ENTREVISTA: Guilherme Infante lança em livro os conselho “imorais” do seu personagem Capirotinho, que faz sucesso nas redes sociais

Para alguns, uma crise de insônia pode ser desesperadora. Para outros, uma oportunidade de extravasar pensamentos e dar vida à sua criatividade. Foi dessa forma que o então analista de sistemas Guilherme Infante, em 2014, criou as primeiras tirinhas do personagem Capirotinho.

Com um humor próprio, o pequeno diabinho vem fazendo sucesso nas mídias sociais com seus conselhos e observações pouco “usuais” sobre o nosso cotidiano e universo. Tamanho sucesso fez com que o personagem transpusesse a barreira do virtual para se tornar o livro “O Capirotinho: uma Dose de Porquês Antes do Fim”, que já passou pelas bienais do Rio de Janeiro e São Paulo.

Agora, o autor fará o lançamento da sua obra em Belo Horizonte, Minas Gerais, no sábado, 18 de novembro, às 9h, na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. O evento tem um sabor especial, já que Guilherme Infante mora na capital mineira.

Às vésperas desse lançamento, o Trem das Gerais bateu um papo com o criador desse diabinho. Confira a seguir como foi essa conversa!

Capa Capirotinho

Trem das Gerais: Como e quando surgiu o personagem Capirotinho?

Guilherme Infante: O personagem surgiu em meados de 2014, precisamente em agosto. Na época, passava por uma crise de insônia e, para lidar com o problema, resolvi extravasar em tirinhas.

TG: De onde veio a inspiração para esse personagem?

GI: Veio de uma somatória de fatores, mas o motivo principal era poder utilizar um personagem com uma natureza “errada” para poder falar do que eu quisesse, sem filtros.

TG: Porque a escolha das mídias sociais para receber as primeiras tirinhas do Capirotinho?

GI: Na época que criei era o que estava à disposição de forma mais prática. Nunca havia desenhado antes, trabalhava como analista de sistemas, não sabia como publicar. Dessa forma, foi a opção mais simples e viável.

TG: Qual a importância das mídias sociais para o desenvolvimento do seu trabalho como cartunista e ilustrador?

GI: Importância total. Devo tudo às pessoas dessas redes sociais. É graças a elas que o personagem cresceu e, hoje, um livro está sendo lançado. Serei eternamente grato às plataformas e seguidores que fizeram o personagem crescer.

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TG: Como você define o humor utilizado em suas tirinhas?

GI: Muitas tirinhas, na verdade, eu não vejo algo humoristico. Tento, sim, vez ou outra criar algo simples para amenizar o peso das outras tirinhas mais sérias. De toda forma, mesmo essas mais engraçadas, eu entendo como um humor desesperado de escape, como alguém que ri para não chorar. É o tal tragicômico.

TG: Quando criou o Capirotinho tinha algum receio de que utilizar um símbolo religioso pudesse trazer algum problema ou desconfiança em relação ao seu trabalho?

GI: Tive receio. E sofri restrições para divulgar meu trabalho em mídias formais, sou constantemente ofendido e passo por problemas com determinada frequência. Mas eu tinha duas opções: fazer o que eu queria ou fazer o que os outros queriam. Como não estou cometendo nenhum crime ao utilizar a imagem de um diabinho, optei por ser sincero em relação ao que penso.

TG: Já teve algum problema ou situação curiosa devido ao Capirotinho? Qual?

GI: Já, alguns. Mas nada muito crítico, são apenas julgamentos precipitados e xingamentos. Depois de três anos, passando por isso todos os dias, já estou anestesiado.

TG: Você está lançando o livro “O Capirotinho: uma Dose de Porquês Antes do Fim”. Como foram feitas a seleção das cerca de 170 tirinhas que compõem a obra?

GI: Dessas 170, cerca de 130 são inéditas. As demais são algumas que escolhi com base na aceitação das pessoas na página. Dessa forma, creio que consigo agradar seguidores novos e antigos.

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TG: Esse é o primeiro livro que lança. Qual o sentimento?

GI: É difícil descrever em palavras. É uma sensação quase de paternidade. Um misto de orgulho e gratidão.

TG: Na turnê de lançamento, passou por cidades como Rio de Janeiro – onde participou da Bienal – e São Paulo. Como foi essa experiência?

GI: Foi excepcional. Como disse antes, eu era analista de sistemas até alguns meses atrás. Então tudo é muito novo e deslumbrante para mim. Fiquei sorrindo igual bobo quando vi um crachá escrito “autor” e meu nome junto. Jamais esquecerei esses eventos.

TG: Em novembro, é a vez de fazer o lançamento em Belo Horizonte, sua cidade. Como está a expectativa e o que o seu leitor pode esperar desse evento?

GI: Tenho um orgulho enorme de morar em Belo Horizonte, estava ansioso demais para vir lançar o livro aqui. Bom, sou um pouco tímido, então quem comparecer pode esperar um cara quase morrendo de ansiedade atrás de uma mesa, mas extremamente satisfeito por estar ali.

TG: Quais são os seus próximos projetos?

GI: Tenho três projetos em andamento. Tem uma coleção de cartões de natal que serão lançados ainda este ano com outros desenhos e mensagens de gosto duvidoso. Um segundo título do Capirotinho, que será no formato de revista, com tirinhas divididas por temas. E, por fim, um livro de poesias ilustrado com uma personagem que criei, chamada Outono.

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