Escritores, vocês sabem quem são seus leitores?

Quando uma pessoa decide começar a trabalhar em um livro, ela dá muita atenção ao conteúdo que pretende escrever. No entanto, o autor deve antes direcionar seu foco para pensar seu público-alvo: “Para quem escreverei meu livro?”; “Quais são os sonhos, projetos de vida, angústias, medos e desafios dos meus leitores?”; “Quais problemas e dificuldades eles precisam resolver em seu dia a dia?”; “Quais oportunidades querem aproveitar?”; “O que eles querem saber sobre o assunto que pretendo escrever?” e “Por quais motivos estes leitores investirão dinheiro e tempo para comprá-lo e lê-lo?”

Um livro só será lido quando o público-alvo for definido e o conteúdo for construído pensando em suas necessidades. Sem definir previamente quem são seus leitores é impossível sequer direcionar a linguagem textual adequada do livro.

Toda obra tem um público-alvo específico, algumas até são mais abrangentes que outras, mas todas possuem um. Já imaginou Thalita Rebouças escrevendo para o público infanto-juvenil, mas usando palavras rebuscadas e formais? Ou se o saudoso José Saramago, prêmio Nobel de Literatura, tivesse enchido suas obras de gírias malucas? Definitivamente, ‘Fala Sério, Mãe’ e o ‘Memorial do Convento’ jamais teriam feito sucesso e, tragicamente, teriam sido destinados ao limbo dos livros

Todas as etapas da elaboração de um livro são vinculadas ao público para o qual ele será voltado: desde seu planejamento e escrita (roteiro de capítulos, construção de personagens, textos dos capítulos e adequação textual), a fase de edição (revisões, projeto gráfico de miolo, capa), marketing e sua colocação à venda nas livrarias e sites de venda de livros.

Pois bem, escrever é sim uma arte, mas conhecer seus leitores também. Por conta disso, existem várias maneiras de classificar e escolher um público-alvo: idade, profissão, sexo, perfil socioeconômico, interesses específicos são algumas delas. No entanto, é preciso entender determinadas ‘pegadinhas’ incutidas neste ramo: ter um público-alvo não é o mesmo que segregar leitores.

Isso quer dizer que, ao mesmo tempo em que é preciso saber em qual público-alvo focar, também não se deve excluir outros públicos potenciais. Grande parte dos livros tem um único público de leitores muito bem definido. Porém, existe um bom número de obras que podem ter mais de um. Nestes casos, normalmente há um público-alvo primário, que representa mais de 50% dos leitores potenciais, e um secundário, com parte relevante de leitores, porém menor. Outros poucos livros podem também até atender a um público-alvo terciário.

Um romance nunca é 100% voltado ao público feminino adulto, um suspense pode não ser totalmente direcionado a jovens adultos, ficção científica nem sempre é apenas para nerds homens a partir dos 18 e poucos anos, vampiros e lobos não são apreciados somente pelo público adolescente.

Resumidamente: O autor precisa definir seu público-alvo, mas, na medida do possível, também pode dar chances para que outros públicos, quando o tema e o conteúdo de sua obra permitirem, se interessem pelo seu livro, pois isso, de fato, pode acontecer. A saga Crepúsculo, da autora Stephenie Meyer, originalmente foi pensada para o público jovem feminino, mas acabou interessando também às mulheres adultas e de meia-idade.

No caso de livros técnicos, existe um único grupo de leitores muito bem caracterizado. Ninguém escreve, afinal, um livro para estudantes de graduação em direito, pensando em ganhar, quem sabe, outros tipos de leitores. Obviamente este tipo de obra excluirá o restante do público, mas é justamente isso o que se espera deste gênero: foco total e absoluto nos estudantes que estudam a área jurídica.

Portanto, se você deseja que seu livro tenha chances reais de ser bem aceito pelos leitores, invista tempo suficiente para definir seu público de leitores e analisar suas características.

*Eduardo Villela é book advisor e, por meio de assessoria personalizada, ajuda pessoas a escrever e publicar suas obras. Outras informações em www.eduvillela.com.

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