Em Itabira, audiência pública sobre violência contra a mulher discute o homem agressor

Autoridades policiais, judiciárias e representantes de instituições renomadas participaram de uma audiência pública pelo fim da violência contra a mulher, na quarta-feira, 29 de novembro, em Itabira, Minas Gerais. Promovido pela Câmara Municipal de Itabira (CMI), por solicitação do presidente do legislativo, Neidson Dias Freitas (PP), o debate discutiu formas de tratar e transformar o homem agressor.

De acordo com a juíza da 2ª Vara Criminal de Itabira, doutora Cibele Mourão, de janeiro de 2016 a outubro de 2017, Itabira registrou 1.258 casos de violência doméstica. Neste mesmo período houve 548 pedidos de medidas protetivas. Para a juíza, as penas para os crimes de lesão corporal e ameaça no âmbito doméstico (os mais comuns) são muito pequenas. “A Polícia Militar [PM] faz um brilhante trabalho, prende, mas a gente solta. E a vítima continua na mesma situação porque o homem é o mesmo homem. Por isso conto com o apoio dos senhores para buscarmos outras soluções”, declarou a magistrada.

Neidson Freitas, autor do requerimento que deu origem à audiência pública, afirmou que é papel do legislativo discutir ações que tragam resultados coletivos. “Esta audiência é para nos ensinar. Estou aqui para aprender e fazer parte desses homens pelo fim da violência contra a mulher”, afirmou, referindo-se ao tema da campanha – “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher”. “Meu compromisso enquanto vereador e presidente desta Casa é dar todo suporte necessário para que o poder público abrace a causa. O compromisso nosso é com resultados”, declarou.

De acordo com a tenente da PM, Mirian Furtado, a força policial está qualificando profissionais para atuar de forma direta nos casos de agressões à mulher. Ela coordena uma Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica criada há seis meses pela corporação. Para a delegada Amanda Machado, as experiências narradas na audiência ajudarão as autoridades locais a trabalhar de forma mais efetiva. “O momento é de ouvir os casos bem sucedidos dessas instituições que têm como foco o homem. Precisamos encontrar um modelo que melhor se adeque à realidade de Itabira”, ressaltou.

Palestras

Durante as palestras, experiências positivas com grupos reflexivos masculinos em diversas cidades do Brasil foram apresentadas. Leonardo de Lima Leite, do Instituto Albam; Maria Regina Pimentel, do Grupo Dialogar (da Polícia Civil); Ermelinda de Melo, do Consórcio Regional Promoção da Cidadania Mulheres das Gerais; e doutor Marcelo de Paula, juiz especializado em violência doméstica de Belo Horizonte, foram os palestrantes. A audiência pública fez parte da campanha internacional “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”. O objetivo é unir forças para reproduzir em Itabira as experiências bem sucedidas.

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