ECONOMIA CRIATIVA: “Drummond é um patrimônio e Itabira precisa aprender a trabalhar com este patrimônio”

Após a morte do poeta itabirano Carlos Drummond de Andrade, há exatos 30 anos, a cidade volta a debater a significância do escritor e, principalmente, como a sua imagem pode se tornar uma fonte de renda e desenvolvimento econômico em sua terra natal.

Para isso, uma mesa-redonda com o tema “Importância de Drummond para o Desenvolvimento Socioeconômico de Itabira” foi realizada na quarta-feira, 16 de agosto, na Câmara Municipal de Itabira (CMI), como parte da programação do projeto “30 Anos sem Drummond”, idealizado pelo vereador Paulo Soares de Souza (PRB), em parceria com o legislativo itabirano e a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA).

No comando dos debates estava o escritor e jornalista Edmilson Caminha, que destacou a importância do poeta para a literatura mundial e fez intervenções provocativas, principalmente no que diz respeito à utilização da imagem do poeta na construção de uma economia que não dependa apenas da mineração.

Na opinião do mediador, Drummond é um “patrimônio gigantesco”. “É preciso que Itabira saiba como trabalhar este patrimônio, como colcoar este patrimônio a favor do desenvolvimento econômico, do desenvolvimento social e cultural de Itabira”, disse.

Especialista na obra drummondiana, Edimilson Caminha abriu o debate elogiando a proposta de lembrar a morte do poeta, mas fez uma observação.

“Vocês deveriam fazer a celebração dos 30 anos com Drummond. Porque a obra dele continua mais viva do que nunca, Drummond continua vivo”, disse o escritor.

Ainda de acordo com ele, a principal forma de movimentar a economia utilizando a obra e a imagem do poeta é pelo turismo. Atrair o público certo e tornar a cidade mais convidativa são os principais desafios.

04
Para o jornalista e escritor Edmilson Caminha, Drummond é um “patrimônio gigantesco” de Itabira.

“Na minha opinião, tudo isso passa por uma estrada larga que se chama turismo. Itabira tem uma vocação importante, que é o turismo cultural, assim como existem cidades que vivem do turismo natural, outras do esportivo, Itabira tem uma joia, um tesouro, que é a figura de Drummond, a obra de Drummond e o homem que ele foi. Itabira precisa transformar isso em algo que engrandeça a cidade e o objetivo desta mesa-redonda é exatamente discutir sobre como fazer de Drummond uma fonte econômica e principalmente cultural” destacou o mediador.

O idealizador do projeto, vereador Paulo Soares de Souza, também falou da importância de trabalhar o turismo cultural e histórico como uma forma de movimentar a economia no município e defendeu o foco na utilização da imagem de Drummond como fonte de renda.

“Drummond é um imortal, é rica a sua mensagem e isso pertence a Itabira. Não estou aqui querendo ver Drummond como um produto, são duas visões. A visão do artista literal, que não tem como comparar, mas, também, podemos despertar o desenvolvimento em sua figura. Essa é a amplitude da sua literatura, da sua mensagem, por isso estamos discutindo Drummond no desenvolvimento econômico”, disse o vereador.

03
Para o vereador Paulo Soares, idealizador do projeto “30 Anos sem Drummond”, o turismo cultural e histórico é uma forma de movimentar a economia de Itabira.

A riqueza cultural de Drummond

O presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita), Eugênio de Andrade Müller, participou dos debates e chamou a atenção para a utilização do que ele chamou de “a verdadeira riqueza itabirana”: o poeta Carlos Drummond de Andrade. Na opinião dele, a cidade precisa se inspirar nas obras do poeta e desenvolver um economia criativa, utilizando a sua imagem como fonte de renda principal.

Fazendo uma comparação com o minério de ferro, principal fonte de movimentação econômica no município, o presidente da Acita disse que Drummond é o grande diferencial da cidade. Já o minério, criticou, “é um recurso” que só é utilizado quando se tem disponível.

“Temos trabalhado muito a indústria criativa e se torna impossível discutir essa indústria sem citar Drummond, pela inspiração que Drummond nos deixa, ele sempre deixou em sua obra uma inspiração de empreendedorismo, onde ele criticava uma atividade, onde ele citava a expressão ‘diversificação econômica’ dentro de muitas inspirações. Minério é um recurso, não é uma riqueza, Drummond é uma riqueza. Nasceu aqui, é o grande diferencial da cidade e é isso que temos que entender, inspirar em modelos de cidades que existem pelo mundo e fazer esta Itabira Drummondiana, que a gente possa se inspirar em sua obra e na riqueza que nós temos”, disse o presidente da Acita.

Mesa

Além do escritor Edimilson Caminha e do representante da Acita, participaram do debate o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Maurício Martins; a representante do Instituto Moreira Salles (IMS), Elizama Almeida; o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Inovação e Turismo, José Don Carlos Alves Santos; o professor adjunto da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) – Campus Itabira, Juliano de Almeida Monte-Mor; e o professor da Fundação Itabirana Difusora do Ensino (FIDE), Maxsandro Ferreira Soares.

Durante a mesa de debates a livraria Clube da Leitura fez uma exposição das obras de Drummond.

LEIA MAIS

Comentários