano formado em artes visuais na USP. Possui trabalhos no acervo do Museu de Arte do Rio, Museu de Arte de Ribeirão Preto, Prefeitura de Santo André e na coleção KERN (Berlim). Realizou exposições no Brasil, nos Estados Unidos e na Alemanha, em instituições como Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, Centro Cultural São Paulo, Museu do Estado do Pará, Oficina Cultural Oswald de Andrade, Museu de Arte de Ribeirão Preto, SESC Ribeirão Preto, Ateliê 397, entre outros. Em 2015 foi pesquisador visitante da Ohio State University (EUA) e em 2018 recebeu o prêmio aquisição do Salão de Arte de Santo André.

Espetáculo-Ocupação

Na quinta-feria, 27 de junho, antes da abertura das exposições da Ocupação de Artes Visuais, haverá outra importante atividade no Palácio das Artes. Após seis meses aberta à visitação, a exposição “Corte”, da Galeria Aberta Amilcar de Castro, localizada no Jardim interno do Palácio das Artes, entre as galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta será encerrada.

Para registrar esse importante momento, a Cia. de Dança Palácio das Artes apresentará o “Espetáculo-Ocupação Corte – Manifesto Neoconcreto”. O encerramento da exposição marca o início das comemorações do centenário de nascimento de Amilcar de Castro.

Com direção artística de Cristiano Reis e cocriação dos bailarinos da CDPA, a coreografia se baseia em um estudo sobre dimensionalidades, tendo a obra de Amilcar de Castro e o movimento Neoconcreto brasileiro como pontos de partida.

SERVIÇO

Abertura: quinta-feira, 27 de junho, às 18h
Período expositivo: 28/6 a 8/9
Local: Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro, Belo Horizonte/MG)
Horário: terça-feira a sábado, das 9h30 às 21h; domingos, das 17h às 21h
Entrada gratuita
Informações para o público: (31) 3236-7400

*Com informações da Agência Minas.

LEIA MAIS

Comentários