Escritor Pedro Bandeira adapta livro de Monteiro Lobato, tira racismo do texto e corta Pedrinho da história

O escritor Pedro Bandeira é, reconhecidamente, um dos grandes fãs de Monteiro Lobato. Publicamente, ele sempre exaltou a obra do criador do Sítio do Picapau Amarelo. Por isso, não perdeu a oportunidade de revisitas um dos grandes clássicos do autor, agora que a obra lobatiana se tornou de domínio público.

Pedro é conhecido por vender mais de 25 milhões de exemplares de títulos voltados para o público infanto-junvenil como “A Marca de uma Lágrima” e “O Fantástico Mistério de Feiurinha”. Agora, acaba de lançar “Narizinho – A Menina Mais Querida do Brasil”, ilustrado por Renato Alarcão e publicado pela Moderna.

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Nele, Bandeira com as aventuras da garotinha de sete anos, revistas sob um ponto de vista que elimina trechos racistas, a troca de palavras e expressões e o corta, por completo, o personagem Pedrinho da narrativa. No novo texto, a linguagem muda e expressões “com a beiçaria inteira” são suprimidas.

Apesar de ter cativado gerações e gerações com sua prosa envolvente e lúdica, Lobato começou a lançar os 23 volumes que formam a saga dos personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo em 1920. Por isso, seu texto é recheado de termos e expressões racistas. Pedro Bandeira fez questão de excluir de sua releitura coisas como “a resmungar que nem uma negra beiçuda” ou “Tia Nastácia, negra de estimação”.

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Essa arejada na linguagem e preocupação em tornar o texto de Lobato muito mais carregado de identificação era mesmo de se esperar Bandeira. Mas, muita gente deve se espantar com a exclusão de um personagem tão carismático quanto Pedrinho. No posfácio, o autor justifica que “[Pedrinho] é o mais fraco de todos os personagens da saga. Não pensa nada, não imagina nada, nada resolve. (…) Como ele, todas e cada uma das personagens lobatianas são apenas coadjuvantes ou figurantes das fabulações dessa maravilhosa e apaixonante menininha”.

Ainda no posfácio, Bandeira faz questão de expressar sua paixão por Narizinho e como ela se tornou a grande personagem feminina da história da literatura brasileira. “Narizinho é o protótipo perfeito de uma menina solitária de sete anos. (…) Ele [Lobato] observou que essa é a idade da imaginação solitária, da criação ermitã de mundos maravilhosos, da busca do mágico, do fantástico, do fabuloso, do absoluto, é o momento em que se começa a aprender a ler e, genialmente, adivinhou que a menina traria para dentro de si (que é o espaço mágico do sítio) os personagens dos mundos de aventuras e dos contos de fada dos livros que agora é capaz de ler. Brilhante!”.

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