Em meio a arranha-céus, e por cima de marquises, surge o projeto APTO. Session

Reunir um grupo de músicos e entusiastas da cultura dentro de um apartamento para fazer uma sessão sonora pode ser impensável para algumas pessoas. Talvez o espaço seja apertado ou, quem sabe, os vizinhos vão se incomodar com o encontro musical. Porém, para a produtora audiovisual HOPE Filmes, esse não é apenas um cenário viável, mas também uma excelente oportunidade para promover um intercâmbio cultural. O projeto APTO. Session, que acontece em Belo Horizonte, completou um mês de vida e vem causando barulho.

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Idealizado pelo baiano Paulinho Almeida e pelo itabirano Samuel Elom, sócios na HOPE Filmes e colegas de quarto, o APTO. Session é um projeto audiovisual que abre as portas para que músicos de diversos gêneros possam apresentar seus trabalhos em um pocket show intimista. E ainda ter toda a apresentação devidamente registrada em fotos e vídeos. Uma ideia que surgiu de maneira natural a partir de uma gravação despretensiosa da dupla.

“Gravei um vídeo curto com meu parceiro de apartamento [Paulinho Almeida], colocamos no Facebook e as pessoas pediram um vídeo maior. Munidos de equipamentos de áudio e vídeo, pensamos em fazer algo mais trabalhado. Lançamos e a galera curtiu, então pensamos: podemos convidar artistas para tocarem e gravarem aqui dentro. Começamos a fazer e a moçada parece ter gostado da ideia”, explica Samuel Elom.

A primeira session, com Paulinho Almeida e Samuel Elom, aconteceu em 14 de abril, e, desde então, passaram por lá os belorizontinos (nascidos ou radicados) Bruno Coimbra, Guilherme Ventura, Absinto Muito, Eliezer Gonçalves e Gustavito, além do capixaba André Prando – ganhador do ShowLivreDay 2016, e o rapper carioca Thiago Elniño. Um início de trabalho que tem a diversidade cultural como válvula motriz.

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Samuel Elom e Paulinho Almeida estão à frente do projeto APTO. Session.

E essa diversidade não deve parar por aí, mas agora a ideia é trazer também artistas que possuam representatividade social. Abrindo portas para vozes ligadas aos movimentos feministas, LGBT, negro e outros. “Nós ainda estamos tentando padronizar a escolha dos artistas, em pouco tempo foram dezenas de pedidos para a session e não esperávamos por isso. Mas, por enquanto, pegamos todo o material que é enviado, analisamos e montamos a agenda levando em conta a diversidade musical. Estamos na tentativa de trazer artistas com uma representatividade social. Mas confesso que ainda estamos deficientes nesse quesito”, analisa Samuel Elom.

Além de reunir os músicos em um apartamento, o projeto também abre espaço para que um grupo de 15 pessoas convidadas possam acompanhar as apresentações, o que permite o acesso a novos artistas e o intercâmbio cultural entre os participantes. Essas apresentações sempre são feitas com instrumentos não microfonados – justamente para não incomodar quem está nos apartamentos vizinhos. A captação dos áudios é feita de maneira orgânica com vários microfones espalhados pelo espaço, o que permite um registro que não soe artificial.

“O APTO. Session visa expandir o cenário musical por meio de vídeos, visto que, para alguns artistas, pode ser muito caro uma produção audiovisual de qualidade. Já gravamos vídeos de artistas sensacionais, mas que não tinham uma qualidade visual de acordo com a qualidade da música que faziam”, ressalta Samuel Elom.

A HOPE Filmes trabalha agora na expansão desse projeto de maneira que possa extrapolar o universo musical. Para isso, pretendem realizar exposições de alunos de artes plásticas durante as sessions, além de abrir espaço para a poesia urbana. Além disso, irão lançar uma página na plataforma de financiamento coletivo Apoia.se para ajudar no custeio das sessões musicais.

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