Entre linhas e tesouras: o trabalho artesanal de capotaria na restauração de carros antigos e na criação de móveis

Linhas, agulhas, carretéis, tesouras, máquinas de costura, tecidos… muita gente não sabe, mas esses são alguns dos importantes elementos que não podem faltar na oficina de um capoteiro. “Quando eu morei em Curitiba, descobri que capoteiro é simplesmente quem mexe com capota de carro! Mas não foi o que eu aprendi a ser. O que eu faço, hoje, é a reunião de várias áreas de atuação: sou capoteiro, estofador e tapeceiro. Reformo móveis e estofados, crio novas peças, fabrico sofás planejados e restauro carros antigos”, explica Christiano Carlos da Silva, capoteiro há 19 anos.

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Ele começou na profissão aos 20 anos, levado pelo irmão mais velho. “Eu era pintor, ele me chamou para a capotaria e eu fui! Gostei logo de cara! Gostei tanto que eu recebia muito menos do que o tinha na minha carteira como pintor”, relembra. Christiano explica que o que mais o fascinou foi começar a ver o resultado final de ser trabalho e “o desafio de chegar até lá! É saber que não é qualquer um que faz esse trabalho! Se fosse para ser fácil, todo mundo seria capoteiro. É um trabalho minucioso que exige talento, paciência, capricho e delicadeza. Muitas vezes a gente tem que refazer o serviço, voltar lá atrás e começar de novo, perder material. Tudo isso para sair bem feito”, conta.

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NEGÓCIO PRÓPRIO

Christiano deixa claro que é não qualquer pessoa que consegue exercer essa profissão. É preciso talento natural e muita dedicação. “É indispensável ter atenção! Você tem que saber como estava tudo antes de você começar a mexer, cada era a costura antes de desmanchar”. Essa atenção o levou ao desafio de ser dono do próprio negócio. Hoje, aos 39 anos, Christiano comemora um ano e meio à frente de sua própria capotaria.

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Nela, ele se descobriu capaz de crescer em seu próprio ramo e oferecer aos clientes mais do que apenas o trabalho de reforma. Ele começou a criar as próprias peças. “A ideia da fabricação veio de uma necessidade de atender à demanda dos clientes. De repente eles começaram a pedir para reformar as peças de um jeito que elas coubessem melhor nos espaços que eles tinham em casa”, explica.

Aí, ele percebeu que poderia oferecer o que as pessoas não achavam no mercado itabirano. “Eles me falavam ‘minha sala é grande demais para esse sofá. Você faz um para mim?’ e fui fazendo. Hoje, ofereço essa possibilidade: criar sofás planejados, puff’s, peças personalizadas, camas, cabeceira de cama, poltronas, bancos com baús”, comemora. Isso fez com que Christiano fizesse com que o trabalho artesanal feito por ele passasse a ser mais conhecido e, naturalmente, ele foi em busca de elementos que fizessem de seu talento algo diferente do encontrado na cidade. “Trabalho com mostruários que os decoradores usam, então o número de opções que ofereço é bem grande! Inclusive, só eu tenho um mostruário de tecidos automotivos, já que a restauração de carros antigos é algo em que estou investindo agora”, explica animadamente.

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RESTAURAÇÃO DE CARROS ANTIGOS

Foi aqui que Christiano se lançou em um filão pouco requisitado em seu setor de atuação. “Essa ideia de restauração de carro antigo começou recentemente em Itabira. Quando eu comecei na capotaria há quase 20 anos, os profissionais apenas reformavam os veículos… como se reforma um sofá. Mas, o trabalho de restauração é totalmente diferente do de reforma. Exige pesquisa, busca por materiais originais, saber quais são os pontos de costura usados, o tipo de linha. O trabalho que eu faço neles é quase todo manual”, detalha.

E tem sido um sucesso. Em parceria com a oficina Garagem V8, Christiano tem feito restaurações em carro incríveis, como o Landau 72 que está agora em suas mãos. É uma trabalho que exige um envolvimento emocional que o alegra muito. “Eu estou mexendo ali com a paixão de uma pessoa… eu já vi gente chorando quando recebe o carro pronto de volta! Esse amor é o diferencial para mim, porque eu me envolvo na história do dono do carro”.

O FUTURO

Bem humorado, Christiano reconhece que a modernização de ferramentas e maquinário melhorou as condições de trabalho, mas ainda há muita coisa para aprender. “Muita coisa ainda se faz à mão. O corte do tecido, a montagem dos móveis, costura. Percebo que não sei nada, tenho muita coisa para aprender. Quero fazer o que mais ninguém faz. E mais do que isso. Eu quero restaurar meu próprio carro. E quero ter o meu nome conhecido. Quero que as pessoas saibam que foi pelas minhas mãos que aquele trabalho foi feito!”, conclui.

*fotos Tatiana Linhares

SERVIÇO

Capotaria Reforcap

Telefone: (31) 3834-7004 / (31) 9.8960-7004

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