Emicida lança livro infantil e, mais uma vez, reforça que representatividade importa sim!

A música “Amoras”, do rapper Emicida, começa com um poeminha que acabou de se transformar em livro infantil. Lança pela Companhia das Letrinhas, conta com ilustrações fofíssimas de Fabrini e reproduz com muita sutileza, lirismo e delicadeza um diálogo do cantor com sua primeira filha de 7 anos, Estela. Aliás, a história é toda dedicada a ela.

A canção, assim como o livro, narra a história de uma garotinha que, conversando com o pai debaixo de uma amoreira, ouve ele falar sobre a beleza das frutinhas… “quanto mais pretas, mais doces”. Ela, então, assimila sua própria identidade e se reconhece.

Assim, bem lúdica e gentil, a história fala sobre representatividade, autoconfiança, preconceito e negritude. Fala também sobre a importância de uma paternidade presente e afetiva e como essa relação contribui para a construção de referências positivas no desenvolvimento saudável da criança.

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Mais do que isso, como a música foi composta pouco depois do próprio rapper se autoavaliar em uma viagem à África, o livro apresenta também referências à religião e à resistência afro. Lá são citados Zumbi, Martin Luther King, Malcom X e entidades da mitologia yorubá. Emicida, e jeito mais leve possível, reforça a importância de nos orgulharmos de ser quem somos, desde crianças e para sempre.

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Na página oficial do cantor no Facebook, ele explica por que resolveu fazer um livro infantil e fala sobre a necessidade de falar com as crianças sobre assuntos sensíveis como o racismo. “Essa segunda paternidade aflorou uma outra parada em mim… um direito de ser sensível. E de conversar a relação com a minha primeira filha, porque ela me ensina muito sobre doçura. E aí é impossível não refletir sobre a falta dessa doçura na minha infância. Eu preciso lutar com todas as ferramentas que eu tiver para construir esse lugar melhor porque elas isso… assim como outras crianças”.
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